Em fevereiro deste ano, três meses antes de Alfredo Santos ser libertado e cometer nova série de crimes que culminaria na morte da freira “Tona”oi, em São João da Madeira, o tribunal tinha-lhe negado a liberdade condicional, por considerar que ele não se tinha emendado, ao fim de 15 anos de cadeia, e que iria, “com grande probabilidade”, reincidir.

Quando o tribunal foi obrigado a libertar o violador, por este ter atingido cinco sextos da pena, não avisou as antigas vítimas nem a PSP. Apesar de todas as falhas do sistema, o homicídio e violação da carismática religiosa ainda poderiam ter sido evitados, se o mandado de detenção emitido contra Alfredo cinco dias antes, por outro punhado de ilícitos, tivesse sido logo executado.

Ao fim de semanas, o Tribunal de Execução de Penas (TEP) do Porto autorizou o JN a consultar, “durante uma hora”, os quatro volumes do processo da liberdade condicional de Alfredo Santos. E o que se apreciou foi uma espécie de “crónica de uma morte anunciada”, sem indicação de quem seria a futura vítima do personagem principal, já antes condenado por crimes de violação, atentado ao pudor com violência, sequestro, rapto, ofensas corporais, dano, furto, resistência e coação sobre funcionário, falsas declarações e tentativa de homicídio.

In JN