O presidente do Chega, André Ventura, lamentou hoje que o Tribunal Constitucional não tenha aceitado receber o partido em período eleitoral, e admitiu que é irónico começar a campanha num sítio multicultural como um aeroporto.

“Lamentamos muito. Não é por estarmos em campanha que deixa de fazer sentido falar sobre o tema”, disse à Lusa André Ventura sobre as subvenções vitalícias dos políticos, em reação à recusa do Tribunal Constitucional em se reunir com o Chega em período eleitoral.

De acordo com um documento a que a Lusa teve acesso, o Tribunal Constitucional considerou não ser “oportuno” reunir-se com dirigentes do partido Chega, “por se tratar de matéria estranha às competências do Tribunal e por estar a decorrer o período de campanha eleitoral”.

“O Tribunal Constitucional, como órgão que toma decisões importantíssimas para os partidos e para a vida política portuguesa, devia ouvir um desses partidos sobre uma matéria que em muitas vertentes é da sua competência”, considerou o também cabeça de lista por Lisboa.

André Ventura falava no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no arranque da campanha eleitoral, onde o esperavam pouco mais de duas dezenas de apoiantes no regresso da Madeira, em cujas eleições regionais de domingo o partido obteve 0,43% dos votos, correspondentes a 619 votantes, num total de mais de 143 mil votantes.

Questionado sobre qual a razão para começar a campanha no aeroporto de Lisboa, o candidato argumentou que “é um sinal de partida e de chegada”.

“Para nós, este regresso da Madeira é uma chegada e uma partida para as próximas eleições. É o fim de um ciclo preparatório para o Chega, com duas eleições de ensaio [Europeias e Regionais], e chega o momento da partida para a prova derradeira”, as legislativas de 06 de outubro, acrescentou André Ventura.

Confrontado com o caráter multicultural de um sítio como o aeroporto, o candidato afirmou também sentir-se “muito bem”, classificando as pessoas à sua volta como tendo “etnias e raças” diferentes, e admitiu que é irónico começar a campanha num aeroporto.

“As campanhas também são feitas de coisas irónicas, sobretudo que fazem as pessoas pensar”, concluiu, esperando que o Chega possa “voar como os aviões”.

Do programa eleitoral do Chega constam medidas como a “deportação dos imigrantes ilegais para os seus países de origem” ou que “estejam legalmente em território português mas que hajam reincidido no cometimento de delitos leves ou tenha cometido algum delito grave”, bem como a impossibilidade perpétua de legalização para “qualquer imigrante que tenha entrado ilegalmente em Portugal”.