Porquê Olavo?

Começo este artigo por deixar claro que pese embora as duras críticas que nele irei verter, em nada procuro melindrar as inquestionáveis carreiras profissionais dos músicos/cantores mencionados e muito menos menosprezar a sua faceta de figuras públicas.

No entanto é por aqui mesmo que começo uma vez que ser figura pública não é apenas um estatuto com que se encha a boca ou alimente o ego. Muito menos um patamar de presunção pessoal mesmo quando na área em que se esteja se tenham já atingido os píncaros do sucesso ou notoriedade, o que nem se aplica a todos quantos vou dirigir umas palavras.

Ser figura pública é sobretudo uma responsabilidade. Responsabilidade, essa, que nenhum dos músicos/cantores em questão souberam honrar, o que também só serve para demonstrar que em Portugal já qualquer um pode sê-lo. Mais acresce que já vai sendo hora de clarificar que um artista não tem que ser necessariamente figura pública e que uma figura pública (que o seja verdadeiramente) não é por inerência “opinion maker”. 

Ainda assim se alguém o for ou quiser sê-lo isolada ou conjuntamente, que tenha pelo menos a capacidade de com elevação e profundidade sustentar as suas posições (o que não aconteceu em nenhum dos casos que falarei) e se consciencialize que há mínimos, passando estes pela capacidade de não confundir crítica construtiva com ataque pessoal gratuito ou desabafo pacóvio com considerações que lesem a urbanidade do país como um todo.

Indo ao cerne da questão, desde há vários meses que venho assistindo com alguma surpresa aos ataques que alguns músicos/cantores têm feito contra o CHEGA, circunstância que só por si nenhuma reprimenda me mereceria, desde que se restringissem a crítica política.

Se as figuras públicas/artistas são cidadãos e a política existe para servir todos os cidadãos, então todos eles se podem sobre ela manifestar. É líquido. Não é preciso ser Doutor para perceber a ideia.

Porém, aquilo que alguns artistas/figuras públicas se têm esquecido nos últimos meses, é que se quiserem criticar o CHEGA ou André Ventura com argumentos políticos ou ideológicos expressando com ele a sua discordância, disso estão no seu direito. Mas se a sua suposta crítica política não assentar em argumentos válidos mas antes na baixaria inerente ao vazio ético e cívico a que dão palco, deixam de estar no seu direito de opinião para passarem a ter de cumprir o seu dever de estar calados.

E não estejam já a chamar-me fascista. 

Não estejam porque eu ainda não acabei de escrever.

Nos últimos meses conto pelo menos 5 cantores que confundiram intervenção cívica com má educação ou direito de opinião com estupidez opinativa, a saber: Carolina Deslandes, Agir, Pedro Abrunhosa, o outro (que me perdoe mas que nem já me lembro o nome) que desmarcou um concerto que tinha depois de no mesmo local, antes, ter havido um comício do CHEGA e agora Olavo Bilac numa atitude que não lembra a ninguém.

Carolina Deslandes protagonizou, de todos os episódios, o mais aflitivo mas ainda assim aquele que apesar de tudo mais vontade me deu de rir. Gravou um vídeo que pelo aspecto deve ter sido feito de manhã, pouco depois de acordar e tomar banho, e como tantas vezes também a mim me acontece nesses momentos, mais parecia ainda estar bêbeda de sono porque pouco se percebia do que queria passar.

O grave foi ter deixado várias insinuações sérias no ar sem nunca as sustentar com a mínima solidez, o que muito francamente acabou apenas por resultar numa demonstração barata de como é possível ter 5 minutos de fama à custa de André Ventura.

Mas tivemos também o Agir.

Agir, perdoa-me que juro não te querer de maneira nenhuma ofender mas tenho que te dizer isto:

A ti gabo-te pelo menos a coragem de ainda apareceres em público porque pese embora as pessoas não se avaliem apenas pela imagem, (mas que ela conta, conta) eu se tivesse o mau aspecto que tu tens, na melhor das hipóteses já nem de casa saía. 

Estou no meu direito de to dizer, certo? Ou se fores tu a chamar alguma coisa ao André Ventura estás no teu direito e eu ao dizer-te isto estou a ser ofensivo, antiquado, xenófobo, fascista ou sei lá que mais?

