O Marxismo, na sua forma primitiva, fracassou. Infelizmente, até à consumação deste fracasso, confirmado pela queda da USSR, pudemos assistir em silêncio às consequências desta ideologia: milhões de fuzilamentos e execuções, centenas de campos de trabalho forçado, expropriações, manipulação e ocultação de informação, miséria, fome e ateísmo. Podemos dizer que os frutos do comunismo são a miséria e a morte. Seja na sua forma mais agressiva de luta de classes, expressa n’ O Capital e no Manifesto do Partido Comunista, seja no socialismo político, a versão light e “democrática” do marxismo, o resultado é sempre o mesmo: pensamento único (ditadura), pobreza, morte.

Não deixa de ser curioso que ainda hoje exista quem dê a vida por esta ideologia, invocando que não tivemos ainda uma real experiência de comunismo. Não chegaram, portanto, Cuba, Venezuela, Argentina, Brasil, USSR, Coreia do Norte… a minha pergunta é: quantos cadáveres serão precisos para confirmar a realidade?

No entanto o que me proponho a abordar hoje não é o passado, mas o presente.

Fracassado o marxismo na sua forma primitiva, e caído o muro de Berlin, estavam reunidas as condições para uma nova estratégia: a difusão da ideologia marxista através da cultura. A Escola de Frankfurt fez o seu trabalho. Herbert Marcuse, Erich Fromm e companhia, haviam criado os pressupostos filosóficos para disseminação daquilo que hoje chamamos de marxismo cultural. Muito resumidamente, e, talvez simplificando demasiado, a escola de Frankfurt desenvolveu e disseminou a Teoria Crítica. A qual não é mais que uma forma de pensar a cultura e a sociedade com novos pressupostos que aqueles bebidos da razão, da ciência e da experiência empírica. Na prática um pensador que utilize este método, põe em prática uma reflexão sobre o conjunto da sociedade, e de modo a abarcar o todo que compõe essa mesma sociedade ou tema discutido, necessita desvincular-se dos pressupostos estabelecidos à priori, tomando como incertas até as ciências mais exatas.

É pela teoria crítica que começa uma nova fase de desestabilização social, a qual tem feito bastantes estragos nos países onde se encontra bem disseminada (EUA, Brasil, por exemplo). Já não será uma questão de classes contra classes, de pobre contra rico, mas uma oposição entre maioria e minoria, religião contra religião, raça contra raça, tudo é colocado em causa, tudo passou a ser discutível, mesmo as verdades absolutas confirmadas pela ciência, biologia e física. É neste tempo que nos encontramos, onde o relativismo é palavra de ordem. Não há um certo, nem um errado, tudo depende da perspetiva, da ideia subjectiva de cada qual, mesmo que a realidade espelhe uma verdade completamente diferente.

É a verdadeira era da subversão da objetividade, em prol da preferência do indivíduo ou de qualquer ideologia, tudo validado por um discurso assente na liberdade e na escolha individual. Cada pessoa passou, segundo estes moldes a defender a sua verdade, pois os limites da racionalidade foram eliminados, o que conta é a análise subjectiva de cada um.

Já não há uma verdade para todos, há apenas uma coisa que pode unir: tolerância. É na tolerância pelo pensamento do outro, por mais absurdo que este seja, que reside o cerne de toda esta questão. Nesta forma de pensamento a desconstrução social é total, pois já não há virtude alguma em defender o que é correcto ou verdadeiro. O que é importante é tolerar a subjectividade do próximo, tolerar a sua “verdade”, mesmo que seja uma “verdade” totalmente diferente da realidade.

Como podemos imaginar, é impossível construir uma sociedade sobre areia movediça, sobre a infinitude de realidades que acabariam por se degladiar sem um rumo nem um objetivo comum. O homem é um ser social e a total subjetividade é precisamente o oposto da realização social, pois cada pessoa seria dona do seu mundo, da sua verdade, sem se sentir impelida a lutar por um bem comum. Dizia Aristoteles “Tolerância e Apatia são as últimas virtudes de uma sociedade moribunda”, e não posso deixar de concordar. Para que exista um tecido social é necessário que exista um convénio de verdades que agregue os cidadãos, sendo que o seu contrário leva ao conflito, aquilo que vemos hoje com o marxismo cultural.

Toda esta apressada introdução para chegar aqui, a apenas um dos cavalos de tróia do marxismo cultura: a ideologia de género.

