André Ventura pretende entregar uma carta aberta a Armando Vara, que cumpre uma pena de cinco anos por tráfico de influências, em que apela ao ex-ministro para renunciar voluntariamente à subvenção vitalícia que é paga enquanto antigo titular de cargo político.

O Chega vai fazer a apresentação oficial da candidatura às legislativas de 6 de outubro, e do seu líder, André Ventura, ao cargo de primeiro-ministro, junto ao Estabelecimento Prisional de Évora. O evento do partido que se apresenta pela primeira vez sozinho a eleições terá lugar nesta terça-feira, a partir das 16h00.

A insólita escolha de local para a apresentação da candidatura tem a ver com a intenção de entregar uma carta aberta ao ex-ministro socialista Armando Vara pedindo-lhe que renuncie à subvenção vitalícia que lhe continua a ser paga, na qualidade de antigo titular de cargo político, mesmo após a sua condenação a cinco anos de prisão efetiva por tráfico de influências no âmbito do processo “Face Oculta”. André Ventura espera que a comitiva do Chega venha a ser recebida pelo diretor do estabelecimento prisional, tendo apresentado um requerimento nesse sentido, ou mesmo pelo próprio Vara.

Na carta aberta dirigida ao ex-ministro, André Ventura apela ao bom senso de Armando Vara “para entender a bondade” da sugestão, “senão mesmo exigência”, que lhe faz de “pedir, voluntariamente e de imediato, não a suspensão, mas a revogação definitiva” da subvenção, que lhe rende 2014 euros mensais.

“Certo de que em nome de uma réstia do seu eventual amor pátrio, do caminho da reconstrução do seu bom nome e da sua capacidade de discernimento do que está verdadeiramente certo ou errado, irá seguir de imediato com este pedido de revogação”, o líder do partido Chega considera que só assim poderá voltar a ter consideração pelo ex-ministro, a quem aponta estar “a cumprir pena por crimes que lesaram o Estado e a Administração Pública” e o facto de o Estado lhe ter retirado “todos os títulos e condecorações anteriormente atribuídos, numa lógica de desmerecimento”.

Armando Vara é um dos 318 beneficiários de subvenções vitalícias mensais, apontadas pelo recém-criado Chega como um “ultraje”. O partido liderado por André Ventura foi pela primeira vez a votos nas europeias de 26 de maio, integrando a coligação Basta (com o PPM, o PPV-CDC e o movimento Democracia 21), que obteve 1,49%, relativos a 49.496 votos, ficando aquém do objetivo de eleger um deputado para o Parlamento Europeu.

in Jornal Económico