25 de Abril: o nome da pobreza portuguesa

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O Meu Diário de Voto em André Ventura por Gabriel Mithá Ribeiro

Leia diariamente nesta página textos, excertos ou frases destinados a resgatar os portugueses da alienação mental imposta pelas elites jornalísticas, académicas, intelectuais, políticas ou artísticas de um regime falido. Contra ele, André Ventura e o CHEGA fazem germinar uma força moral e cívica imparável que fará nascer a IV República Portuguesa. 

 A prosperidade dos povos nunca foi ou será fruto de realizações de uma época. Resulta sempre de compromissos ininterruptos no tempo dos séculos entre as gerações do presente e as gerações antecedentes, entre a modernidade e a tradição, uma vez que os ciclos históricos legam ao seguinte aspetos positivos que têm de ser preservados (conservadorismo) e negativos que devem ser corrigidos (reformismo). 

A ideia nada tem de original desde Edmund Burke (século XVIII) e, mais recentemente, foi confirmada por Fernand Braudel ou Roger Scruton (século XX). 

Contra tal lição da história, não existe revolução que não deite fora o menino com a água do banho, que não gere ideais de rutura na forma como o tempo histórico é representado no pensamento social. Essa é a semente da instabilidade e da pobreza dos povos. 

O mundo anglo-saxónico constitui a prova da conjugação entre a continuidade histórica, a estabilidade social e política e a prosperidade económica: Reino Unido, Estados Unidos da América, Austrália ou Nova Zelândia. Fora dele poderíamos citar os Países Baixos (Holanda), Japão, Israel e mais uns quantos. 

Nesses casos, a renovação política do controlo do Estado não tem tradições revolucionárias, não é abrupta. A renovação das elites políticas não tem impacto na estabilidade e autonomia das elites sociais e das elites económicas. Política, Sociedade, Economia ou Cultura respeitam as fronteiras entre si, controlam-se mutuamente, preservam as suas respetivas autonomias. Por assentar em tais pressupostos, nesse tipo de sociedades a autonomia entre os órgãos de soberania (poder executivo, poder legislativo e poder judicial) é bem mais resistente às mais variadas crises e à passagem do tempo. 

Trata-se, no entanto, de exceções. O panorama internacional é dominado por sociedades empobrecidas ou falhadas justamente por falta de maturidade histórica ou civilizacional. 

No último caso, são sociedades mentalmente dominadas por ideais de rutura revolucionária inspirados na Revolução Francesa (1789) e na complementar Revolução Soviética (1917). Nestes casos, a renovação da classe política que controla o Estado além de tender a ser abrupta, quando ocorre arrasa as elites sociais, económicas ou culturais existentes, as do regime antecedente. Revolução significa a imposição sem freio do campo político sobre os outros campos que instituem os sistemas humanos complexos (sociedade, economia, cultura) que, por isso, todo esse conjunto é forçado a regressar praticamente à estaca zero, uma espécie bancarrota humana e civilizacional. Uma vez destruído o ideal social de continuidade histórica, a sua reconstrução é dificilmente reparável e, a acontecer, demora séculos. 

Quanto mais violentas ou quanto mais repetitivas são as revoluções tanto pior. Uma grande revolução que imponha ruturas profundas acaba por ter os mesmos efeitos que revoluções repetitivas de menor impacto imediato, a distopia das revoluções pacíficas. Nestes casos, a instabilidade política anda de mãos dadas com a fragilização da identidade coletiva e do tecido social, económico, empresarial, financeiro. 

Às sociedades restas-lhes a terapia de combate à divinização e propagação de ideais revolucionários a partir dos núcleos-chave de controlo e produção do pensamento social, em particular os sistemas de ensino, do pré-escolar ao universitário. Tal significa o caminho inverso ao revolucionário, o dever da defesa cívica da continuidade histórica. Tal significa habituar as sociedades a pensarem mais no passado e no futuro do que no tempo presente. 

