É o novo inquilino do Parlamento e o mais polémico. Acusado de racista, André Ventura defende-se e diz que com ele a democracia não fica em causa.  

A entrevista estava marcada para as instalações da Universidade Autónoma e combinámos encontrarmo-nos à entrada do edifício onde tem o seu gabinete. À chegada, são muitos os que o cumprimentam e Ventura irradia alegria depois de, na noite anterior, ter passado um mau bocado quando pensou que não seria eleito. Foi por 1820 votos que conseguiu um lugar no Parlamento português. O último deputado eleito pelo PS, segundo o método de Hondt, conseguiu 20 234 votos e Ventura alcançou os 22 053. Aqui fica a primeira entrevista depois de ser eleito, numa noite em que tocou várias vezes no terço que tinha no bolso. Como sempre, polémico mas, desta vez, mais à defesa no que diz respeito ao seu futuro enquanto comentador desportivo e professor universitário.

O Livre já disse que não há lugar para a extrema-direita na AR. Como comenta esta afirmação?

Acho que claramente era dirigida a nós, mas felizmente não é o Livre que decide quem vai para o Parlamento ou não, é o povo português. O povo português entendeu que devia dar-nos essa confiança e esse mandato e nós vamos cumpri-lo. Os rótulos, a nós, preocupam-nos muito pouco. Nós consideramo-nos essencialmente um partido antissistema e o que o Livre deveria pensar,  e deveria ponderar, é porque é que o Chega teve mais votos que o Livre, quando o Livre tem seis ou sete anos e o Chega tem quatro meses. O Livre deveria ponderar um bocadinho porque é que isso aconteceu. Aliás, acho que todos os partidos deveriam perguntar-se como é que um partido com quatro meses elege para a AR um deputado. Acho que isso é um sinal de que, de facto, as coisas não estão bem na nossa democracia.

Também já circula um abaixo assinado a pedir a inconstitucionalidade do Chega. 

Tenho a mesma tranquilidade que tive quando entreguei as coisas no Tribunal Constitucional, a força das minhas convicções. Já estou a par desses movimentos, amanhã lá vamos ser recebidos pelo Presidente da República. Vou dar-lhe conta desta situação e destas petições que estão a circular. Parece-me muito curioso que, numa democracia que acaba de eleger um partido, com votos legítimos das pessoas, contados em urna, haja movimentos a pedir a sua inconstitucionalidade. É o mesmo que dizer que quase 70 mil portugueses são tontos ou estão de costas voltadas para a Constituição. 

Estas questões já são um bocadinho batidas mas vamos falar sobre elas. Prisão perpétua, castração de pedófilos e a célebre história do racismo com os ciganos. O que vai dizer na AR sobre estes temas?

Quanto ao primeiro, o Chega vai mesmo propor a restauração da prisão perpétua em Portugal. Não sabemos se vai ser aprovado ou não, estou curioso para ver o que o PSD e o CDS vão definir no voto sobre isso, porque hoje temos em Portugal uma situação em que os criminosos mais hediondos ao fim de sete, oito, nove, 10, 11 anos, são libertados. E nós olhamos para toda a Europa e isso não acontece. Ainda agora em Espanha tivemos mais uma condenação a prisão perpétua de uma mãe que matou o filho. Em Inglaterra temos várias. Aparentemente os países mais democráticos têm prisão perpétua. E nós queremos fazer o mesmo em Portugal. Não compreendo, nem nunca vou compreender, que a mãe da Joana, que matou a filha e a deu aos porcos para ser comida, tenha cumprido oito anos ou sete de prisão. Acho que os europeus olham para o nosso sistema penal e riem-se. É uma impunidade absoluta. Os portugueses quando votaram em mim não podiam dizer que não sabiam em quem é que estavam a votar e os portugueses merecem que honremos essa palavra. 

E em relação à castração?

