PARA ONDE VAIS, PORTUGAL?

Portugal, passam 43 minutos da meia noite quando no silêncio do meu gabinete te começo a escrever esta prosa. 

Por entre algumas folhas do Orçamento de Estado para 2021 que estava a analisar e um cigarro que traguei, coloquei baixinho a voz de Amália naquele que em 1990 foi o concerto comemorativo dos seus 50 anos de carreira. 

Afinal, no meio do que é este Orçamento de Estado, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado!

Vá-se lá saber porquê, ao ouvir o trinar das guitarras e a grande Diva cantar “Erros meus” (cujos versos são de Luís de Camões) senti profunda tristeza. A tristeza de um país que teima em não aprender com os seus erros parecendo preferir teimar em repeti-los.

Tenho 31 anos e olhando para este orçamento proposto pelos (des)governantes do meu país vejo continuar a trilhar-se o caminho da perdição. Da perdição do passado que muitos não souberam ou sabem honrar, do presente que tanto teimam em enegrecer, mas sobretudo do futuro de uma geração que insistem em hipotecar. 

Nunca fui muito adepto de poesia porque sempre senti nela a fraqueza de um estilo de escrita que embora lindo na sua semântica é de todos o mais facilmente destruído pela severidade da vida real. 

Também nunca fui muito de cartas porque aquilo que sinto e penso digo-o, no bom e no mau, cara a cara, a todos quantos nessa necessidade me colocam. 

Mas de facto, como é possível, meus Deus como não o aceito, que um país onde nasceram muitos dos que permitiram ao Mundo ser aquilo que ele hoje é, seja o mesmo que continua a alimentar a mediocridade e inaptidão política reinante? 

A inveja, o nosso descuido ou crónica desunião, fazem parte do nosso código genético tal como um dia o caracterizou o Padre António Vieira.  

Mas Portugal nunca foi pátria de cobardes nem reduto de criaturas sem espinhal dorsal. 

Por que motivo quer agora sê-lo?

Por que motivo continuamos a permitir ser governados por esta canalha? 

A canalha que teima em fazer de Portugal um país pobre, esquecendo-se muitos portugueses que a nossa maior riqueza sempre foi a capacidade de mudança quando o existente não nos valoriza;

A canalha que não serve o poder para melhor servir o povo, servindo-se antes dele para si próprio e para os seus interesses;

A canalha que insiste em depauperar o património histórico de um país que teima em apelidar de racista, mas que teve e tem num dos seus grandes heróis um Eusébio da Silva Ferreira;

A canalha que teima em delapidar a identidade de um povo que lhe permitiu ser quem é, mas que não quer de igual modo permitir que cada um seja o que for porque se o fizer é racista, de extrema-direita, disto, daquilo, ou do raio que a todos os parta;

A canalha que assenta a sua moralidade em condutas amorais dizendo serem os outros aquilo que ela própria se envergonha de não admitir ser;

A canalha que transforma Portugal num país sem símbolos próprios, mas que teve a exemplo uma Amália Rodrigues que morrendo fisicamente há tantos anos continua bem viva nos arrepios que a sua voz ainda causa a quem a ouve (e que talvez a muitos, como a mim nesta noite e escrita, continua a inspirar);

A canalha que denigre os valores da democracia cristã considerando-a limitadora do livre arbítrio de definição pessoal, mas que não tem pejo em normalizar que um rapaz e uma rapariga possam ir à mesma casa de banho como se fossem a mesma coisa ou como se essa ilusão de igualdade forçada não seja, em si mesma, a ilustração perfeita do abandono da dignidade da pessoa humana de que diz ser guardiã;

A canalha que espartilha o povo e o subjuga a um cinto de contínua austeridade, mas que cada vez que vai às compras tem de adquirir uma camisa mais larga onde caiba a sua farta barriga de mama e privilégios que contrasta com o tecido já frágil e gasto do povo que lha produziu;

Não sei para onde caminhas, Portugal. 

Mas sei que estás hoje, como no passado, refém dos Miguéis de Vasconcelos da minha época. 

Não sei por quanto tempo mais caminharás por este trilho. 

Mas sei que há na minha geração muitos portugueses (que como eu) lutarão para que voltes a ser o que foste e nunca deverias ter deixado de ser.

Terra de bravos. Terra de valentes.

Pátria de conhecimento assimilado, de código genético vincado e valores assumidos. Não estes que nos querem impor. Mas aqueles que nos impuseram como um dos povos mais importantes desta coisa redonda a que chamamos planeta Terra.

Uns fá-lo-ão por convicção e outros por arraste. 

E haverá ainda aqueles que não se encontrando num campo nem noutro o terão de fazer porque o corajoso é também muitas vezes o simples cobarde encurralado.

Esta corja política que nos governa está a encurralar-nos, a todos, num beco sem saída onde reinarão problemas, drama, necessidade, injustiça, pobreza, dificuldade, desespero, destruição e quiçá, até revolta.

Para onde vais, Portugal? E por quanto tempo mais irás, Portugal?

Não sei.

Mas sei por e para onde deverias ir. 

E também sei que haverá quem lute por te voltar a colocar na rota certa. Aquela que como em passados gloriosos se revelará a da boa esperança!

Viva o CHEGA!

VIVA PORTUGAL! O VERDADEIRO PORTUGAL QUE URGE REERGUER!

Rodrigo Alves Taxa

Assessor Jurídico do Gabinete Parlamentar do partido político CHEGA