Depressão mental coletiva: causa de crises económicas, sociais e outras (I)

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O Meu Diário de Voto em André Ventura por Gabriel Mithá Ribeiro

Leia diariamente nesta página textos, excertos ou frases destinados a resgatar os portugueses da alienação mental imposta pelas elites jornalísticas, académicas, intelectuais, políticas ou artísticas de um regime falido. Contra ele, André Ventura e o CHEGA fazem germinar uma força moral e cívica imparável que fará nascer a IV República Portuguesa. 

Sabemos que as nossas memórias pessoais incluem momentos agradáveis e desagradáveis. Sendo impossível e indesejável limpar da memória o lado mau, o que nos deixaria desarmados face a ameaças futuras, é fundamental sabermos que, para a nossa sanidade mental, não esquecer é substantivamente distinto de nos fixarmos no lado mau do passado. A última tentação é a arte de fabricar mentes vencidas, estéreis, angustiadas, frustradas, deprimidas, incapazes de conduzirem com sucesso o seu destino.

Bastam as nossas emoções (biológicas) para os nossos sentimentos (mentais) imporem que nos esforcemos por focar a atenção no que existe de positivo nas nossas memórias, no que nos manteve a esperança no futuro mesmo nas circunstâncias mais ameaçadoras. Quase por instinto, praticamos a terapia pessoal e social do Esquece isso, Pensa positivo, A vingança não leva a lado nenhum quando conversamos connosco ou com os outros. Fazemo-lo mesmo sabendo que a má memória não desaparecerá, sobreviverá recalcada, o que não é problemático se não for reavivada. Como não existe justiça humana que apague as más memórias, por muito justa que seja a justiça, maturidade é aprendermos a suportar o nosso passado incómodo.

Não havendo descontinuidade entre indivíduo e coletivo, num dado ciclo da vida dos países quando a historiografia oficial insiste em forçar a mente coletiva a fixar-se em memórias negativas e, em sentido inverso, desvaloriza ou suprime o que foi positivo no passado histórico (nação é mesmo isto, memória e sentimentos coletivamente partilhados), serão enormes as probabilidades de gerar uma identidade coletiva deprimida, falhada, frustrada, estéril, atributos que se agravarão a cada nova geração.

Daí que das heranças mais trágicas para a sanidade mental da nossa espécie foi a legada pelo regime soviético (1917- 1991), a que a esquerda perfilhou e continua a propagar pelo mundo. Os soviéticos ensinaram a fragmentar as memórias coletivas, a história dos povos, entre opressores e oprimidos e a colocar o enfoque justamente no lado traumático do passado. Essa revolução mental da espécie subverteu o elementar instinto (biológico) e intuição (mental) humanos, como se, por norma, em determinados momentos da história dos povos nada de positivo lhes tivesse acontecido. Não há saúde mental coletiva que resista por muito tempo a uma historiografia oficial com tais características.

É hoje inegável que sociedade mentalmente equilibrada e bem-sucedida, por um lado, e historiografia de esquerda (é quase só isso que temos), por outro, são antónimos. Na matéria, a Terceira República Portuguesa não se distingue da África, da América Central e do Sul, de partes significativas do Mundo Árabe e, embora em menor dimensão, da Ásia. Trata-se de regiões do mundo nas quais os povos vivem ou foram fortemente marcados, nas gerações recentes, por experiências de memórias sociais fortemente condicionadas pela historiografia oficial de esquerda coincidente com a massificação da escolarização. A conjugação conferiu à memória oficial imposta pelo Estado um peso social praticamente hegemónico em relação às memórias tradicionais ou familiares.

No âmago do fenómeno está a antiga relação entre colonizado e colonizador. Nas sociedades ocidentais, é dela que deriva diretamente a conceção da sociedade ideal. Nesta, uma parte das sociedades, as minorias (étnicas, raciais, religiosas), tem de ser discriminada positivamente porque se exibe à saciedade o seu sofrimento no passado histórico. A outra parte das sociedades, a maioria (branca, heterossexual, de matriz judaico-cristã), deve ser moral e existencialmente diminuída porque tem de carregar uma eterna culpa, sem tempo e sem espaço, o que permite punir a criança europeia por nascer por práticas do sepultado antepassado colonizador europeu em África.

A conjugação remeteu as sociedades, no seu conjunto, para a fixação no lado depressivo das memórias históricas e, consequentemente, sociais. O que se pode esperar de mentalmente saudável e de humanamente construtivo num tempo e mundo com tais características impostas pelo pensamento de esquerda?

É inegável que o orgulho ferido do antigo colonizado e seus descendentes na terra originária, tal como nas suas diásporas (os que saíram de forma violenta, pela escravatura, ou de forma voluntária, pela emigração), tem consequências de longa duração que persistem apesar das independências e migrações ou, em rigor, por causa desses fenómenos. Essas identidades jamais conseguirão recalcar com eficácia nas suas memórias que um dia existiu um pai diferente do pai natural que é impossível fazer desaparecer da memória coletiva, uma vez que sobrarão sempre hábitos de vida, crenças, idiomas, conhecimentos, instituições, edificações, tradições, atividades económicas, maneiras de vestir ou comer, entre outras heranças legadas por esse progenitor estranho à identidade originária que a passagem dos séculos não apagará.

Quando académicos de esquerda defendem a descolonização das mentes, a limpeza totalitária das memórias da colonização europeia entre os antigos colonizados e minorias das diásporas, fornecem-nos a dimensão da sua própria loucura, razão para colocar as atuais ciências sociais em quarentena.

A questão não reside nos factos históricos. Apenas no modo patológico como a tradição marxista-leninista ensinou a interpretá-los. Sendo a dominação europeia (como qualquer outra) necessariamente um trauma narcísico que humilha o

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sujeito coletivo dominado, ainda assim essa herança pode ser transformada em fonte de dignidade e fertilidade no presente e futuro através da incidência no lado construtivo da memória colonial, o que jamais significa ignorar o lado traumático. Porém, o último é acessório e o primeiro essencial. Contra essa evidência tão elementar, há pelo menos meio século que as historiografias oficiais dos países insistem no inverso e cada vez mais, insistem na tentação psíquica de mobilizar o sentido da existência coletiva no presente do ex-colonizado e respetiva diáspora na radicalização da dor passada.

A historiografia esquerdista fez da colonização europeia a besta negra das memórias coletivas da espécie humana na qual tudo se resume à escravatura, exploração do colonizado, trabalho forçado, opressão, imperialismo, racismo, entre outras violências e males, enquanto o indissociável lado construtivo dessa mesma colonização europeia tem os seus significados apagados. Este é um caso tipo em que, em termos mentais, a meia-verdade é mais perversa do que a mentira por inteiro por ser bem mais difícil ao sujeito ultrapassar a meia-mentira.

É a fixação na dor passada que, em rigor, define o desvio funcional depressivo da memória que habitualmente designamos por vitimização, patologia mental que afeta indivíduos e coletivos.

Esse é o retrato do estado mental do mundo na transição do século XX para o século XXI. É tempo corrigirmos tão desastrada gestão da memória histórica e social, uma batalha inscrita na identidade moral, cívica e política de André Ventura e do CHEGA. O detalhe chega e sobra para reivindicar o fim da Terceira República Portuguesa.

[Continua no próximo artigo.]

Gabriel Mithá Ribeiro 
Vice-Presidente do CHEGA!