O Mentígrafo do Polígrafo

A SIC é uma estação de televisão idónea e integrada num grupo editorial com um historial de prestígio. Infelizmente para a SIC, integra na sua programação uma rubrica (exterior à SIC) que dá pelo nome de Polígrafo que lhe mancha a imagem e a credibilidade. É uma nódoa mal cheirosa num pano limpo e de boa qualidade.

O Polígrafo assume-se, pomposamente, como “um projecto jornalístico online que visa apurar a verdade e não a mentira no espaço público”. Diz-se mesmo um “facts-checks”, ou seja, um “caçador” da fake news.
Nada de mais enganador. As suas páginas são o exemplo do que é manipulação noticiosa, do que são inverdades camufladas de investigação, do que são falsas conclusões em estilo sentencioso. O Polígrafo deveria ser estudado nos cursos de Jornalismo como aquilo que não se deve fazer!
Há poucos dias, o Polígrafo resolveu efectuar uma “reportagem (as aspas são propositadas) com o surpreendente titulo: “André Ventura promove nazis a dirigentes do Chega?”. E concluiu: “Sim, Verdadeiro”. Tem de se ver aquelas “notícias” do Polígrafo para se acreditar como um espaço que se diz jornalístico recorre, sem vergonha, a truques tão básicos de manipulação e enganos, num total desprezo por qualquer público pensante.

Como se sabe, há dias, num comício no Porto, aquando do encerramento, e no momento em que se cantava o Hino Nacional, um dos presentes – um entre centenas – resolveu fazer a chamada saudação nazi, perante a indiferença, ou mesmo os olhares reprovadores, dos que o rodeavam. Face a este facto isolado, e desvalorizando as anteriores declarações de André Ventura de que” iria afastar os nazis do partido”, o Polígrafo montou toda uma peça vídeo, recorrendo mesmo a imagens antigas, com o único fito de fundamentar a conclusão já antecipada tomada: “André Ventura promove nazis a dirigentes do Chega!”. Assim se faz o “jornalismo” no Polígrafo.
Mas veja-se com os próprios olhos a “reportagem” e tire-se objectivamente as conclusões (link): https://poligrafo.sapo.pt/#vhs-Icwdpem0AKaZQYhfyAzT

O editor do Polígrafo, Fernando Esteves (também exterior à SIC), esteve envolvido recentemente num escândalo quando se descobriu que era sócio de uma empresa de publicidade que tinha por objectivo promover a imagem pública de certas pessoas, entre as quais algumas acusadas de criminosas. Uma acumulação de actividades eticamente incompatíveis e expressamente proibida pelo Código Deontológico dos Jornalistas. Para um editor que se diz imparcial e impoluto… nada mais há a acrescentar!
O Polígrafo é, nem mais nem menos, que o produto do “troca-tintas” Fernando Esteves, com um currículo de oportunismo e habilidades que falam por si.
O Polígrafo (originalmente, uma antiga máquina de detectar mentiras) não é um polígrafo mas um mentígrafo, uma máquina de difundir mentiras. Só se lamenta que a SIC resvale para tão más companhias…

José Augusto Dias
Vice-Presidente do CHEGA para a Justiça e a Segurança