“Foi só uma vez”

“Foi só uma vez”. Esta foi a frase que chocou Portugal nas últimas horas, proferida por um jovem, que em direto para o Instagram, orgulhosamente confessou ter violado uma jovem mulher, deixando-a abandonada até chegar a assistência médica.
Nas horas que se seguiram a comunicação social prontificou-se para tentar perceber se seria ou não verdade. Seja uma confissão de um crime hediondo ou uma mentira fantasiosa de um jovem, numa tentativa falhada de afirmação, é chocante a leviandade com que o tema é referido. Falava-se de um dos maiores atentados à dignidade da pessoa humana – o exercício de violência sexual – como se falássemos do tempo ou, pior, como falamos de carne no talho. Aquele sorriso estampado no rosto do rapaz comprova apenas que em Portugal reina a impunidade.
Choveram reações de repúdio e indignação por parte dos vários partidos com assento parlamentar, das várias organizações de defesa da mulher e da sociedade civil.
Contudo, mais do que palavras de reprovação – que são justas e necessárias – importa agir: punir os criminosos e apoiar e amparar as vítimas.
Ouso dizer que, quando um crime destes ocorre, toda a sociedade falha e os primeiros responsáveis são os atores e decisores políticos. Enquanto uns, instrumentalizam a questão principal e que deve ser combatida – toda e qualquer forma de violência – introduzindo questões de “género” e contribuindo para a fragmentação da sociedade, numa luta que nos convoca a todos e não pode deixar ninguém indiferente; outros, assobiam para o lado, gastam recursos e tempo na organização de dias em memórias das vítimas, gabinetes de estudo ou observatórios e pouco ou nada fazem para a mudança da mentalidade. O que faz falta não é definir qual é o “género” mais propenso à prática destes crimes e fazer largas generalizações em prol de uma agenda política. O que realmente urge é promover uma educação com base em valores, nomeadamente o do respeito pela dignidade da pessoa humana. Toda a pessoa é digna e é absolutamente condenável perpetrar atentados contra a sua dignidade.
É revoltante ver os supostos grandes defensores das mulheres – aqueles que pintam os lábios de vermelho em ondas de solidariedade – fazerem “cordões sanitários” ao CHEGA e tentarem ilegalizá-lo, quando este apresenta as tão necessárias propostas de agravamento de molduras penais. Ainda na semana passada, estes que hoje levantam as suas vozes revoltadas, cognominaram o deputado André Ventura de populista e fascista, por apresentar um projeto de alteração ao código penal que coloque fim à prescrição de crimes como estes.
Assim se vê o verdadeiro populismo. São hipócritas e mostram ao que vêm: preferem os calculismos políticos e os jogos de influência, do que trabalhar na prevenção e estar verdadeiramente ao lado das vítimas de violência sexual.
O CHEGA continuará a fazer a denúncia destes jogos de bastidor que mostram como o sistema está desgastado e não deixará de lutar por uma das suas principais bandeiras: a reforma da Justiça em Portugal.
O que verdadeiramente queremos para os portugueses, é que não haja uma única vez e que, se houver, seja severamente punida!

Rita Matias