Aqui D’El Rey D. Juan Carlos…

O Rei emérito de Espanha, D. Juan Carlos de Bourbon, poderá vir a fixar residência em Portugal na sequência do seu exílio voluntário. Saúda-se o gesto meritório do Rei emérito, mais uma vez de grande patriotismo.

É preciso distinguir sempre a obra do autor. É assim em literatura, em outros domínios das artes, é assim também em política. Quantas vezes não temos autores com vidas no mínimo criticáveis (pelas suas acções pessoais, pelos seus feitios por vezes execráveis) mas fazedores de obras sublimes e marcantes para a Humanidade. E passado que seja o ruído do seu tempo e das circunstâncias das suas vidas, o que perdurará para História será, no fim, a obra legada. 

Juan Carlos de Espanha gosta, aparentemente, de aventuras feministas. E de caça grossa. E terá recebido comissões indevidas de negócios por si patrocinados. Aplique-se a Lei, a Moral e os Costumes. Mas para a História Juan Carlos ficará – e muito bem – como o Rei que permitiu a transferência pacífica da ditadura franquista para a democracia em Espanha e que – importante – garantiu a unidade de todas as Espanhas.

Muita gente crê, numa análise superficial, que a instabilidade de Espanha beneficia Portugal. É o contrário. Sempre nos demos mal com a instabilidade em Espanha, tanto mais não seja porque o país vizinho (que é a quinta maior economia europeia) é o nosso principal exportador (cerca de 30% do total).

Mas independentemente do nosso interesse economicamente egoísta (digamos assim), a bem da paz de Espanha: viva Juan Carlos!

Com efeito, seja-se republicano ou monárquico, a Monarquia espanhola, melhor ou pior, é, ainda assim, o único cimento que vai colando os diversos nacionalismos do nosso vizinho. E esse cimento, durante quase 40 anos, teve um nome: Juan Carlos.

Mesmo agora – estou convencido – o seu auto-exílio não é uma fuga mas, mais uma vez, um gesto patriótico, destinado a facilitar o reinado do seu filho, Felipe VI, na qualidade de catalisador da unidade espanhola.

Juan Carlos, como é sabido, cresceu em Cascais e foi de Portugal que partiu para encarnar o Estado espanhol. O seu eventual regresso ao seu também Portugal seria um bem e um orgulho. Aqui D’El Rey Juan Carlos!

José Augusto Dias, Vice-Presidente do Chega para a Justiça e a Segurança