O Chega desafiou hoje o Presidente da República a conceder a Ordem da Liberdade ao Regimento de Comandos, envolvido no movimento militar do 25 de Novembro de 1975, como “sinal de reconciliação histórica de todos os portugueses”.

O desafio foi feito pelo deputado do Chega, André Ventura, num encontro, no auditório Almeida Santos, na Assembleia da República, em Lisboa, com ex-militares dos Comandos, uma das unidades envolvidas no 25 de Novembro, para evocar o movimento militar que ditou o princípio do fim do período revolucionário, um ano após a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974.

“Sendo o mais alto magistrado da Nação”, eleito diretamente por todos os portugueses, André Ventura fez um “apelo ao Presidente da República”, Marcelo Rebelo de Sousa, para que “não hesite nem se deixe pressionar” por elo preconceito e decida fazer essa homenagem aos Comandos.

“Apelo ao senhor Presidente da República para que não hesite nem se deixe pressionar por nenhum complexo de natureza histórica ou ideológica”, insistiu.

Uma homenagem, disse, que deve ser feita o “mais breve possível” e ser entregue no Regimento de Comandos na Amadora, distrito de Lisboa.

Na cerimónia, Jaime Neves, chefe militar que liderou os Comandos no 25 de Novembro, foi homenageado e aplaudido, mas não se ouviu qualquer referência a Ramalho Eanes, o estratego desse movimento, eleito Presidente da República em 1986.

De Jaime Neves, disse que “dá vontade de chorar” a forma como foi tratado depois dos acontecimentos de há 44 anos, sem justificar por que dizia isto.

“Foi o 25 de Novembro que nos salvou e nos deu a democracia”, disse, para a seguir afirmar que só porque existiu aquele movimento, que opôs militares de extrema-esquerda e o chamado grupo dos “moderados”, lhe é possível “estar hoje aqui” a falar.

E prometeu que não vai desistir da ideia de aprovar uma resolução, no parlamento, para que a Assembleia da República faça uma sessão solene sobre a data, desafiando os restantes partidos a apoiar a proposta do Chega.

O texto do projeto, que ainda não foi a votos, prevê uma homenagem aos comandos envolvidos nas operações militares de 25 de Novembro que o Chega afirma, erradamente, ter acontecido em 1976 (foi em 1975) e propõe que seja o Governo a instituir “uma celebração solene” da data.

No final, os presentes, mais de 60, entre eles muitos ex-militares, alguns de boina vermelha, fizeram um minuto de silêncio para homenagear os dois soldados do regimento mortos no cerco às instalações das instalações da Polícia Militar (PM) em Lisboa, ocupada pelos revoltosos, da extrema-esquerda – também morreu um terceiro militar, da PM.

Depois do grito de “guerra” dos comandos – “mama sume”, uma expressão de sacrifício – foi cantado o hino de Portugal, no final de uma cerimónia que durou cerca de 40 minutos.

Os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, em que forças militares antagónicas se defrontaram no terreno, entre forças de extrema-esquerda e os chamados “moderados”, do “grupo dos nove”, e sobre os quais não há uma versão consensual, marcaram o fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC).

Lusa