Quanto à castração química dos pedófilos, vamos também propô-la durante esta legislatura. E vai ser curioso mais uma vez ver a opção que os partidos de direita vão tomar sobre esta matéria porque há várias vozes no PSD que já admitiram que a castração química pudesse ser uma solução. Tivemos agora recentemente o bispo do Porto a dizer que a castração química é uma solução para os casos de abusadores sexuais e violadores em série. Nós vamos propô-lo. Sei que a castração química não resolve os problemas dos violadores e dos pedófilos, mas é o único método que conhecemos até hoje que diminui a taxa de reincidência. E se eu sentir que salvei uma criança ou uma mulher de ser violada, para mim já é uma grande vitória.

E a história da redução para 100 deputados, que é considerada inconstitucional.  Não é uma medida puramente demagógica? 

Os 100 é um número simbólico, é um número que para nós é importante para marcar a ideia de que o Parlamento pode ser muito mais pequeno. Essencialmente a nossa mensagem é esta: temos de reduzir o número de deputados. Obviamente que para reduzir para 100 temos de fazer uma revisão Constitucional e não está nas nossas mãos, precisamos do apoio da assembleia e ontem o primeiro-ministro já disse que o Chega não vai contar para nada. O que é então possível fazer? É propor a descida para o mínimo legal, que são 180. E é isso que vamos fazer. Aliás, prometi aos meus eleitores que a nossa primeira proposta no Parlamento será reduzir o número de deputados e vamos apresentá-la já na primeira oportunidade, mal comece a legislatura. Mesmo que isso prejudique o Chega. Porque o Chega com menos deputados vai ser prejudicado, aliás como os pequenos partidos. Qual é a diferença? É que nós não estamos a pensar em nós, estamos a pensar no dinheiro que se gasta com o Parlamento desnecessariamente. Já sei que depois vão dizer que isto é populismo, mas de facto se há três meses ligássemos o canal parlamentar a esta hora, víamos quantas pessoas? 15? 20? 30? Para que é que precisamos de 230 deputados? Não faz sentido. Vamos propor a redução para os 180 como uma forma de dizer aos portugueses que a forma como gastamos o dinheiro dos seus impostos vai começar a ser controlada e que acabou esta bandalheira na AR – deputados que não vão e assinam por outros, deputados que em quatro anos não fizeram uma intervenção. Um deputado que está lá quatro anos para não dizer nada, mais vale não estar.

Agora os ciganos: o que vai propor na AR?

Acho que há um problema de ‘subsidiodependência’, há um problema de não integração no Estado de direito, de algum desrespeito ao Estado de direito e o que nós vamos propor são duas coisas: 1. Que haja um censo nacional para sabermos onde, quem são e quantos ciganos temos em Portugal, porque neste momento ninguém sabe –  sem qualquer problema de questões étnicas ou raciais. Se há um problema com a comunidade, temos de saber onde estão, quem são, que problemas têm. E em Portugal nem sequer se pode falar nisto. ‘Eles querem é saber para os tratar mal’. Nós não queremos tratá-los mal. Nós queremos é saber quem eles são, onde estão, como vivem, para podermos tratar do problema. O segundo aspeto é o controlo efetivo – não temos ainda definido como esse plano se vai chamar – sobre as regras do Estado de direito em matéria da comunidade cigana. Por exemplo, continuam a existir casamentos com raparigas de 12 e 13 anos? As mulheres continuam a não ir à escola? Para fazer isto é preciso atuar e não olhar para o lado. Mas atenção, nós vamos fazer isso em relação à comunidade cigana, como vamos fazer o mesmo sobre a mutilação genital feminina em relação a comunidades africanas que existam em Portugal, como vamos fazer a uma série de outras.

Teve algum problema com a comunidade cigana nos últimos tempos? 

Tive várias vezes durante a campanha, sim. O nosso antepenúltimo dia de campanha foi em Loures. Quando chegámos, estava uma senhora sentada na paragem de autocarro, nós estávamos em caravana, tinha estado connosco a RTP, e começou a chamar-nos racistas. Gerou-se um grande alarme, toda a gente se levantou, e a senhora ao telefone deve ter chamado outros elementos da comunidade cigana e vieram pelo menos dois carros com indivíduos que aparentavam ser de etnia cigana e nós tivemos que nos refugiar na esquadra de Loures. Os polícias estavam lá, poderão confirmar a veracidade desta história. O que é triste nisto é que é recorrente. Não me vou fazer de vítima, sei que quando digo certas coisas, estas têm consequências. Mas na verdade sou ameaçado por membros da etnia cigana frequentemente e sempre que estou na rua e passamos por eles em campanha somos ameaçados, vilipendiados ou até agredidos, etc. Mas não vamos deixar de o dizer só por causa disso. 