A ideologia de género é, como o nome indica, uma corrente de pensamento que defende a total subjetividade da sexualidade. A ideologia de género defende que o sexo de um homem ou de uma mulher não é definido biologicamente, mas sim culturalmente e intelectualmente. Novamente, vemos aqui presentes elementos da teoria crítica, pelo ignorar não só da realidade empírica, sendo que um homem é distintamente diferente de uma mulher pelas suas características físicas e intelectuais, como pela tábua rasa que é feito à composição biológica.

O combate à ideologia de género deve começar primeiramente pela linguagem. Uma das principais preocupações desta corrente de pensamento foi alterar a linguagem, chamando género ao sexo. Normalmente e na língua Portuguesa, género define adjetivos e objetos, sexo define pessoas. Como é do senso-comum que sexos existem apenas dois, masculino e feminino, foi necessário recorrer a uma bengala linguística para alargar o espectro de opções, e assim nasceu o termo género para definir diferentes tipos de “identidade sexual”. Hoje existe toda uma linguagem e opções para quem não se identifica como homem ou mulher, sendo que resumidamente podemos chamar tais pessoas de não-binário (binário fazendo referência às duas opções naturais homem/mulher ou macho/fémea). Qual o papel da biologia? Nenhum, volto a lembrar que o marxismo cultural faz tábua rasa de todos os “dogmas” que impeçam a implantação de uma ideia, ignorando mesmo a ciência básica.

Não deixa de ser, no entanto, curioso, que a esquerda, supostamente o bastião das liberdades humanas e sociais, queira retirar a liberdade às crianças e aos seus pais, a escolha de como melhor educarem os seus filhos. Querem implementar obrigatoriamente em todas as escolas públicas, até ao 12º ano de escolaridade, o ensino da “igualdade de género”. Não há liberdade para escolher, os alunos TÊM de assistir a esta “disciplina”, em nome dos “direitos humanos e da diversidade”. Quem não desejar frequentar, depressa é apelidado de homofóbico, antiquado e fascista. Esta iniciativa preocupante, visa apenas a doutrinar as crianças para uma série de barbaridades como a ideia de que todos os seres humanos nascem sem um sexo definido e que só desenvolvem uma identidade sexual através da cultura. Promovem a possibilidade do homem ou da mulher mudarem de sexo, como um direito fundamental, e, incentivam a relações entre pessoas do mesmo sexo. Em suma, o objetivo é quebrar a estrutura da família natural, composta por homem, mulher e prole.

A verdade é esta, quem se perturba com estas questões, não é que queira saber o que cada um faz na sua intimidade, penso que cada pessoa na sua privacidade deve fazer como achar melhor, por mais graves que sejam as consequências, penso que temos essa liberdade. A gravidade deste assunto é a descarada doutrinação infantil com dinheiro dos portugueses, e a impossibilidade de escapar à doutrinação, pelo menos para quem estuda no ensino público. Porque estará o Estado a tentar ensinar o que cada qual deve pensar ou fazer na sua intimidade, quando na verdade isso é algo que diz respeito ao foro privado? E porque tornar essa mesma formatação compulsória como a matemática ou o português, porventura estaremos a falar de uma ciência fundamental?

Torna-se claro que o objetivo final do marxismo é alterar o tecido social, pura e simplesmente invertendo a ordem natural dos comportamentos. O nosso dinheiro, de todos os portugueses trabalhadores, conseguido com o trabalho de milhares de famílias honestas, está a ser distribuído de forma anárquica na formatação de pensar dos nossos filhos e das nossas famílias.

Como se não fosse grave o suficiente, consideremos ainda toda a conjuntura nacional: a taxa de natalidade em Portugal permanece demasiado baixa para permitir a substituição de gerações, o índice de divórcios é demasiado alto (>50% de todos os casamentos), a distribuição da pílula é gratuita, o aborto é gratuito, e, a geringonça, com o aval da maioria de centro direita (PSD e CDS) investe o nosso dinheiro em medidas que visam à doutrinação das futuras famílias de Portugal, incitando à mudança de sexo de menores, à promiscuidade sexual e a estruturas familiares desordenadas que em nada ajudam o país a crescer demograficamente e que em última instância comprometem o futuro da segurança social. É fácil perceber, porque uma europa sem filhos, velha, caduca e estéril, deseja a todo o custo importar gerações e gerações de estrangeiros do norte de África, infelizmente o motivo não é humanitário, o grande motivo é apenas a sustentação da segurança social, a qual está assente numa pirâmide etária típica onde a base é maior que o cume.

Diogo Bronze