“25 de Abril” é quando um homem quiser!

Prepara-se a Assembleia da República para, no próximo dia 25, comemorar pomposamente o 46º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, à revelia de todas as recomendações de confinamento resultante da pandemia Covid-19 e à margem do mais elementar bom senso.

Em vez de, recorrendo à criatividade e à imaginação, dar o exemplo, promovendo uma comemoração condigna e alargada mas online, com recurso a novas tecnologias (o que seria manifestamente possível), a Assembleia da República (ou alguns deputados da Assembleia da República, mas, enfim, os deputados suficientes para terem tido maioria numa votação) não prescindiu da festinha e do cravinho da lapela, dos velhos “capitães” do MFA e dos dirigentes da Associação 25 de Abril (todos já caquéticos) e das estafadas vivas ao “25 de Abril”, num cerimonial penoso e arrastado, em que cada representante das diversas bancadas parlamentares lá bota o seu discurso obrigatório enquanto, enfadonhamente, a televisão estatal, a RTP, lá cumpre a ordem de transmitir em directo… perante a indiferença de todo o povo português.

Atenção: que não se deduza que somos contra o “25 de Abril”. O “25 de Abril” foi pretexto de muitos e, alguns deles, graves erros. Mas foi a conquista da Liberdade, da Democracia, e isso é estruturante num Estado de Direito.

Mas o “25 de Abril” não cristalizou no tempo. Pelo contrário, o verdadeiro espírito do “25 de Abril” é evolução, e o exemplo que a Assembleia da República nos dá é regressão. É um “museu” a que só faltam figurantes empalhados… Com o acréscimo de que os sobreviventes do 25 de Abril de 1974 são, pelas suas provetas idades, população de risco. Cuidado senhores idosos do “25 de Abril”.

José Augusto Dias, Vice-Presidente do Chega para a Justiça e a Segurança