Humilhações e agressões a polícias, professores, médicos e enfermeiros: a herança do regime

Eleições Presidenciais de 2021

O Meu Diário de Voto em André Ventura por Gabriel Mithá Ribeiro

Leia diariamente nesta página textos, excertos ou frases destinados a resgatar os portugueses da alienação mental imposta pelas elites jornalísticas, académicas, intelectuais, políticas ou artísticas de um regime falido. Contra ele, André Ventura e o CHEGA fazem germinar uma força moral e cívica imparável que fará nascer a IV República Portuguesa. 

Polícias, professores, médicos e enfermeiros destacam-se entre os servidores públicos que permitem avaliar o regime político vigente desde 1974. São profissionais estratégicos pela natureza das suas funções, mas também por um conjunto de características peculiares: são largamente dominantes na administração pública; vivem expostos à vida quotidiana habitual; são ostensivamente instrumentalizados pela classe política.

O pano de fundo é a ideia sacralizada do Estado (omnipresente, omnisciente e omnipotente) que o faz dono da Sociedade e instigador da aversão social à iniciativa privada (o pecaminoso lucro). Aliada aos sindicatos, a classe parlamentar foi reduzindo os profissionais referidos a correias de transmissão das suas ambições que, na substância, significam recorrer aos setores profissionais quem permitiam o domínio político massificado sobre a vida quotidiana de modo a garantir o retorno em votos nos ciclos eleitorais. Por via fiscal, à Sociedade sobrou o encargo do suporte financeiro.

Esse jogo comporta o detalhe de negar os princípios do contrato social, a fonte da garantia da liberdade e da democracia no sentido proposto por Rousseau e John Locke. A relação descrita não estabelece (destacam-se o ensino e a saúde) direitos e obrigações mútuas minimente objetivos entre as partes (governantes e governados) em torno da qualidade dos serviços, da sustentabilidade dos seus custos ou do direito da sua recusa pelos utentes. Mesmo quando a qualidade dos serviços públicos não é assegurada ou mesmo quando diminui, em rigor nada limita a legitimidade política para agravar os seus custos por via fiscal. A prática assenta nos mesmos fundamentos do poder político ilimitado do absolutismo monárquico, do totalitarismo ou do autoritarismo. Daí que só exista contrato social quando existem limites ao exercício do poder político e a possibilidade da sua destituição. Nada disso se verifica, em especial no ensino e na saúde.

Passando ao lado dos abusos da carga fiscal, o tempo vai deixando um lastro de outro tipo de custos tão ou mais pesados com impacto significativo na erosão da qualidade dos serviços públicos. São custos que recaem sobre polícias, professores, médicos e enfermeiros em forma de desautorização social e agressões verbais e físicas no exercício das suas funções.

Quando se ataca a dignidade humana daqueles que são os rostos quotidianos do coração do Estado Social (segurança, ensino, saúde), o modelo político de relacionamento entre o Estado e a Sociedade falhou clamorosamente. Daí serem carreiras profissionais crescentemente dominadas pela desmotivação, frustração, depressão que, por vezes, desembocam em suicídios.

Um dia perceberemos que Estado e Sociedade existem para ser autónomos entre si, isto é, a mistura entre eles, o Estado-Social, é a semente de um sem número de disfuncionalidades.

Jamais está ou estará em causa o dever de proteger e valorizar financeiramente as carreiras profissionais de polícias, professores, médicos e enfermeiros. Mas isso não é possível nem sustentável no tempo sem que antes se renove a ordem moral da sociedade e das respetivas instituições, assim como a ideia de Estado. Fazer o inverso é reconstruir a casa que desabou pelo telhado.

As forças de segurança já entenderam a importância dos pressupostos, e o mesmo vai sendo saliente entre os professores, os dois dos grupos profissionais cada vez menos capazes de atrair novos profissionais competentes, dada a acentuada degradação das suas carreiras profissionais. Será apenas uma questão de tempo até idênticos sintomas sobressaírem entre enfermeiros e médicos. É também toda uma sociedade que já sofre custos que se agravam.

