No reino da estupidez e do preconceito

Está em curso uma ofensiva contra o Chega, como era de esperar e vai agravar-se.

Mas a ofensiva falha o alvo. O objectivo é demonstrar que o Chega se filia na extrema direita europeia, desde França e Itália até à Hungria e à Dinamarca ou seja, que partilha de um certo número de objectivos de um movimento à escala europeia e que a esquerda nacional se esforça por lhe imputar com os costumeiros epítetos; fascismo, termo vago no qual faz entrar entre outros elementos desprezo pelas instituições democráticas, identidade nacional, anti-imigração e logo racismo, anti-europeísmo, puritanismo nos costumes, homofobia, sexismo masculino, ódio aos animais, desprezo pelo ambiente, fim do Estado Social, etc…

Desde já o fascismo não é (só) aquilo. O essencial do fascismo vai muito para além daquilo. Mas não é minha intenção ensinar aos esquerdistas nacionais o que foi o fascismo. Eles que se cultivem, coisa que não fazem. O que me espanta é ver alguns pseudo-Intelectuais nacionais a dizerem as maiores inanidades sobre fascismos «emergentes». O discurso em vez de ser racional e crítico é teológico. O fascismo substituiu o pecado e quem não é originário do Senegal está manchado pelo pecado original.

Seja como for e pelo que ao Chega diz respeito, nada de mais falso. E é isso que desespera a esquerda nacional. O Chega é um partido completamente integrado na vida democrática portuguesa, comungando dos valores que a alimentam e fiel à democracia representativa e às instituições vigentes. Onde está

então a diferença? Está no nível de exigência democrática. O Chega denuncia a situação a que os dois partidos dominantes da vida política nacional levaram a democracia portuguesa com o seu lamentável cortejo de nepotismo, corrupção dos quadros medíocres que os integram, carreirismo político, falta de transparência nas decisões, tomada de assalto do aparelho do Estado, partidocracia como demonstra o escândalo do recente afastamento por Costa do Presidente do Tribunal de Contas com o aplauso de toda a esquerda, etc… Quanto à Europa ninguém mais europeísta que o partido Chega mas isso não significa que se demita de criticar a obscuridade da burocracia europeia e a falta de responsabilização dos representantes do nosso país nos órgãos europeus. É preciso democratizar a decisão europeia impedindo a sua fuga para as mãos de uma burocracia irresponsável e que ninguém conhece ou vê. Pelo que toca à imigração, o Chega fiel à tradição humanista e cristã que o norteia é-lhe totalmente favorável desde que, naturalmente, legal e adequada às características do nosso país. O problema, aliás, tem pouca relevância pois que a maioria dos imigrantes que cá chegam só pensam é em ir embora daqui o mais rapidamente possível não sendo o nosso país mais do que um ponto de passagem. De identidade nacional é ridículo falar. Portugal é e foi sempre uma sociedade aberta e multicultural povoada por «muitas e desvairadas gentes», como dizia de Lisboa Fernão Lopes, com um nível de integração e tolerância para com o diferente que faz inveja a muitos países europeus. O racismo é mais uma recente inventona de certa esquerda falha de ideias. Os critérios identitários nunca existiram no nosso país e toda a gente normal os repudia. De homofobia e sexismo nem vale a pena falar tão ridículas são e serão as acusações. Homofobia? No Chega? Não me façam rir. O mesmo se diga do ambiente e do pretenso ódio aos animais. Quanto ao pretenso puritanismo nos costumes quem assim fala é porque não conhece os militantes do Chega; neste

aspecto seria até aconselhável um pouco mais de castidade. O Estado Social, designadamente o serviço nacional de saúde, faz parte do património cultural de qualquer formação partidária que se preze; o que sucede é que é possível e desejável aperfeiçoá-lo e racionalizá-lo tornando-o sustentável pelos impostos que é razoável cobrar e abrindo-o aos poucos à participação privada de modo a desonerar as despesas públicas.

A esquerda portuguesa faz lembrar aqueles velhos rabujentos a quem a vida correu mal e que dedicam os últimos anos das suas vidas a tentar minar a felicidade alheia.

De que é isto consequência? Simplesmente do facto de a esquerda nacional, reconhecidamente a mais burra da Europa, como conhece pouco o país em que vive, raciocinar na base de preconceitos abstractos importados de outras situações e pretender aplicá-los aqui. Falha o alvo. Quando a realidade não cabe na cabeça dela a opção é simples; modifica-se a realidade de modo a lá entrar. Julga que está na Hungria com centenas de milhares de imigrantes à porta e que os dirigentes do Chega estão em casa a espernear de ódio às massas como dizia do PC o saudoso MRPP.

Prejuízo para a fluidez do espaço público democrático como alvitram alguns esquerdófilos mais cultos que talvez até saibam quem é Habermas? Pelo contrário. A crítica dos défices da democracia representativa é sempre bem-vinda ao espaço público democrático. Ora o Chega é o único partido que a faz, não para a substituir por um projecto obscuro e populista alicerçado numa falsa verdade arengada por qualquer parvenu carismático mas sim para a aperfeiçoar e devolver aos cidadãos diferenciados enquadrados por instituições participadas e plurais a funcionar em rede e não centralizadamente e apoiados por uma Sociedade Civil forte, próspera e associativa ou seja, tudo aquilo que a esquerda nacional odeia e que, a prazo, a condenará.

Luiz Cabral de Moncada