Mudando de assunto, o Chega também é acusado de ter financiamento da extrema-direita estrangeira. Quanto é que o Chega gastou na campanha?

Não sei ainda quanto é que gastámos. Diria, em números provisórios, que os gastos andaram à volta de 20/30 mil euros. Ainda não fizemos a contabilidade. A nossa estimativa era de 150 mil, penso que gastámos 20/30 mil. Contando com eventos, outdoors, todo o tipo de campanha. O que significa que, para o Estado, a comparar com os outros partidos, tivemos uma campanha muito barata e que a subvenção a nós vai ter menos custos porque gastámos também menos dinheiro. 

E não tiveram ajudas externas?

Nada. Nunca. As ajudas externas são proibidas em Portugal. Eu sei que… por exemplo, nós estivemos com o Vox, em Espanha. Tudo o que temos feito a nível europeu e internacional é criar pontos com forças sobretudo europeias que possam ajudar-nos a criar uma estratégia europeia para moldar a Europa tal como nós a queremos. Nunca pedimos um cêntimo a uma força estrangeira e eu nunca aceitaria receber, nem pessoalmente nem para o partido, nenhuma ajuda estrangeira. Primeiro porque é ilegal e segundo porque eu acho que é imoral.

Quanto à imoralidade, foram acusados de apresentarem assinaturas falsificadas. 

Nós recolhemos assinaturas do país inteiro, houve várias pessoas a recolhê-las. Eu próprio não sei o que se passou, foram várias assinatura invalidadas, umas porque eram de menores, outras porque eram de polícias, outras porque alegadamente foram falsificadas. Entregámos tudo ao tribunal e ao Ministério Público – sinto que nesse processo o partido foi o mais prejudicado. Sei que fomos prejudicados por isso e nós não vamos desistir até que este processo esteja terminado, para que eu possa saber exatamente quem as falsificou e para também agirmos civilmente contra essa pessoa. Se calhar nas legislativas não se colocou tanto, mas esse tema prejudicou-nos nas eleições europeias. E não vou esquecer isso.

Disse ainda ontem que vai lutar “contra estes políticos que nos roubam há 40 anos”. Os políticos estão todos dentro do mesmo tacho?

É uma certa generalização. O que queria dizer ali, em frente à AR, com um certo entusiasmo pós eleição, era que estarmos ali era para dizer que aquela casa, a partir de agora, nunca mais vai ser igual. Os políticos não são todos iguais, há políticos que têm honrado a camisola, mas hoje olhamos para a quantidade de teias no Parlamento e no Governo  – o Governo parece uma família, no Parlamento uns nunca estão, outros estão e assinam por outros e acham que é absolutamente normal, outros têm negociatas com o Estado. Denunciei esta semana que o atual presidente da Lusoponte foi o mesmo ministro que negociou a concessão da ponte Vasco da Gama. As pessoas olham para isto e pensam como é que é possível. O próprio homem que está ao lado do Governo na negociata vai depois trabalhar para aquela empresa. É isto que eu quero dizer com “estes políticos que nos roubam há 40 anos”. Alguns dir-me-ão assim: “mas ele não pode ter mérito para trabalhar na mesma empresa com que negociou?”. Poder, pode, mas é ético que alguém negoceie em nome do Governo com uma empresa e depois vá trabalhar para lá?

Estamos a falar do Ferreira do Amaral.

Sim. O que eu queria dizer ali era que nós vamos dar um abanão neste regime em matéria de corrupção e vamos propor que haja um regime de incompatibilidade vitalícia entre qualquer dirigente político que negoceia em nome do Estado e as empresas com que negoceia. É o mais justo e é o mais legítimo. 

