“Igreja cedeu à pressão do politicamente correto”

Ao Expresso, o cabeça de lista do Basta mostrou-se satisfeito pela publicação nas redes sociais do Patriarcado em que o seu partido é associado ao movimento de “defesa pela vida”

André Ventura não toma o caso como “um apoio expresso” da Igreja ao Basta. No entanto, o cabeça de lista do partido às europeias diz sentir “felicidade pessoal por tudo isto ter acontecido”. E o “tudo isto” de que Ventura fala é um post partilhado pelo Patriarcado, em que o Basta, o Nós Cidadãos e o CDS são associados ao movimento “defesa pela vida” que, entretanto, foi removido.

“Acho que a Igreja cedeu à pressão do politicamente correto”, considera André Ventura, que assegura que a candidatura foi questionada pela Federação Portuguesa pela Vida, autora da publicação, sobre as várias matérias em causa. “É uma informação objetiva, que deve ser sempre vinculada, mas compreendo que num momento sensível como este, a poucos dias de uma eleição, a Igreja se queira manter mais resguardada.”

Para o cabeça de lista “misturar religião e política” não é um problema, uma vez que, defende, “os católicos têm capacidade para distinguir as duas coisas”. No entanto, não nega a importância do eleitorado ter conhecimento das posições de cada partido sobre as matérias em causa: “vida por nascer”; “rejeição eutanásia”; “liberdade de educação”; “oposição à ideologia de género”; “proibição de barrigas de aluguer”; e “combate à prostituição”.

“Pessoalmente, ainda mais por ter estado no seminário, é uma indicação importante. Diria, das mais importantes”, defendeu. “Foi Deus que me pôs neste caminho [da política e das eleições], mesmo não sabendo se este foi um apoio expresso mas estou muito contente por ter o apoio de todos os cristãos.”

O Patriarcado de Lisboa partilhou na quarta-feira nas redes sociais um gráfico que associa a coligação Basta, o Nós Cidadãos e o CDS à “defesa da vida”. Em vésperas de eleições europeias, a publicação – um gráfico elaborado e publicado originalmente pela Federação Portuguesa pela Vida – aponta que estas são as únicas forças políticas que defendem “a vida”. Ou seja, tratava-se de um apelo ao voto nestes três partidos. Esta notícia foi avançada pelo “Diário de Notícias” esta quinta-feira.

Entretanto, a publicação já foi retirada das redes sociais do Patriarcado, que admitiu ter sido “uma imprudência”. Para o Patriarcado, é essencial que toda a gente tenha a possibilidade de “discernir o seu voto”, disse fonte oficial em declarações ao “DN”.

in DN