Enquanto aguardo resposta, atentemos num tweet de Agir que passo a citar: “Não sei como vai ser no Twitter nem se vais ganhar mas pelo sim pelo não aproveito já para dizer enquanto posso que és uma m****”.

Será que Agir respondeu assim porque André Ventura o atacou? Não. Esta foi a resposta mais educada, polida e sobretudo conhecedora que o citado encontrou para rebater uma proposta política do CHEGA que tinha como objectivo punir com pena de prisão quem injuriasse polícias, magistrados ou guardas prisionais.

Mas Agir não ficou por aqui e aproveitando um dia de chuva em que certamente mesmo que o Sol a substituísse nem assim chegaria luz à sua obscura mente, utilizou uma vez mais as suas redes sociais para questionar e cito novamente “Quem está a rezar para que o André Ventura esteja num descampado agora?

Eu não sei se André Ventura se terá molhado, mas se são estas as mensagens que alguém que se julga figura pública considera serem condignas com esse estatuto, acho que o sujeito meteu água. 

Já Pedro Abrunhosa tem ganho nos últimos anos, uma certa aura de Zeca Afonso da modernidade. O grande problema é que Abrunhosa está para a política como tem estado nos últimos 30 anos para a música, leia-se, careca. (sem qualquer ofensa capilar que eu também para lá caminho)

Segundo consta terá afirmado que, e cito também (André Ventura) é um vigarista de feira”. 

Ora portanto. Pedro Abrunhosa instado a manifestar-se sobre o seu entendimento daquilo que a seu ver é o CHEGA, o seu líder e as políticas do partido, opta por uma tirada digna de qualquer lenhador do século XIV. Estou a imaginá-lo. Deve ter dito isto com um palito ao canto da boca e a arrotar a presunto depois de morfar uma bucha ao balcão da tasca do Zé Gordo.

Que qualidade discursiva! E que noção do respeito pessoal tem um dos mais conceituados músicos/artistas nacionais. Dá gosto! 

No fundo esta frase é bem demonstrativa do artista que temos por diante. Da mesma forma que conseguiu, (repito, muito merecidamente) fazer uma carreira musical sem saber cantar, pelos vistos é também agora capaz de categorizar as pessoas sem as conhecer. 

É capaz de ser melhor mudar as lentes dos óculos Pedro. Ou estão sujas ou embaciadas.

Mas só porque falamos em vigaristas de feira. Olhe que eu já paguei para ir ver determinados concertos musicais, e mesmo pagando bem e não sendo avisado, fiquei desconfiado que em grande parte do repertório o artista esteve muito tempo em playback. Só não me lembro bem se foi numa feira. Mas sei bem quem foi o artista. Ou melhor, aí sim, o vigarista. 

Portanto… adiante no que toca a vigaristas de feiras.

Prosseguindo na playlist deste artigo, do outro caramelo, como atrás referi, já não me lembro do nome e assim chegamos a Olavo Bilac que teve por sua vez uma postura bem mais triste que qualquer um dos intervenientes anteriores.

É que uma coisa, nem que seja pontualmente, é ser-se apenas parvo, (sendo até isso direito respeitável de cada um) mas outra, bem distinta, é ser pateta ao ponto de ir trabalhar e ter de justificar a sua presença no local de trabalho porque o mesmo era um jantar político.

E mais, mesmo que Olavo Bilac não estivesse no jantar do CHEGA a trabalhar mas sim como apoiante do partido (ou as duas coisas ao mesmo tempo) aquilo que eu quero perguntar muito claramente é: Alguém tem alguma coisa que ver com isso?

Afinal que espécie de país é este que andamos a construir?

Vivemos numa democracia ou a democracia só vale para algumas ideologias?

Qual é o Homem que tem de fazer um esclarecimento público no facebook apenas por ter ido trabalhar?

Ridículo!

Mas disse ainda Olavo no seu escrito: “Acho que devo uma explicação a toda a gente, além de a mim próprio. Sim, é verdade que fui atuar profissionalmente a um jantar privado do partido Chega, com o qual não tenho nenhum tipo de relação política ou afetiva.”

Pergunto eu: 

Deve dar explicações porquê? Cometeu algum crime?

