O casamento por Roger Scruton

Eleições Presidenciais de 2021

O Meu Diário de Voto em André Ventura por Gabriel Mithá Ribeiro

Leia diariamente nesta página textos, excertos ou frases destinados a resgatar os portugueses da alienação mental imposta pelas elites jornalísticas, académicas, intelectuais, políticas ou artísticas de um regime falido. Contra ele, André Ventura e o CHEGA fazem germinar uma força moral e cívica imparável que fará nascer a IV República Portuguesa. 

 «O casamento é o modo pelo qual as famílias começam e as obrigações assumidas pelas partes têm um alcance que vai muito além do contrato firmado entre elas para incluir pessoas que ainda não nasceram e que dependerão da solidez do vínculo entre os seus pais. (…) 

Também nas sociedades tribais, as pessoas acedem a uma nova condição pelo casamento. A tribo inteira envolve-se na validação do laço entre marido e mulher, e o casamento é o reconhecimento cerimonial de que as partes estão a dedicar-se não apenas uma à outra mas à descendência resultante da sua união e ao futuro da tribo. Os ritos de casamento celebram simultaneamente a união sexual e a diferença sexual, conferindo ao casal de noivos a obrigação sagrada da fecundidade em nome do futuro colectivo e também a de gerar filhos que serão membros complacentes da sociedade. 

Já não vivemos, evidentemente, em tribos, e as antigas adaptações devem, por seu turno, adaptar-se às novas condições. Mesmo para nós, o casamento é, porém, o modo primordial de transferência do capital social de uma geração para a geração seguinte. Mesmo para nós, o casamento define um caminho de sacrifício e dedicação. Mesmo para nós, gerar filhos e preparar a vida de família estão no âmago do vínculo conjugal. (…) 

Isto não significa que só as pessoas férteis devem casar, ou que não possa haver casamentos que terminem em divórcio. Significa que o casamento é construído à volta de uma norma que é invocada, ainda que à distância, em todas as variações exigidas pela nossa natureza e fragilidade. Removendo esta norma, a instituição degradar-se-á como uma tenda a que é retirado o mastro central. Deixará de ser um vínculo entre gerações cujo objectivo é criar filhos, passando a ser um contrato de coabitação, tão temporário e anulável como qualquer outro negócio. (…) 

Desde que o Estado assumiu o direito de a criar, a história do casamento tem sido, toda ela, uma história de destituição. (…) A resposta correta é dar o exemplo, vivendo de outra maneira e reconhecendo a verdade espiritual subjacente de o casamento ser um compromisso firmado pelos votos das duas partes, e não pelos carimbos de um notário.» 

Roger Scruton (2018/2014), Como ser um conservador, trad. Maria João Madeira, Lisboa, Guerra & Paz, pp.192-193. 

Gabriel Mithá Ribeiro