Em relação à noite de domingo, em Lisboa, o Chega foi o terceiro partido dos pequenos. Como é que comenta essa derrota em Lisboa, onde acabou por ser eleito?

Nós, em Lisboa, queríamos ter mais, foi nos subúrbios que fomos mais fortes e não na cidade de Lisboa. Já o esperava sinceramente. Aliás, houve um momento da noite quando me disseram que as freguesias que faltava apurar eram Alfragide, Marvila e Algueirão-Mem Martins, eu disse ‘estamos eleitos’. Porque são freguesias onde as pessoas sentem estes problemas de que eu tenho falado. Nas freguesias em Lisboa, muitas delas, como o Parque das Nações e outras, não se sente tanto os problemas que eu tenho abordado. Em Sintra ficámos com um resultado fortíssimo, na Amadora a mesma coisa. Nestes sítios, onde as pessoas percebem os problemas de que nós falamos, isso acontece. Já para não falar de que a nível nacional fomos o partido mais votado dos pequenos.

Em Beja, Évora e Portalegre.

Exato, temos implantação nacional.

Mas isto quererá dizer que quem votou também é racista, como o acusam?

Não há como fugir. Sou muito frontal nestas coisas. Acho que não tem a ver com racismo. Tem a ver com as pessoas perceberem que aquilo que eu digo da comunidade cigana eles vivem na pele, enquanto há uma parte do país que não vive isso. Por outro lado, há um fenómeno que eu não quero esconder e que me parece evidente: há de facto algum eleitorado provavelmente do partido comunista desamparado, descontente e que entende que o Chega pode ser uma solução alternativa. Pode parecer estranho às pessoas, estamos a falar de dois polos diferentes do espetro político, mas eu estou convencido que, em algumas zonas do Alentejo, a votação que nós tivemos só pode advir de eleitorado do partido comunista. São locais onde o PCP tinha 50 ou 60% dos votos. E isto deixa-me muito feliz, significa que estamos a conseguir chegar a todo o tipo de eleitorado.

Há uma análise do portal eyedata divulgada hoje que diz que o Chega obteve melhores resultados em zonas onde há menos poder de compra, serviços de saúde e onde a criminalidade é mais baixa.

Da criminalidade acho estranho, porque de facto um dos temas que nós temos mais tocado é a criminalidade. O poder de compra percebo: um dos pontos que mais denunciei durante a campanha é haver indivíduos que estão a ganhar 13 mil euros de subvenções vitalícias por mês e os hospitais estarem cheios de pessoas nos corredores sem conseguirem ter acesso a tratamentos. Dei este exemplo na televisão, o valor pago pelas subvenções vitalícias desde 1985 dava para pagar o tratamento da SIDA durante um ano. As pessoas percebem isso. Isto não é populismo, façam as contas. Temos subvenções desde 1985, uma média de sete milhões por ano, vejam quanto é que gastámos. Dava provavelmente para um ano ou dois para o tratamento da sida. Quando nós tocamos nisso, não me surpreende que seja nos sítios onde há menos saúde e menos serviços do Estado que as pessoas ficam mais revoltadas. E isso é a razão da nossa força.

Escolher Hugo Ernano [militar da GNR condenado pela morte acidental de um menor de 13 anos de etnia cigana] para encabeçar a lista pelo Porto, é polémico. Porquê esta escolha?

Acho que o Hugo Ernano foi vítima de uma grande injustiça em Portugal. Acho que a maior parte da população portuguesa assim o entende. Numa primeira condenação teve uma absurda pena de nove anos, uma coisa absurda. Ia perdendo tudo, a carreira, a vida, a liberdade, e mesmo assim teve força para se reerguer e lutar um bocadinho contra o sistema com as armas que ele tinha. Identifiquei-me com a luta dele e, noutra dimensão, porque ele não é um político, achei que era um candidato que podia dar às pessoas aquele sentido de autenticidade. O Hugo Ernano é muito autêntico, travou uma grande batalha, é preciso não esquecer que até pelas minhas ligações ao futebol o Porto é um local muito difícil para nós do ponto de vista da implantação e o Hugo travou esta batalha heroica. Estou-lhe muito agradecido por isso.

