Em vez de um partido populista e que vai dar voz aos ímpetos mais extremistas da sociedade portuguesa, o Chega irá neutralizar essas energias, defende André Ventura

OPresidente da República tem cometido “vários erros” e tem sido uma “desilusão para a direita”, diz André Ventura, deputado do Chega recém-eleito, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira. Nas próximas eleições presidenciais, o Chega não irá apoiar Marcelo Rebelo de Sousa.

“Acho que Marcelo Rebelo de Sousa tem cometido erros atrás de erros, aquela ida ao Bairro da Jamaica sem que também tivesse ido visitar a esquadra da polícia foi um deles. Isto é um mau sinal para a polícia, que se sente cada vez mais longe do sistema, se calhar é por isso que votam no Chega. Marcelo está a ser uma desilusão para a direita, que no entanto o vai apoiar novamente. Garanto-lhe: nós vamos ter um candidato presidencial forte que vai disputar as eleições com Marcelo Rebelo de Sousa”, promete Ventura.

Em vez de um partido populista e que vai dar voz aos ímpetos mais extremistas da sociedade portuguesa, o Chega irá neutralizar essas energias, defende André Ventura.

“Fico muito feliz com uma coisa: estou convencido que não vai haver extremo nenhum em Portugal e acho que isso se deve muito ao Chega e ao papel que o Chega vai ter. No final da legislatura, vão reconhecer que é um partido democrático”, assegura.

Como já era anunciado no programa eleitoral, a primeira prioridade do partido no Parlamento será avançar com a proposta de redução de deputados. “Como constitucionalmente não é possível reduzir para 100 deputados, numa primeira fase vamos propor para o limite mínimo previsto na Constituição, que é 180. Vai ser muito curioso ver quem vai ser a favor e quem vai estar contra. Se eu tiver que renunciar ao meu próprio cargo, que seja um sacrifício que fazemos pelos portugueses, pois este sistema está gasto, corrompido, é um sistema enorme de 230 deputados e nós olhamos para o canal Parlamento às quatro da tarde e não estão lá nem metade, uns pintam as unhas, outros votam por quem não está lá”, diz.

Segundo Ventura, há deputados “praticamente a zero em termos de trabalho parlamentar, que não fazem uma única intervenção em quatro anos, não apresentam uma proposta”.

Ainda na mesma entrevista, o líder do Chega revela que o partido mantém relações com alguns partidos da direita internacional – o Vox espanhol e a Liga Italiana -, mas afastou a possibilidade de entendimentos com outros como a Alternativa para a Alemanha (AfD) e a Aurora Dourada, na Grécia. “Também não queremos contactos com a Aurora Dourada [grega], são um bando de criminosos. Nós somos de uma direita que tem pontos de contacto com a Europa, mas somos essencialmente uma direita à portuguesa, muito democrática e liberal quanto à economia”, diz.

In Expresso