Não tem qualquer relação afectiva com o partido. E se tivesse? Não podia? 

E se não tivesse com o CHEGA mas com outro partido político? Haveria problema? 

Nesse caso também haveria desmentido?

Um artista tem de ser apartidário?

Se não for apartidário deixa de ser hipoteticamente um grande artista?

Deve perder concertos se tiver ideologia política? (independentemente da que seja)

Deve perder público por isso?

Deve apenas ter como público aqueles que politicamente consigo se enquadrem?

No “Avante” só podem tocar comunistas?

No “Salão preto e prata” do Casino do Estoril só tocam/actuam magnatas de Direita?

Gostava de saber!

Mas não satisfeito, acrescentou ainda Olavo: “Mas percebo que errei. Nunca pretendi apoiar o Chega, assim como nunca apoiei qualquer força política para as quais já toquei ao longo de toda a minha carreira. Mas devia ter tido o discernimento para perceber que não era só mais um concerto para mais um partido e das implicações que esta atuação profissional iria desencadear”.

Pergunto eu:

Mas errou porquê?

Não pretendeu apoiar mas e se o fizesse? Não podia?

Seria crime?

Fazê-lo diminui alguém?

Se durante toda a vida tocou para todos os partidos e nunca deu satisfações por isso, porque motivo o fez agora com o CHEGA?

Foi pressionado por alguém a fazê-lo?

Implicações profissionais? Quais implicações?

Alguém o ameaçou pela prestação? Se sim, quem? Porquê? Quando? Onde?

Mas Olavo foi mais longe e aclarou:

Peço desculpa ao meu público que de algum modo se tenha sentido ofendido por esta situação, uma vez que sempre defendi valores enquanto cidadão independente bem diferentes daqueles apregoados por este partido. Peço desculpa também aos meus pares da indústria, músicos que já tantas vezes hipotecaram o dia devido aos seus princípios”.

Pergunto eu:

Pedir desculpa ao público? Porquê?

O público sentiu-se ofendido? Porquê?

Defendeu valores distintos deste partido? 

Quais são os seus e quais acham serem os nossos?

Porque os considera assim tão distintos?

Porque o acha mesmo ou porque o peso mediático obriga a que o diga?

Pedir desculpa aos pares, à indústria da música, músicos e o raio que os parta a todos? 

Porquê Olavo?

Amigos:

Toda esta celeuma demonstra bem aquilo em que se transformou Portugal. Um reduto de gente sem valores, sem espinha dorsal, sem substância, sem verticalidade, sem imparcialidade, sem educação, sem maturidade, sem identidade própria, sem personalidade, sem profissionalismo, sem coragem, sem desassombro e sobretudo sem democraticidade. 

Mas também um país em que o medo impera. Em que ir a algum lado já obriga a esclarecimentos ou onde determinada identificação política apenas pode ser vivida na penumbra porque mediaticamente não é politicamente correcto assumi-la.

Volto a questionar: 

Não eramos nós, os do CHEGA, quem na boca dos outros eram os perigosos fascistas de extrema-direita e sei lá que mais, que vinham para colocar em causa todos os direitos e as liberdades das pessoas?

Curioso. Curioso ou talvez nem tanto. Como se costuma dizer a verdade vem sempre ao de cima e neste caso muito rapidamente se destruiu toda esta narrativa. Não só mas também por estes episódios. Episódios que nos demonstram que o perigo que ensombra o nosso país não reside no CHEGA mas antes nas forças do bloqueio do regime, que tendo tentáculos em todos os ramos de actividade imediatamente querem asfixiar a presa quando esta aparente fazer algo que signifique mudança, roptura, ou libertação do país para com um futuro melhor.

Nesse cenário a ferramenta é apenas uma e a postura, outra: censura e maledicência!

Cada um sabe de si!

Eu continuarei a ouvir a Carolina Deslandes, o Abrunhosa, o Olavo e até o Agir.

Continuarei a ouvi-los, a admirá-los pelo seu trabalho enquanto artistas e por incrível que pareça a respeitá-los enquanto pessoas e portugueses. 

Não porque ache que tenham feito por merecê-lo.

Mas porque me considero portador da maturidade, educação e urbanidade que lhes falta.

Rodrigo Alves Taxa