A ameaça de Costa e o destapar de Marcelo

Amigos e companheiros estou cheio de tremeliques. António Costa, o homem que faz poucos dias apelidou os médicos portugueses de “gajos cobardes” ameaçou as forças políticas nacionais de que ou há um acordo à esquerda ou instalar-se-á uma nova crise apolítica em Portugal.

A primeira estupefação que estas declarações me causam é o primeiro-ministro não considerar que já nos encontramos nela há vários anos, muito concretamente desde que açambarcou o poder auxiliado pela extrema-esquerda. No entanto é ainda mais burlesco para não dizer ridículo que do ponto de vista político, António Costa diga basicamente com estas palavras que “Ou é como eu quero ou não brinco”.

Numa análise meramente político-partidária é interessante a forma como Costa inicia uma suposta negociação assentando-a num ultimato a todos com quem se propõe negociar. Mas para um homem que assinou um pacto de não-agressão com António José Seguro e poucos meses depois lhe usurpou a liderança do PS ou que no seu primeiro governo chega ao poder sem ganhar eleições é procedimento corrente.

No entanto Costa foi agora mais longe e moveu as peças do seu tabuleiro de xadrez de uma forma que não sendo inusitada é bem demonstrativa da cobardia que diz ver noutros mas que não reconhece em si próprio.

O que o primeiro-ministro pretende com esta jogada é garantir que num cenário em que nada lhe corra de feição (e não vai correr) possa vir desculpar-se com a falta de apoio dos que antes o alavancaram. Nessa altura poderá dizer “vejam que eu tentei salvar o país e todos estes malandros é que me tiraram o tapete conduzindo-o ao descalabro”.

É realmente uma forma altamente redutora de fazer política e uma cobardia declarada daquele que antevendo não ter qualquer solução para os problemas do país vê o caminho a afunilar-se. Uma espécie de José Sócrates que apesar de uma governação kamikaze nunca assumiu qualquer erro e empurrou sempre as responsabilidades para a oposição do seu tempo e para uma conjuntura internacional desfavorável.

Mas Costa era o número dois de Sócrates. É coerente com os princípios da escola em que aprendeu.

No entanto a semana não se ficou por aqui e também Marcelo Rebelo de Sousa foi completamente destapado pelo confronto que uma corajosa cidadã lhe dirigiu colocando as questões que nenhum governante quer ouvir mas que retratam o país real e não o paraíso que nos vendem existir.

Confesso-vos que fiquei verdadeiramente surpreendido. Não porque ache que Marcelo Rebelo de Sousa é um portento político. Não é. É inteligente e está sobretudo muito feito ao ritmo da dança sendo aquilo a que se pode chamar uma raposa velha. Fora isso é um flop político, fácil de confrontar.

Mas fiquei surpreendido com a forma como ficou petrificado perante as pertinentes questões que lhe foram colocadas e mais ainda com a leviandade com que respondeu dizendo “votem noutro governo”. Foi demasiado mau.

Assim como se Marcelo não tivesse culpa nenhuma do que se passa no país, ou se a sua inércia não fosse a prova cabal de que a sua presidência não tem qualquer substância institucional lavando as mãos como Pilatos perante qualquer comprometimento decisório.

Numa coisa Marcelo Rebelo de Sousa tem razão. É imperioso que os portugueses votem noutro governo. Só tenho pena que se tenha esquecido de não ter dito a segunda parte porque é igualmente imperioso que os portugueses votem também noutro presidente.

Depois deste episódio aguardo com cada vez maior ansiedade o confronto eleitoral entre Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura. Se Marcelo não foi capaz de responder a uma cidadã que o confrontou com os problemas correntes da sua vida diária, imagino o que será debater com um homem que além de o superar de longe como tribuno, tem um natural conhecimento das matérias que vai muito para além do que diariamente se conhece.

Mas palpita-me que Marcelo esteja a cozinhar algo inédito numa disputa eleitoral. Muitos poderão não concordar comigo. Outros entenderem que tal nunca aconteceria. 

Ainda assim depois de António Costa, ele sim, entre outras coisas, ter cobardemente acordado com Rui Rio, outro sonsinho, o fim dos debates quinzenais para se furtar ao debate parlamentar, espero que Marcelo Rebelo de Sousa não fuja nem diminua os debates que tem de fazer com André Ventura nas próximas eleições presidenciais.

Na certeza absoluta de que fazendo-os, e tem de os fazer se for homenzinho, será copiosamente cilindrado por André Ventura.

Rodrigo Alves Taxa
Assessor jurídico do Gabinete Parlamentar do Partido CHEGA