O terrorismo intelectual da extrema esquerda

 Quem primeiramente denunciou o terrorismo intelectual da esquerda foi R. Aron na França do pós-Segunda Grande Guerra. Se o relermos, os métodos eram semelhantes aos que actualmente pretende usar a extrema esquerda portuguesa sessenta anos depois. A diferença está em que esta, como não tem o nível intelectual que, apesar de tudo, tinha a francesa, chafurda na insinuação mais torpe, no projecto mais imbecil, na mentira mais ridícula. Pudera, o que há a esperar da exaltada Ana Gomes ou do Prof. Doutor Mamadu? 

A extrema esquerda portuguesa ressuscitou a estratégia. Mas como é mais estúpida e muito menos culta do que a francesa não arrranja melhor do que as bandeira desbotada do pedido de ilegalização do Chega, que não terá obviamente êxito, mas que é o pretexto para fazer afirmações e semear o terror, chegando ao descalabro de pretender ilegalizar um partido que tem mais de vinte e cinco mil militantes e que apoiou uma candidatura à presidência que teve quase meio milhão de votos, grande exemplo de democracia. Afirma então que o Chega quer amputar as mãos não sei a quem, como no Código de Hamurabi, que esperneia de ódio às muitas etnias que são menos brancas, que é financiado pela plutocracia internacional, que é fascista e nazi. Já conhecemos a cantilena. Outra bandeira é a destruição do padrão dos descobrimentos e dos complementos que o rodeiam a pretexto de uma interpretação da história completamente cretina e irracional. Outra ainda a tentativa de chamar à Assembleia da República para prestar declarações o juiz Presidente do Tribunal Constitucional, pessoa de prestígio científico e moral, simplesmente porque há uma década atrás terá dito que os homossexuais não são maioritários em Portugal nem sequer uma vanguarda, muito menos iluminada e que está farto da influência desproporcionada que eles têm na comunicação social. 

A extrema esquerda conta com o apoio incondicional da comunicação social. Já não se atreverá a incomodar mais o Presidente do Tribunal Constitucional mas a tentativa de destruir o Chega ainda vai no adro. Verão 

que a comunicação social andará a explorar este assunto durante pelo menos mais três anos. Virá o dia em que os militantes do Chega serão apodados de sexistas, homofóbicos, machistas, alcoólicos e desonestos. 

Obviamente que os portugueses estão para além de tanta estupidez. Este triste espectáculo só demonstra que a extrema esquerda está desorientada porque pressente que está a perder terreno. E à medida que a insegurança aumentar a ordinarice vai crescer. Já sabemos. 

Mas não pensem que a esquerda institucionalizada não apoia o que se passa. Se nem todos o fazem de forma tão alarve como aquele alcançado deputado do PS que veio a lume bolsar umas considerações sobre a história portuguesa nem como Medina que vai mais uma vez receber os iconoclastas da nossa história do que resultará mais uma inanidade, a realidade é que o Governo não anda longe. Como não tem ideologia nem nele toma assento alguém que tenha uma cultura mais do que média, lá chegará. É uma questão de tempo. 

O PS continua a trazer cadáveres às costas. Nunca conseguiu fazer o édipo. O pai castrador que ainda hoje povoa o inconsciente dos líderes socialistas é obviamente o PC. É ainda a ele que ficaram a dever a única formação que tiveram. Já cortaram algumas amarras; privatizaram, liberalizaram, concederam, mas não foram mais longe. E tem de comum com a extrema esquerda não conseguir entender que os tempos mudaram e que hoje em dia o espectro do fascismo não motiva ninguém, a não ser eventualmente alguns jovens subsídio-dependentes que os trairão na primeira oportunidade. Vai daí tenta ressuscitar mitos. 

Não passa por aquelas iluminadas cabeças que o discurso político do Chega é inovador no nosso país. E que, além de liberal, é sobretudo moralizador e cívico. O que o reforça é a corrupção que grassa por toda a parte, são os atrasos na justiça que, no caso dos tribunais administrativos, levam ao arrastamento dos processos nas primeiras instâncias por mais de oito anos, é a incúria dos serviços públicos, é a insanidade da educação, é um sistema fiscal confiscatório que, como já não há rendimentos para arrecadar, se vira agora para o património e vai até aumentar o IMI pelo aniversário das Mortáguas, são os fiascos do tão prometido estado social, são as constantes viagens a Londres da equipa da Cultura à nossa custa para assistir a leilões irrelevantes e fazer visitas a lojas de amigas, são os falsos curricula dos membros do governo e, sobretudo, é a estupidez generalizada 

e a vacuidade das declarações proferidas pelos responsáveis políticos e por outros mais cultivados mas que chegam à inanidade de dizer que os mais ricos não pagam impostos como se isso fosse verdade. 

Metam na cabeça de uma vez por todas que os militantes do Chega não são insatisfeitos; não são é parvos e são exigentes o que é muito diferente. 

Perante esta realidade nada ganha a extrema esquerda com golpes baixos e vilezas. É tarde demais para isso. Por todas estas razões deixo-lhe aqui um voto neste ano de 2021 que ainda não há muito começou; uma ideia consistente e original. 

Luiz Cabral de Moncada