A união dos cagados

Desculpar-me-ão todos quantos possam considerar o título deste meu artigo uma qualquer expressão intelectualmente menos polida e politicamente pouco ortodoxa. Mas de facto há circunstâncias e momentos na vida em que o que melhor define determinados cenários é o português curto e grosso.

O tema que hoje me leva a escrever não é temporalmente novo, sobretudo porque com a chegada de André Ventura ao parlamento e por este ser o único deputado nacional com o dom natural da palavra e do desassombro político, os restantes partidos vinham já cozinhando formas para o calar tal é o medo que sentem.

Tanto que Rui Rio, que não passa de um fraco que em vez de catapultar o seu partido para a disputa do poder, se agacha a si e ao PSD, todos os dias mais, aos socialistas, já no início da legislatura tinha vindo com a conversa de alterar o funcionamento das sessões parlamentares.

Pois vá-se lá saber porquê, na mesma semana em que Rio volta à carga com este tema, de onde se destaca a eliminação dos debates quinzenais com o primeiro-ministro, começam a surgir nos meios de comunicação social nacionais notas de que o PS não se opõe às alterações propostas.

Ora, muito obrigado. Era só o que faltava que se opusesse. E o PSD que continua a ser o idiota útil das esquerdas lá vai continuando a arrastar-se sem se aperceber que o Rei vai nu.

É deplorável. É completamente inacreditável ao que se está a assistir nos meandros da política portuguesa. Pese embora quando fale em PSD devo, em nome da verdade, dizer que por lá há alguns que não concordam com esta palhaçada. Nos dias que correm deve ser enfadonho ser deste PSD.

Os que concordam com isto, os mais ingénuos, concordarão por acharem que estão a dignificar as sessões parlamentares (seja lá isso o que for), e os menos ingénuos, a maior parte nesta facção, aceitam-na porque já perceberam que cada vez que abrem a boca, sobretudo com o Chega e André Ventura em S. Bento, entra mosca ou sai asneira.

Desculpar-me-ão o meu tom mais enfadado, mas é verdadeiramente obtuso este posicionamento.

Que ninguém tenha dúvidas!!

Estamos a assistir a uma estratégia concertada pelos dois maiores partidos com assento parlamentar para calar o Chega ou pelo menos diminuir-lhe o poder de acção. Como quiseram fazer com os tempos de intervenção, com os atrasos na aprovação do novo regimento da assembleia, como no célebre episódio protagonizado por Ferro Rodrigues, como nas circunstâncias dos votos terem de agora passar primeiro pelas comissões para aprovação e não subirem directos a plenário.

É uma vergonha!!

A política faz-se a debater, cara-a-cara, olhos nos olhos. Encarando o adversário de frente.

Afinal, vejam quão democratas são aqueles que acusam todos os outros de serem extremistas, quando eles próprios chegam ao extremo de tudo fazerem para calar as demais forças políticas. Os mesmos que aqui se articulam em golpes palacianos, não se aliam a aprovar medidas, muitas delas apresentadas pelo Chega, que poderiam melhorar de imediato a vida dos cidadãos.

Redução de impostos, redução do preço da electricidade ou dos combustíveis, verdadeiros apoios à economia e aos empresários, a todos os profissionais da frente de batalha ao Covid, para todos esses, nada. Nunca estão de acordo nem se alinham para que a vida das pessoas melhore. Mas para calar quem lhes aperta os calos já são capazes.

Portugal é neste momento uma República, mas já longe vai o tempo em que ainda que fraca, foi uma democracia.

Que este momento fique para sempre lembrado como a união dos cagados.

É aquilo que são.

Rodrigo Alves Taxa