É difícil fazer um retrato mais nefasto de uma sociedade destruída por responsabilidades exclusivas de uma classe política que beneficiou de vantagens (paz e dinheiro dos fundos europeus) como nenhuma outra ao longo de quase nove séculos de história de Portugal, pelo que a redução significativa do número de deputados é o mínimo que se exige. Não por acaso, não interessa à atual casta política discutir com seriedade as causas da desautorização social e as consequentes agressões verbais e físicas aos profissionais em apreço.

Com a conivência de uma comunicação social subserviente ao poder político, o assunto surge de forma pontual ou periférica nos discursos dos políticos do regime ou nas notícias, porém desaparece da agenda mediática durante as campanhas eleitorais, justamente o oposto do que deveria acontecer. Pior. Quem ousa manter o dedo na ferida acaba alvo de ataques vis e toscos (Quer acabar com o Estado Social!), como acontece com André Ventura e com o CHEGA, as primeiras e únicas vozes antissistema fortemente dissonantes desde 2019.

Porque a cegueira ideológica e política é patológica, nos ideais do regime os princípios da solidariedade e da inclusão foram grosseiramente empolados e jogados contra o primado moral da autorresponsabilidade, tudo em nome da proteção de supostas vítimas da história ou da sociedade, o ideal de vitimização. Em tal contexto, hierarquia, autoridade e ordem acabaram marginalizadas no interior das grandes instituições ou na relação que estabelecem com a vida social, ou ambas. Uma vez desreguladas, tais instituições acabam por modelar no mesmo sentido vida social habitual, incluindo a intimidade da vida familiar.

Portanto, as atitudes e comportamentos desrespeitosos, ofensivos e violentos que atingem os profissionais da segurança, ensino ou saúde não caíram do céu, são fruto das escolhas de um regime político concreto, o atual.

O fortíssimo ataque mental ao Ocidente durante a era soviética (1917-1991) por via de sindicatos, universidades e comunicação social continua a gerar sequelas equiparáveis às radioativas após um ataque nuclear, um tipo de destruição que perdura por gerações e séculos. É esse fenómeno que continua a fazer das instituições nucleares do mundo ocidental incapazes de cumprir a sua missão elementar, a missão de regular atitudes e comportamentos dos seus membros. Na família e sobretudo na escola massificada, falhando esse elementar falha tudo o resto.

Filha orgulhosa dessa tradição, a Terceira República Portuguesa entrou na fase ostensiva de esconder a mão para disfarçar nada ter a ver com o que ela mesma criou. Quando grupos profissionais, compulsivamente colocados ao serviço de causas socialistas-comunistas do sobredimensionado Estado Social, veem quotidianamente os seus membros socialmente desautorizados, verbal e fisicamente agredidos, desrespeitados, as suas carreiras desvalorizadas – para onde são direcionadas as responsabilidades por parte da casta do regime? Para esses mesmos grupos profissionais a pretexto da sua «falta de formação», por mais formação que façam. Ou então as responsabilidades são direcionadas para a «sociedade», «ar dos tempos», «falta de tempo dos pais», «falta de financiamentos do Estado», «falta de técnicos e psicólogos», «heranças do regime anterior», entre outras explicações. Há décadas que tais desculpas se revelam uma mão cheia de nada face a um fenómeno historicamente específico da Terceira República Portuguesa, isto é, o fenómeno não existia antes e deixará de existir no futuro mudando o regime.

Das universidades à comunicação social, trabalha-se hoje em uníssono para esconder o óbvio: a esquerda destruiu a dignidade pessoal e profissional de polícias, professores, médicos e enfermeiros. Por arrasto, os sindicatos destruíram-se a si mesmos. Se quem trabalha fora do Estado está muitíssimo mais desprotegido no domínio laboral, quem integra a administração pública sente e sabe que a erosão continuada da sua dignidade e honra pessoal e profissional foram prostituídas pela atual classe política. E todos ralham com razão. É difícil um retrato mais degradante de uma casta política inteira.

É por isso que os ciclos eleitorais que se avizinham são oportunidades de iniciar a transição da Terceira para a Quarta República Portuguesa que não podemos nem devemos desperdiçar. Andrés Venturas são raríssimos ao longo da história.

Gabriel Mithá Ribeiro 
Vice-Presidente do CHEGA!