No Porto só teve 5700 votos. Acha que algum dia poderá ser um político com dimensão nacional? Como é que vê a sua faceta de comentador, em que o fanatismo toca ali à porta em alguns casos, e como é que diz que dentro de oito anos será o maior partido de Portugal?

Vamos dividir em duas questões. Reconheço que o Porto é muito difícil porque desde logo temos uma questão que eu noto na rua, ligada ao futebol: acho que os portugueses são muito maduros na hora de decidir e sabem distinguir perfeitamente as duas coisas mas a verdade é que, em Portugal, o futebol tem uma importância e uma dimensão que não tem em outros países e isso sente-se na rua. Ando na rua a fazer campanha e, sem querer exagerar, diria que 80% das pessoas fala mais do Benfica do que de política. É o país que temos, temos que lidar com isso. Estou convencido de que agora, com a nossa implantação mediática e parlamentar, as pessoas terão acesso à nossa mensagem de outra forma mais direta, sem os filtros habituais, sem os estereótipos habituais e isso vai permitir que nos implantemos no Porto, que até é um terreno mais conservador do que Lisboa. Porquê o maior partido do país? Acho que isto nunca aconteceu, em quatro meses eleger um deputado para a Assembleia da República. No momento em que o CDS desce, o PSD desce, a Aliança desaparece completamente do mapa – eu compreendo porque desaparece, é o efeito do PSD a subir. Curiosamente, o eleitorado do Chega mantém-se e vai aumentando até à última sondagem antes do dia das eleições. Que sinal é que isto nos dá? Que o eleitorado do Chega não é o eleitorado tradicional do PSD, estamos a tocar na abstenção e a tirar algum eleitorado ao CDS. Estou convencido de que, até ao final desta legislatura, vamos passar o CDS em número de deputados, nas próximas eleições. E nas outras, vamos atrás do PSD. Nesse ciclo eleitoral estou convencido que o PSD já será o maior partido. Agora daqui a quatro anos vamos ter mais deputados do que o CDS.

Vai deixar o comentário desportivo?

Vou avaliar. Não queria deixar de ser comentador, vou avaliar com a CMTV a situação. Gostava de me manter na televisão, no comentário, mas vou avaliar. Tenho de falar com eles sobre isso e perceber qual é a intenção. Eu gostava de me manter. Honestamente, acho que não é incompatível.

E não teme que essa representação do Benfica prejudique?

Temo e vou avaliar. Não há decisão tomada, também ainda não falei com a CMTV sobre isto, foi tudo muito recente. Vou avaliar e ver o que é melhor para os dois, porque acho que os compromissos também se honram assim. Sobre a presença televisiva, não só desportiva, gostava de me manter na televisão por duas razões. Percebo que vá sempre haver pessoas que dizem que é concorrência desleal porque tem um palco que outros não têm, mas a verdade é que eu já era comentador antes de ser político. É isto que eu faço e é isto que gosto de fazer. Obviamente que, se colidir com as minhas funções parlamentares, terei de dar preferência às funções parlamentares.

Não vai faltar a uma sessão parlamentar importante como faltou a um debate porque causa de um programa desportivo?

Não, não vou faltar a nenhuma questão parlamentar por questões televisivas mas acho que a televisão – como os jornais – é um meio importante para nos darmos a conhecer. 

Disse na altura que vivia desse dinheiro, embora também viva de outras atividades. É professor. A questão do dinheiro não se colocará?

Nessa altura terei também outras fontes de rendimento. Não sou rico e por isso só vivo do meu trabalho. Quando é assim acho que os portugueses percebem. Se fosse rico, deixava tudo e dedicava-me a escrever livros e a refletir sobre o país. Mas não posso, tenho de ganhar dinheiro porque tenho contas para pagar. Vou avaliar, provavelmente deixarei todas as minhas outras atividades para me dedicar em exclusivo ao Parlamento.

Deixa de ser professor?

Provavelmente, vou também avaliar com a universidade. Mas a televisão gostava de manter porque não é uma profissão mas é algo que é importante para nos darmos a conhecer ao público. 

in Jornal i