Medina ou a incapacidade de pensar

 Tive conhecimento, felizmente não ouvi, que Medina, actual Presidente da Câmara de Lisboa, terá dito numa entrevista radiofónica que a questão da ilegalização do partido Chega com fundamento na sua alegada ideologia inconstitucional seria uma questão de tempo. Confesso que fiquei admirado não por tamanha enormidade ter saído da boca de Medina mas por ser possível nos dias de hoje fazer tal afirmação. 

Medina reedita o discurso comunista de há quase cinquenta anos. Ventura já não é um grande agrário nem um monopolista, sabotador e açambarcador, conspirador e inimigo de classe a espernear de ódio às massas e a precisar de reeducação pelo trabalho num qualquer serviço cívico sempre à espera de um qualquer merecido julgamento popular onde já estaria à partida condenado. Não. Na privilegiada cabeça de Medina, depois da queda do saudoso muro antifascista de Berlim e perante o desinteresse proletário, há que actualizar as referências. O que poderá ser agora Ventura? Depois de um esforço de raciocínio eis que surgem as culpas; xenófobo, sexista, machista, fumador, elitista, racista, provavelmente adepto da violência doméstica, inimigo dos animais e até, quem sabe, criminoso de delito comum. Basta para um libelo de inconstitucionalidade. 

O que mudou foi a linguagem. A incultura e estupidez são as mesmas. Como diria F. Furet; passou-lhes a ideologia mas ficaram-lhes as paixões. 

É este o o discurso ideológico concentracionário que a esquerda tem para oferecer aos portugueses. A virtude é dela e oferece-se 

através de um discurso simples, básico e aderencial destinado a impedir o pensamento crítico. Consiste em demonizar o adversário com argumentos que fariam inveja a uma qualquer cartilha dominicana. Consequentemente contra ele vale tudo a começar pelo terror. Já não há forca, nem garrote nem tratos de polé mas há morte constitucional. Faz-me lembrar a teoria do pecado venial que tão contrariado era obrigado a ouvir na catequese. 

Medina vai longe. Tamanha incapacidade de pensar já fez dele um relevante intelectual de esquerda arvorado a novo Dzerzhinsky. Com mais um esforço ainda vai a ideólogo. Cá estaremos para aprender. É que se não aprendermos por vontade dele o nosso destino seria o campo de reeducação ou o hospital psiquiátrico. 

Luiz Cabral de Moncada