Eleições. “Só há problema com o Chega? Custa-me perceber isto”

André Ventura recusa-se a mudar o nome da coligação às europeias e contesta argumentos do Tribunal Constitucional.

André Ventura confessa que não consegue compreender a decisão do Tribunal Constitucional (TC) e rejeita alterar o nome da coligação às eleições europeias. O Constitucional chumbou a utilização do nome “Chega”, mas o ex-autarca do PSD não se conforma. “Só há problema com o Chega? Custa-me um bocadinho perceber isto. A mim e aos parceiros de coligação”, diz ao i André Ventura, estranhando esta decisão do Tribunal Constitucional em relação ao Chega quando não colocou nenhum entrave ao partido Aliança, aprovado no final de Março de 2018, ou à coligação Portugal à Frente, que concorreu às eleições em 2015. “Tivemos há quatro anos uma coligação que se chamou Portugal à Frente. Uma utilização clara do nome do país e passou. Temos um partido que se chama Aliança e todos sabemos que houve uma grande coligação que se chamou Aliança Democrática… Aí não houve problema nenhum e agora com o Chega já há um problema?”.

A intenção de André Ventura era liderar uma coligação constituída pelo movimento Chega, Partido Popular Monárquico e Partido Cidadania e Democracia Cristã. Com a decisão do TC, que notificou a coligação para corrigir o nome, a participação nas europeias fica posta em causa, mas, para já, Ventura decidiu contestar a decisão. O antigo autarca do PSD em Loures considera que não faz sentido o argumento de que “há uma utilização abusiva ou indevida do nome Chega” quando “o próprio Chega consente essa utilização”. 

Ventura garante que só avançará se a “identidade Chega” estiver na coligação. “Não faria sentido avançar de outra maneira, porque pode dar a ideia errada de que que quero ser candidato à força. O que quero é que a identidade Chega com todos os valores que as pessoas conhecem esteja na urna e no boletim de voto. Acredito nas instituições até ao fim e quero continuar a acreditar, mas acho muito honestamente que os portugueses não compreendem esta decisão”, conclui.

O Tribunal Constitucional argumenta que o facto de o movimento se chamar Chega e existir, neste momento, um partido com o mesmo nome à espera de aprovação poderia confundir os eleitores. Ventura entregou no início deste ano as 7500 assinaturas necessárias para formalizar o Chega, mas algumas delas foram invalidadas por serem de menores e de forças de segurança. O também comentador desportivo voltou a recolher 1800 assinaturas e já as entregou no Constitucional. Não há, nesta altura, uma decisão do TC.

As ideias do Chega André Ventura tornou-se conhecido nas últimas eleições autárquicas quando se candidatou à câmara de Loures pelo PSD. O candidato deu nas vistas devido às declarações que fez sobre a comunidade cigana. 

Depois das eleições envolveu-se na luta interna do PSD e criou um movimento para convocar um congresso extraordinário com o objetivo de substituir Rui Rio na liderança, mas acabou por sair do partido com a garantia de que foi “traído” e “apunhalado pelas costas”. 

Nessa altura, em outubro de 2018, renunciou ao mandato na Câmara de Loures e decidiu avançar com um novo partido. O “regresso da prisão perpétua para homicidas e violadores” e a “castração química para pedófilos” são algumas das propostas do Chega. O manifesto fundador do partido defende que a justiça “é, provavelmente, a área onde uma maior intervenção política será, neste momento, exigível”. André Ventura define como prioridade introduzir em Portugal a pena de prisão perpétua para crimes “bárbaros e horrendos” e “a redefinição das penas criminais, nomeadamente em crimes de homicídio, terrorismo, corrupção, violação e abuso sexual de menores”. O manifesto define ainda como prioridade a reforma do sistema político. André Ventura quer uma redução drástica do número de deputados dos atuais 230 para apenas 100. O que exigia uma revisão da Constituição da República.

Populismo Os partidos de direita já se distanciaram das propostas do partido de André Ventura. A presidente do CDS, Assunção Cristas, garantiu, numa entrevista à Antena 1, garantiu que representa “uma direita moderada” e rejeita “extremismos” à direita. “Esse partido não deve ter representação parlamentar e o meu trabalho é garantir que não tenha”. Santana Lopes, em entrevista ao SOL, rejeitou seguir o caminho dos populistas. “Não vou atrás das ideias que dão votos. Contra os imigrantes ou a favor da prisão perpétua e da pena de morte. Aquilo que hoje os populistas defendem pela Europa fora. Não vou por aí”, disse o líder da Aliança.

Jornal i