CDS protesta contra lugar atribuído ao deputado. Parlamento poderá fazer obras para resolver o assunto. “Não estou preocupado com o lugar”, diz André Ventura.

A distribuição de cadeiras no Parlamento está a gerar polémica por causa do lugar atribuído a André Ventura. De acordo com o desenho do novo hemiciclo, que resultou da conferência de líderes que decorreu na semana passada, o deputado do Chega vai ficar sentado na segunda fila entre os deputados do CDS, junto a um corrimão.

Os centristas não gostaram da distribuição de lugares e, na última reunião de líderes parlamentares, protestaram contra o lugar destinado a André Ventura alegando uma “questão prática”. É que, para se sentar, o novo deputado do Chega tem de atravessar a bancada do CDS para entrar ou sair do hemiciclo.

A solução poderá mesmo passar pela realização de obras para criar uma entrada para o novo deputado. Ao i, André Ventura considera que “o CDS está mais preocupado em humilhar” o Chega do que com os problemas dos portugueses. “Talvez por isso já caibam todos num táxi quando tinham 19 deputados”, remata.

O novo deputado garante que não está “preocupado com o lugar nem com a construção de uma nova porta”. Para André Ventura, que conseguiu quase 68 mil votos a nível nacional nas últimas eleições legislativas, os ataques ao Chega “revelam o medo que o sistema tem de um partido frontalmente contra a corrupção e contra a imoralidade do sistema político”.

O incidente com o lugar que André Ventura provocou algumas reações. Abel Matos Santos, que pertence à Comissão Política Nacional do CDS, escreveu, nas redes sociais, que “o Parlamento parece um parque infantil” e que a solução passaria por colocar o deputado na fila da frente.

Já o diretor executivo do Aliança, Luís Cirilo, defendeu que o Parlamento devia ocupar-se com questões mais importantes do que com a distribuição dos lugares. “Começa ‘bem’ o novo Parlamento. Pelos vistos não têm nada mais importante para se preocuparem do que com os lugares em que se sentam. Sempre os lugares no cerne das preocupações”, escreveu, na sua página do Facebook, o ex-deputado do PSD.

Governo toma posse sábado O Parlamento vai tomar posse na sexta-feira e, posteriormente, o Governo é empossado no sábado de manhã.

De acordo com a Lei Eleitoral, a Assembleia da República tem de tomar posse três dias após a publicação em Diário da República dos resultados eleitorais. E a publicação dos resultados finais das eleições estava dependente da decisão do Tribunal Constitucional sobre o recurso, apresentado pelo PSD, por causa dos problemas com os votos nulos na emigração. Mas o Tribunal Constitucional fez ontem saber que decidiu não apreciar a reclamação apresentada pelos sociais-democratas.

Tal como é tradição, a primeira sessão parlamentar, que decorre na sexta-feira, será aberta com uma intervenção do líder parlamentar do partido mais votado. Neste caso, será Ana Catarina Mendes a discursar em nome dos socialistas.

Enquanto não é eleito o próximo presidente da Assembleia da República, será um deputado a assumir interinamente a função do segundo mais alto cargo do Estado.

Marcelo deseja quatro anos O Presidente da República disse, ontem, que é “desejável” que este Governo cumpra os quatro anos da legislatura. “O Presidente fará tudo para que o desejável [que o Governo cumpra os quatro anos da legislatura] ocorra na realidade. Fará tudo agora e fará tudo ao longo dos anos de Governo que correspondam ao seu mandato, uma vez que falta um ano e meio de mandato presidencial”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, no Centro de Congressos do Estoril.

No entanto, Marcelo recusou comentar o facto de este ser o maior Governo da história da democracia, composto por 19 ministros e 50 secretários de Estado. O chefe de Estado argumentou que a composição do Governo “é uma escolha de cada primeiro-ministro” e que “o Presidente da República limita-se a verificar se são respeitados os limites constitucionais e legais”. Marcelo também escusou comentar a disputa interna no PSD, porque “não comenta a vida partidária” e “aquilo que são as decisões dos partidos”.

“O CDS está mais preocupado em humilhar o Chega do que com os problemas dos portugueses. Talvez por isso já caibam todos num táxi” André Ventura líder do chega Os ataques feitos ao Chega revelam o medo que o sistema tem de um partido frontalmente contra a corrupção e contra a imoralidade do sistema político” Idem “Começa bem o novo Parlamento. Pelos vistos não tem nada mais importante para se preocuparem do que com os lugares em que se sentam. Sempre os lugares no cerne das preocupações” Luis Cirilo Carvalho Diretor Executivo da ALIANÇA “O Parlamento parece um parque infantil. A solução óbvia é trocar o deputado para a fila da frente, aliás todos os deputados dos novos partidos eleitos aí deveriam estar, se quisessem” Abel Matos Santos dirigente do cds e porta-voz da Tendência Esperança e Movimento (TEM) “O CDS está mais preocupado em humilhar o Chega do que com os problemas dos portugueses. Talvez por isso já caibam todos num táxi”

in Jornal i