AS GRANDES OPÇÕES PARA A SAÚDE OU A FALTA DELAS

A reconhecer-se credibilidade política à PPL 60/XIV, poder-se-ia julgar que o sector da saúde seria uma das principais apostas deste Governo.

A verdade, porém, é que muitos dos tópicos a que o executivo procede na iniciativa legislativa em apreço (Grande Opções 2021-2023), já foram sucessivamente mencionados num passado recente, mas infelizmente, até ao momento, ainda não honrados.

Exemplo disso é o caso da universalização do acesso ao médico de família que, em 2015, numa visita ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, António Costa prometeu médico de família para mais 500 mil pessoas, em 2016 o primeiro ministro prometeu médicos de família para todos os portugueses, “2017 é, de uma vez por todas, o ano em que todos os portugueses terão um médico de família atribuído”, disse no Parlamento. Em meados de 2019, assegurou médico de família para 98% da população, e na sua mensagem de Natal, prometeu reduzir a ″ansiedade dos que ainda não têm médico de família”. Mas a realidade é que apesar de previsto em sucessivos Orçamentos de estado, ainda não está garantido.

Hoje, em final de 2020, há ainda 1 milhão de portugueses sem médico de família, quase tantos como os que havia há 5 anos, quando o Partido Socialista tomou o governo, e este é porventura um dos mais acabados exemplos da pouca credibilidade das promessas socialistas.

Seja no programa dos sucessivos governos, seja, como neste caso, nas Grandes Opções 2021-2023, é apresentada uma carta de intenções, onde o Governo promete tudo melhorar, tudo solucionar, mas com muito pouco detalhe sobre a concretização e objetivação dos meios de financiamento e da forma de atingir os objectivos propostos.

Os profissionais de saúde garantem, nomeadamente através dos seus representantes, que o Serviço Nacional de Saúde está à beira da ruptura, apontam que os problemas já existem há vários anos, e que a causa da situação extrema que agora vivemos, é apenas um reflexo do estado do SNS e não uma causa exclusiva dos efeitos da pandemia.

Neste contexto de grave crise de saúde pública que o país vive, a política de saúde deveria orientar-se para uma maior e mais eficiente utilização dos recursos do sistema de saúde, designadamente por via de uma maior articulação entre, o Serviço Nacional de Saúde e os sectores social e privado.

Infelizmente não é isto que tem acontecido e o Partido Socialista tem preferido a via estatista, sacrificando desta forma a saúde e a vida dos portugueses, em nome de preconceitos ideológicos esquerdistas, que a história e os sucessivos governos de ideologia semelhante, noutros países, nos têm confirmado a sua ineficácia.

NUNO AFONSO, VICE-PRESIDENTE PARTIDO CHEGA