O respeito não se faz com palmas!

Perante a crise pandémica que sobre nós faz incidir o espectro do isolamento e nos tira das mãos o controlo de todas as expectativas, que muitas vezes erradamente, transmitem ao Homem um suposto controlo do que na verdade não depende unicamente de si, há ainda assim quem pareça estar desprovido de bom senso e de verdadeiro agradecimento a quem com a sua vida defende a nossa.

É certo que o estado de emergência a que todos estamos confinados é desconfortável e faz soar muitas vezes o alarme da nossa resiliência física e emocional. É igualmente certo que quando a desgraça não se encontra próxima da nossa porta (pelo menos que se saiba), todos sem excepção podemos ser levados a pensar que só acontece ao outro, como de resto é apanágio do nacional porreirismo e similar inconsciência.

No entanto, se há efectivamente inúmeras rubricas em que podemos hoje analisar responsabilidades políticas, no que respeita à prevenção e combate ao CVID-19 (e elas existem e o CHEGA a seu tempo oportunamente para elas alertou), também as há no espectro da sociedade civil.

Ilustrativo do que acabo de escrever são os episódios, graças a Deus pontuais, mas nem por isso de menor gravidade, de fluxos de movimentação que ao serem efectuados como se em plena normalidade continuássemos a viver, colocam em causa quem os faz, mas igualmente quem entende e bem, não os dever fazer.

Episódios como aqueles a que assistimos no último fim de semana de março, em que foram difundidas pelos meios de comunicação social várias imagens da ponte 25 de Abril repleta de trânsito, antecedida e precedida de filas verdadeiramente absurdas e que para a maioria dos presentes representava uma saída de lazer para ver o mar ou passear, ou até uma qualquer romaria de férias, são verdadeiramente inaceitáveis.

É importante que a sociedade civil perceba que por muito tardias que tenham sido impostas as medidas de combate ao COVID-19, as mesmas são para cumprir. Por muito que nos doa, e dói, por muito que nos custe, e custa, por muito que nos amargure, e amargura, por muito até que nos revolte, e há motivos para que o sintamos pela manifesta incompetência de quem nos governa.

Ainda assim devemos ter e exigir ao nosso semelhante que tenha o civismo que a todos de igual forma se exige.

Vou confessar algo que certo estou que poderá por muitos ser mal compreendido. Mas pago o preço da minha sinceridade. Por outros poderá ser encarado como frieza ou ainda como manifesta insensibilidade social. Nada disso se passa. Repito: Nada disso se passa. Não é o caso. Mas talvez para meu defeito, ou julgo que já não seja defeito, mas antes feitio, sou nas questões essenciais pouco dado a romantismos preferindo em seu lugar o pragmatismo.

Claro que percebo a ideia. Percebo, respeito e associo-me a ela. Mas a meu ver, muito mais importante que numa determinada hora do dia ou da noite irmos todos bater palmas às janelas de nossas casas para homenagear os nossos heróis nacionais, que neste momento são todo o pessoal médico, todas as forças de segurança e protecção civil, e todas as demais entidades que prestando serviços essenciais não se possam refugiar em nossa casa, a nossa maior homenagem deve ser exercida diariamente pelo civismo.

Essa sim é a verdadeira homenagem que devemos fazer.

Esse civismo é que é o verdadeiro respeito por todos estes profissionais. Quem num dia bate palmas aos médicos portugueses a uma janela e no fim de semana seguinte sai de carro para ir passear como se nenhum perigo sobre nós pairasse, não merece o risco, o sofrimento profissional, pessoal e familiar, as dificuldades, o empenho, a dedicação e o altruísmo com que todos estes profissionais dão, literalmente, hoje a sua vida por nós.

Esta é uma missão que está neste domínio nas nossas mãos. E o que é mais curioso é que esta pandemia coloca igualmente nas mãos de cada um de nós não só a nossa própria vida como a vida do outro e assim sucessivamente.

Saibamos todos ser aquilo que o nosso país necessita que cada um de nós neste momento verdadeiramente seja.

De coração quente, deixo aqui hoje o meu agradecimento a todos os profissionais dos serviços essenciais que permitem manter o país a funcionar. De uma forma muito especial, o meu mais sincero e profundo agradecimento aos profissionais de saúde que são neste momento os nossos verdadeiros heróis.

São eles quem hoje na primeira linha, com a sua vida defendem a nossa!

Rodrigo Alves Taxa
Assessor Jurídico Gabinete Parlamentar Partido Político CHEGA