ACABAR com as lentes ideológicas que minam o combate à violência contra a Mulher

Hoje, dia 25 de Novembro, assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. De facto, desde a primeira hora, que esta temática constitui uma prioridade e preocupação para o CHEGA, abominando e denunciando qualquer tipo de violência contra as mulheres, seja a nível laboral ou doméstico, quer a nível físico ou psicológico. 

Não podemos ignorar as 30 mulheres assassinadas este ano, 16 delas em contexto de relações de intimidade. Não podemos desconsiderar que, em período de confinamento, registou-se um aumento exponencial do número de denúncias e casos de violência doméstica. 
Em Portugal, desde 2014, é assassinada, em média, uma mulher por mês. Os números são de facto alarmantes. 
Queremos estar na linha da frente na procura de soluções concretas e na erradicação deste problema, contudo, isto só é possível se “colocarmos o dedo na ferida” e falarmos dos problemas na sua origem. 

A violência é transversal a toda a pessoa, não constituindo por isso um problema de “género”. Assim, a dialética de oposição de sexos desconsidera o problema na sua origem – a pessoa violenta. 
Observámos, nos últimos anos, a politização do flagelo da violência contra a mulher. Isto, deixou as vítimas de agressão, acima de tudo, vítimas do sistema, reduzidas a instrumentos falíveis e números impessoais. 

Num contexto em que se multiplicam os observatórios para esta temática, o financiamento de projectos, as ações de sensibilização e prevenção, como se explica o crescimento constante de violência perpetrada contra mulheres?
Talvez porque a solução não passa apenas por legislar e financiar. O problema é estrutural e mais complexo. A verdadeira “arma de combate” à violência é a educação. Uma educação norteada por valores de respeito e consideração pelo bem supremo da vida e da dignidade e valor intrínseco inerente a toda a pessoa humana. 
Há um longo caminho a fazer na área da proteção da mulher no domínio da violência nas relações de intimidade, procurando respostas mais eficazes e centradas no bem-estar da vítima, lutando pela aplicação das leis e pelo agravamento de molduras penais e acima de tudo, combatendo a morosidade dos processos. 

Os feeds das nossas redes sociais enchem-se de mensagens justas de repúdio e condenação a diversos tipos de violência contra a mulher. Contudo, nenhuma associação ou movimento de defesa dos direitos das mulheres denuncia a violência dissimulada que ataca a maioria das mulheres em Portugal. A violência ideológica. A mulher precisa de se libertar da redução ideológica e das lentes do igualitarismo utilitarista que procura deixá-la cativa. 

Quem mandatou estes movimentos que dizem representar-nos a todas? A radicalização que considera que o que me oprime são os valores, a família ou o casamento não representa uma maioria de mulheres silenciadas. 
O que oprime a mulher é a ausência de uma lei laboral justa e determinada que compreenda os desafios da maternidade e que proteja as Mulheres, que jamais poderão ficar prejudicadas no reconhecimento do seu vencimento pela sua natureza e pelo seu papel.
O que é de extrema violência para uma mulher é uma sociedade que olha a maternidade como uma forma de escravidão. É completamente esquizofrénico atentar contra a natureza da mulher, que não se esgota nesse dom que é o ser mãe, mas que também pode passar por isso. 
O que é verdadeiramente opressor é a luta desenfreada entre sexos, que nos coloca em competição e pressão constante, sob a falsa narrativa da necessidade de libertação da “opressão masculina”, procurando tornar a mulher em tudo igual ao homem. Dizer que a mulher é igual ao homem é negar a sua natureza e é a maior violência que se pode fazer a uma mulher. Igualar o papel da mulher com o do homem é fazer dela uma fotocópia e dar ao homem o lugar de documento original.
A verdadeira libertação que uma mulher necessita é da visão complexada de nós próprias, tão incentivada pelos discursos radicais. O verdadeiro “empoderamento” necessário é o reconhecimento do valor da mulher em todas as suas dimensões.

Não tapemos o sol com a peneira. Estas técnicas marxistas de divisão da sociedade quer entre classes, raças (e neste caso), entre sexos, são um motor de violência capaz de gerar apenas mais violência. 
A única emancipação alcançada por estes movimentos nos últimos anos foi o esvaziamento da mulher na sua condição de mulher e o relacionamento com o próprio Estado. O Deus da mulher é o Estado, a família da mulher é o Estado, a pátria da mulher é o Estado. Haverá algo mais totalitário do que isto?
Parafraseando Chesterton, podem libertar-nos de leis alheias ou acidentais, mas não de leis naturais; é demagogia condenar o triângulo ao seu fim, por procurar libertá-lo da “prisão” dos seus três lados.  

A violência ideológica manifestou-se também ontem, na Assembleia da República, quando os partidos que hoje lamentam o número de mulheres assassinadas, violentadas ou desrespeitadas, chumbaram propostas de combate à mutilação genital feminina e aos casamentos infantis, de criação de apoios à Natalidade, ou de apoios a mães que, por dificuldades económicas, consideram a morte dos seus filhos no ventre, como única solução viável. Hipócritas é o que são, que sob a ótica de um “cordão higiénico”, continuam a deixar as mulheres desprotegidas. 
 
Contudo, o CHEGA continuará a lutar por uma sociedade mais justa, sem lugar à violência. Continuaremos a combater a impunidade e a apresentar propostas e medidas concretas, denunciando qualquer forma de abuso e violência, seja isso mais ou menos politicamente incómodo.

Rita Matias
Direcção Nacional