Esperei. Muito tempo. Mas nada.

A antiga militante do MRPP Embaixadora Ana Gomes apresentou na PGR um pedido de ilegalização do Chega. Esse pedido foi aceite. Um ataque ao Estado de Direito e o princípio de um caminho que nenhum de nós saberá onde irá desembocar,

Entendi que o mínimo que seria exigível aos dois partidos – CDS e PSD – que se dizem de Direita, umas vezes, de Centro Direita, outras, seria o de que manifestassem oficialmente o mais claro e inequívoco repúdio por esta manifesta tentativa de subversão do Estado de Direito.

Esperei. Muito tempo. Mas nada. Nada mesmo.

CDS e PSD estarão a contar que os seus militantes e eleitores que haviam debandado para o Chega irão regressar, em boa ordem, aos respectivos redis caso este partido seja ilegalizado.

Mesmo que tal regresso das ovelhas tresmalhadas tivesse alguma hipótese de vir a acontecer, o que é de todo em todo improvável, estão esses partidos a abandonar, por contas de mercearia rasteiras, a dignidade, a coragem e a prudência que lhes deveria ser pedida por todos e exigida pelos seus militantes, simpatizantes e eleitores.

A dignidade, sim, porque é indigno que partidos que se dizem de Direita virem a cara e olhem para o lado quando é bem patente um ataque traiçoeiro dos poderes instalados a um partido que com esses partidos partilha valores essenciais. Porque me recuso a acreditar que os Directórios desses partidos tomem, por boa, a campanha de desinformação que a Esquerda e a Extrema Esquerda puseram, massivamente, a rolar contra o Chega.

A coragem, evidentemente, porque é preciso ter coragem para enfrentar o desmesurado poder de que os partidos, que sustentam o actual governo, são detentores. Que o diga André Ventura afrontando, no Parlamento, o ódio das bancadas da Esquerda e a indiferença, quando não uma dissimulada hostilidade, dos partidos ditos “de Direita”. Sozinho, completamente sozinho.

A prudência, finalmente, porque só quem ignora o essencial da História da Europa do século XX e da História portuguesa da III República, fundada em 1974, poderá acreditar que a Esquerda e a Extrema Esquerda, uma vez – hipoteticamente – ilegalizado o Chega não iriam, logo de seguida, requerer a ilegalização primeiro, do CDS e, logo em seguida, do PSD. Basta ver o que aconteceu nos idos de 74 e 75. Os tempos que vivemos, embora de forma mais sofisticada, não passam de uma cansativa, mas perigosa, repetição desses tempos duros e sombrios.

A falta de dignidade e de coragem não me surpreendem por aí além. Lamento ter de dizê-lo. Surpreende-me, isso sim, a bizarra falta de prudência e de capacidade de leitura de uma realidade política que se começou a desenhar em 2016 e que, desde então, não deixa de se agravar.

Inúmeros amigos e conhecidos vêm-me, repetidamente, “alertando” para a necessidade de a Direita se unir. Sempre lhes respondi que da parte do Chega nada existe contra essa união. Muitos deles irão ler este texto. E entenderão, por ele, espero, o que há de errado na Direita portuguesa. E quem, dentro dessa Direita, quer ou não quer essa união.

Falta, ainda, referir a IL. Não se considera a si própria, e bem, um partido de Direita. Mas sendo um partido liberal e que assume uma perspectiva liberal da sociedade esperar-se-ia, por isso, que tivesse manifestado oficial e público repúdio por esta anti-democrática tentativa de instrumentalização do Judicial por parte do quase omnipotente Estado sob cuja tutela hoje vivemos.

Lembro aqui, porque é justo lembrá-lo, que uma deputada socialista de Esquerda, Isabel Moreira, quando se mostrou contrária à tentativa de ilegalização do Chega teve mais, mas muito mais dignidade e coragem, ela sozinha, do que os inúmeros homens e mulheres que governam CDS, PSD e IL todos juntos. Nisso, mostra bem ser a filha de Adriano Moreira

Quanto às pessoas dignas, corajosas e prudentes que militam e votam no PSD e no CDS, talvez agora percebam a razão pela qual esses partidos enfrentam, hoje, a maior crise das suas respectivas Histórias.

Sublinharei que nós, no Chega, não precisamos do apoio desses partidos. Chegámos até aqui apenas com a força dos nossos dirigentes, militantes, simpatizantes e eleitores. E é com o apoio destes que venceremos as batalhas a travar e os tempos a vir.

Resta-me apelar aos já referidos inúmeros amigos e conhecidos que me interpelam sobre a necessidade de união “da Direita” que tratem de interpelar não a mim, não o Chega, mas sim o CDS, o PSD e a IL.

Isto, se acharem que vale a pena.

Digo Pacheco de Amorim
Vice-Presidente do Partido CHEGA!