A esquerda nacional e a educação

O aspecto mais lamentável do modelo social que a esquerda portuguesa que impor à força ao nosso país é o da educação. Dura há décadas e já conseguiu levar muitos jovens ao desinteresse total pela cultura e à apatia cívica.

A pretexto de vanguardismo educativo a esquerda ressuscita três erros imbecis. O primeiro é que as crianças vivem num mundo próprio idílico e inacessível aos adultos sendo missão destes facilitar-lhes o acesso a tal maravilha onde se bastam a eles próprios eliminando qualquer noção de obrigação e de disciplina na aprendizagem. Nada de forçar o cérebro das criancinhas ao estudo. Entregues a si próprias as crianças chegarão aos conhecimentos de que carecem para serem bons cidadãos. Nada de autoridade dos adultos, nada de esforço. Tudo isto remonta ao célebre livro «Emílio ou da Educação» de Rousseau em que se faz a apologia de um jovem limitado a conhecimentos apenas naturais sem qualquer noção da história ou da metafísica nem das dificuldades das relações morais entre os homens. Em suma, um bom selvagem sadio e feliz mas completamente infantilizado e quase inimputável. Eis o modelo de educação que a esquerda nacional apoia. Não admira, portanto, que os pobres dos pais se aflijam ao verem os seus filhos quase analfabetos incapazes aos quinze anos de lerem um texto em voz alta, muito menos de o interpretarem, de fazerem uma redacção, muito menos de escreverem uma carta ou de resolverem um problema de física.

Mas há mais; o segundo erro é que a comunicação deve obedecer aos parâmetros infantis ou seja, a linguagem para comunicar com as crianças deve ser apenas a utilizada pela

própria criança sem qualquer exemplo vindo dos adultos, a não ser eventualmente o paupérrimo léxico das telenovelas e dos intelectuais da bola. A criança aprende por si própria a falar e não através de qualquer tipo de estudo ou de leitura, muito menos imitando os adultos. E como? Pois através do computador e daquele perfeito português que consta dos sms e sem esquecer o do magnífico acordo, aliás, aborto ortográfico. É quanto basta. Consequentemente os professores devem ser apenas «pedagogos» e nunca peritos nos assuntos que ensinam, não vão as crianças ser sobrecarregadas com conhecimentos em excesso. A breve trecho os professores devem ser tão ignorantes quanto os próprios alunos.

O terceiro erro crasso é o da igualdade. A alta cultura é logo etiquetada de elitista e discriminatória. O que se pretende é uma transmissão de conhecimentos a um nível tão baixo quanto possível de modo a manter a criança num eterno infantilismo. Em vez de estimular há que nivelar por baixo. O mentecapto do ministro a pretexto de não deixar ninguém para trás evita que os melhores andem para a frente.

De maneira que estamos de parabéns. Telejovens mais ou menos analfabetos todos formatados pelo mesmo modelo, amanhã videoadultos, todos iguais uns aos outros, todos infantilizados e indefesos perante as vulgatas socialistas com que os bombardeiam quotidianamente.

Não passa pela cabeça a estes iluminados esquerdistas que a educação dita tradicional que aposta na autoridade dos mestres, no trabalho individual esforçado e no prémio é a melhor maneira de formar adultos capazes de pensar pela sua própria cabeça e, portanto, de exercer a crítica, coisas que a esquerda teme acima de tudo. A educação deve ser conservadora, com todos os atributos e características que a minha geração conheceu, precisamente para fomentar a liberdade individual que nunca

existirá sem a capacidade de pensar pela nossa própria cabeça e de criticar. O que a educação tradicional pretendia era formar adultos e não condenar as crianças à permanente infantilidade. Se os da minha geração se bem lembrarem, todos fomos rebeldes e críticos na altura devida e alguns, como eu, ainda hoje o são.

É verdadeiramente a democracia, que todos queremos de qualidade, que está em perigo. O que a esquerda está a fazer é monstruoso. E paga o país.

Luiz Cabral de Moncada