Oh malta de esquerda!

 Oh malta, a final o Marx estava errado. A divisória entre os proprietários e os trabalhadores que permitia aos primeiros açambarcar o que estes produziam consequência, segundo o mestre, de uma lei inexorável do desenvolvimento da história, sedimentada na verdade «científica» da uma visão apenas material das coisas baqueou. E porquê? Porque, vistas bem as coisas, o que motiva os homens são outras considerações. E, Doktor Karl me desculpe, nada têm a ver com as «contradições» do capitalismo. Não importa. Nós agora já não acreditamos no marxismo mas acreditamos numa coisa muito mais forte e mobilizadora que é o terrorismo, de esquerda, claro. Passou-nos a ideologia que, em boa verdade, nunca compreendemos muito bem mas ficou-nos algo muito melhor, o ódio. 

O Governo apoia-nos. Querem a prova? Aí vai. No nosso país, à beira de uma crise que a prazo pode arruinar e até matar grande parte de nós, vem ao de cima aquilo que estava escondido. O Governo português nem hesita. Querem agora dividir os portugueses entre os prioritários e os não prioritários. A ideia compreende-se mas a realidade é que fazem dos primeiros, evidentemente, os ilustres membros do Governo e suas excelentíssimas Famílias bem como os deputados e, se lhes fizessem a vontade, a coisa iria até aos distintos chefes de gabinete, directores gerais, gestores públicos e sem esquecer os estupendos assessores, adjuntos e secretárias pessoais. Fica assim bem claro que os membros da classe política que ocupam o poder neste momento se consideram os verdadeiros e únicos depositários da legitimidade democrática que os ungiu porque 

foram designados pelo partido em que fizeram carreira, a ponto de garantirem o respectivo bem-estar e reprodução. Vantagem nossa. Seguem-se os ilustres e fiéis funcionários públicos. Os nossos descendentes, se logrados, vão cruzar-se com muitos costinhas, ferros, temidos e santos silvas. 

O Presidente eleito demarcou-se de tanta má-fé. Não admira. É demasiado inteligente e bem formado para se deixar levar por semelhantes rasteiras. 

O simples facto de ter sido posta a hipótese de os membros da chamada classe política, Governo à cabeça e outros filhos de pais incógnitos, serem prioritários na vacinação, é uma afronta e um insulto aos portugueses. Nem na Coreia do Norte uma coisa destas seria tolerável. A divisão entre a classe política e os vulgares portugueses contribuintes como todos nós é escandalosa porque é a nossa vida que está em causa. E pior; o que repugna é o facto de eles se sentirem no direito de nos passarem à frente. E de avançarem com uma série de justificações cochas. Nem no tempo do odioso fascismo tanto descaramento seria pensável. 

Há muito tempo que digo que o marxismo nunca chegou verdadeiramente à esquerda nacional. Só aparentemente. E agora já é tarde. Na verdade, ficou-se pelo jacobinismo. Nunca saiu da Convenção. E nós os «reaccionários» e conservadores somos como os realistas e os camponeses católicos indesejáveis da Vendeia chacinados à pazada. Oh malta, o que é preciso é acabar com eles, em nome da «democracia», claro está! Eles odeiam-nos simplesmente porque somos demasiado lúcidos para engolir o que eles nos querem impingir. 

E mais; já agora façam um cordão sanitário em volta dos «fascistas» entenda-se, do PSD para a direita. Deixem-nos para o fim quando já não existirem vacinas disponíveis. Proponho até que isolem as respectivas residências com arame farpado 

anti-

fascista como em Berlim e nomeiem um democrata progressista para lhes vigiar os passos bem como os dos seus descendentes de modo a evitar que eles se desloquem aos centros de saúde e hospitais. Ponham a família deles num index. Arranjem-lhes um confinamento especial por vários anos. É que a democracia está em perigo como dizem a, aliás, douta Ana Gomes e quejandas. E pretextos para semelhante repressão e o terrorismo de esquerda não faltarão. É simples; encomendam-se uns relatórios favoráveis a uns atrasados mentais que mal sabem escrever, enviam-se umas denúncias orquestradas para uns delegados do MP amigos, ouve-se a opinião avalizada do Mamadu a clamar pela morte dos homens brancos, fascistas à cabeça, emitem-se uns programas televisivos sobre uns antepassados transformados em assassinos coloniais e esclavagistas e já está preparado o terreno para ilegalizar, punir, reprimir e silenciar, objectivos confessos da esquerdalha nacional. Costa não se importará e, no seu íntimo, até gosta. Ferro rejubila. Sampaio lá no túmulo em que está fica satisfeitíssimo. 

É assim que se faz a democracia em Portugal com esta gente. Força camaradas. A vitória é certa. 

Luiz Cabral de Moncada