O líder do partido Chega sabia que a escolha do cabeça de lista do Porto – anunciado na primeira convenção do partido este fim de semana – ia ser controversa, mas não quis ceder “ao politicamente correto”. André Ventura diz ao Expresso que é muito provável que mais polícias integrem as listas

André Ventura, líder do Chega e cabeça de lista por Lisboa às eleições legislativas, considera que Hugo Ernano, o militar da GNR condenado por matar um adolescente durante uma perseguição policial em 2008 e escolhido para número um pelo Porto, uma aposta para melhorar o resultado no norte. O nome apontado para o segundo maior círculo eleitoral do país foi anunciado este fim de semana durante a primeira convenção do Chega, que se realizou em Lisboa.

“Se extrapolarmos os resultados das europeias, elegeríamos por Lisboa. Queremos eleger também no Porto e consideramos que o Hugo Ernano é a pessoa certa para isso. É nos distritos mais populosos que há maior expetativa e por isso esta aposta. Queremos candidatos para os quais as pessoas olhem e digam que está aqui alguém que vai dar tudo pelo país”, diz ao Expresso André Ventura.

O também comentador desportivo da CMTV, onde representa o Benfica, admite que a escolha é “controversa”, mas afirma não ter cedido ao “politicamente correto”. Em 2008, durante uma perseguição a um carro em fuga, após um assalto, Hugo Ernano matou um rapaz de 13 anos. O militar da GNR foi condenado a nove anos de prisão por homicídio, mas os recursos intrepostos no Supremo Tribunal de Justiça levaram a uma suspensão e redução da pena para quatro anos.

André Ventura destaca as diferentes decisões judiciais para defender que a condenação se tratou de um erro, de uma má análise judicial. “A aplicação da lei tem condicionado a atuação policial”, frisa.

O líder do Chega espera por uma decisão do Tribunal Constitucional sobre a presença de polícias em listas eleitorais, mas está confiante de que serão aceites, à semelhança do que se passou nas eleições europeias. “Há 80 a 90% de probabilidades de termos mais polícias nas nossas listas”, diz.

in Expresso