Portugal, doente da revolução 

Portugal sobrevive há séculos envenenado pela força social do ideal revolucionário. O CHEGA propõe um caminho diferente, só possível começando por questionar o lugar simbólico do 25 de Abril de 1974

Não existe sala de aula ou espaço público onde a ideologia oficial do atual regime não imponha homenagens divinizadoras da data, uma revolução que simboliza a glorificação de descontinuidades históricas profundas em relação ao passado imediato nos domínios, por exemplo, dos valores sociais, das elites dominantes, do sistema económico, do abandono abrupto do império ultramarino, entre outras descontinuidades ilusoriamente vendidas como o ponto de partida do que seria a era da prosperidade. Decorridas mais de quatro décadas, temos a certeza de que a mesma nunca nascerá de transições revolucionárias. Há séculos que a história portuguesa dá provas inequívocas dessa evidência. 

Filiados ao ideário da esquerda (PS, PCP, BE), sobram lunáticos que admitem que a última revolução, a de 25 de Abril de 1974, não foi tão longe quanto devia. Ainda ficaram por estripar mais uns quantos ricos do antigamente, fascistas, racistas, nacionalistas, colonialistas, conservadores, imperialistas, salazaristas, o que seja, que denunciam a cada esquina. 2 

O que se agravou nas últimas décadas foi o afastamento da mente coletiva portuguesa em relação ao Ocidente próspero e, em sentido contrário, a aproximação, como nunca no passado, de contextos hoje empobrecidos nascidos de transições revolucionárias, proletárias ou independentistas, da África, Ásia, América Latina e, claro, da mãe-Rússia. 

Descontadas as descontinuidades impostas pela revolução de 1383-1385 (da I para a segunda II dinastia), pela perda da independência em 1580, seguida da Restauração de 1640 ou pela renovação pombalina (1750-1777), na leva mais recente Portugal prosseguiu a bom ritmo: 1820, Revolução Liberal; 1851, Regeneração; 1910, Implantação da I República; 1926, Golpe Militar da II República; e o mais recente, 1974, Golpe Militar dos Capitães de Abril/início da III República. O número de revoluções por século tem-se agravado, a caminhada em sentido contrário ao da prosperidade. Os resultados não enganam. 

Essa pandemia identitária pode, deve e tem de ser corrigida a partir do ensino, do pré-escolar à universidade, e contra o 25 de Abril. Não pela data em si, mas pelo que ela representa de aversão à continuidade história desde o idade média. É o último e mais relevante entrave à maturidade da identidade portuguesa. 

Em Portugal, as diferentes dimensões da vida coletiva (sociedade, economia ou cultura) têm vivido fortemente subjugadas à ditadura do poder político, ao primado da política, um caso tipo inequívoco de como se destrói a autonomia do que institui a força, a complexidade e o poder económico de uma sociedade, enfraquecendo-a. Se a História de Portugal não servir para nos ensinar tão importante lição, não servirá para mais nada. 

Quando se defende a transição para a IV República, é bom que fique claro que a mesma visa isolar o campo político de tudo o resto por via de uma profunda reforma constitucional para que a Política, em bom rigor os políticos, deixem de ser parasitas que subjugam a Sociedade, Economia, Cultura, Identidade Nacional. 

É tempo do poder político ser interditado dos seus velhos vícios. Do vício das expropriações, como dos bens da Igreja no período liberal. Do vício das nacionalizações, da geração do 25 de Abril. Do vício da carga fiscal excessiva que garante a subsidiodependência, a nova forma de expropriação, nacionalização e confisco, para mais associada ao peso da dívida soberana, da atual geração dos filhos d’Abril. Sintomas de tentações revolucionárias destrutivas do ideal cívico de continuidade histórica. 

Nesta perspetiva, derrubar o lugar simbólico do 25 de Abril de 1974 é um dever moral e civilizacional. Bani-lo é banir a glorificação da revolução da tradição portuguesa, uma das melhores defesas da sanidade mental coletiva. Bani-lo é garantir a estabilidade social e política que sustenta a prosperidade económica. Bani-lo é abrir a porta a uma profunda transformação cultural e civilizacional que se projetará nos séculos vindouros, adiada desde o final da idade média. 

Não nos esqueçamos: a prosperidade é a fonte da autoridade moral dos regimes e povos. CHEGA de séculos de revoluções, revolucionários e respetivos ideais de pobreza. 

Gabriel Mithá Ribeiro
Vice-Presidente do CHEGA!