Portugal Amordaçado – Tomo II

Começar um artigo com o título de um livro escrito por Mário Soares nunca é bom presságio. No entanto, se Mário Soares escreveu em tempos sobre o que considerava ser a mordaça do SEU Portugal, julgo que também eu posso escrever sobre a do MEU.

O que hoje me leva a escrever é a ofensiva concertada em vários domínios da nossa sociedade e que tem como principal objectivo destruir a imagem do CHEGA, dos seus dirigentes e dos seus militantes, criando uma sombra à sua volta capaz de levar os portugueses a pensar que quem os coloca a todos em risco é o CHEGA e não eles próprios.

É assim uma espécie de psicologia invertida aquilo a que assistimos diariamente no nosso país e passarei de imediato a dar alguns exemplos do que acabo de considerar, exemplos esses que são tão claros e básicos que qualquer criança do primeiro ano de escolaridade os compreenderia.

Primeiro argumento – O CHEGA foi criado para destruir o regime

Resposta:

O CHEGA não foi criado para destruir o actual regime político português. O regime político português destruiu-se a si próprio, sobretudo nos últimos 25 anos em que, de cada um desses anos para o que se lhe seguia, menor era a qualidade de vida dos portugueses e mais se afastava o país dos seus parceiros comunitários (com a agravante de estarmos hoje já muito atrás de outros tantos que entraram na União Europeia depois de nós) afigurando-se cada vez mais escuro o futuro das gerações mais novas.

 Entre um Partido Socialista que vive há 46 anos à mama do Estado (o que se compreende porque o Socialismo é exactamente isso), um PSD que perdeu completamente a espinha dorsal e um CDS-PP que sempre teve medo de se afirmar como o representante da direita portuguesa, surgiu o microcosmos perfeito para que os Blocos desta vida e os destruidores da identidade nacional fizessem o resto.

Portanto, o CHEGA não foi criado para destruir o regime. Nem o vai destruir. Pela simples razão de que isso já aconteceu. Pelas mãos e atitudes dos que estão assentes em privilégios e boa vida há quatro décadas. É preciso outro regime político em Portugal e ele só pode surgir passando pelo CHEGA.

Segundo argumento – O CHEGA é uma força de extrema-direita

Resposta:

Não meus caros. O CHEGA não é uma força política de extrema-direita. Desde logo porque na prática, desde o 25 de abril até hoje, nunca houve sequer uma convicta e verdadeira direita em Portugal. Havia assim uma espécie de duas coisas que conforme soprava o vento se diziam de direita, mas que rapidamente voltavam atrás quando já não lhes parecia que isso fosse boa ideia. Da mesma forma que em eleições procuravam piscar o olho ao eleitorado em causa, mas volvida a contagem dos votos, dele se esqueciam de imediato.

O que choca toda a esquerda nacional é que, pela primeira vez desde abril de 74, há quem se assuma, sem medo, como sendo de direita.

Agora, Extrema-direita? O CHEGA garantidamente não é nem admite qualquer identificação com tamanha patetice principiológica, servindo o epíteto apenas para meter medo às pessoas.

Ainda mais ridículo se transforma toda esta celeuma quando, à parangona da suposta identidade de extrema-direita do CHEGA, se juntam os chavões de que André Ventura é Nazi ou aparecem frames de imagens meticulosamente escolhidas para ilustrar que o próprio até mete a mão no ar como quem o era, fazia.

Eventualmente muitas pessoas não saberão e os que sabem querem escondê-lo, mas o partido de Hitler defendia o nacional socialismo. O nacional socialismo é de esquerda. E Hitler também o foi. Portanto não sendo o CHEGA uma coisa, nem André Ventura a outra, não percebo que raio de confusão é esta que assenta num suposto extremismo de direita, numa doutrina e personalidade histórica de esquerda.

Deve ser qualquer coisa que alguns pseudo iluminados nacionais descobriram assim de repente à pressa para uma vez mais enganarem o país.

Terceiro argumento – O CHEGA é um partido racista e xenófobo

Resposta:

Para responder a este argumento eu desafio qualquer pessoa a enumerar um episódio, um episódio apenas em que o CHEGA tenha defendido qualquer uma destas práticas. Já sei que os burros de serviço, os esquerdóides mentecaptos lá virão com as polémicas que envolvem minorias ou políticas de imigração.

Vamos então a elas:

O que o CHEGA sempre defendeu foi que numa sociedade não pode haver beneficiados, independentemente da forma em que se exerce esse benefício, nem que seja por negligência ou apatia de resposta a problemas existentes.

O que sempre igualmente afirmou é que não pode haver quem se mate a trabalhar e tenha de pagar os seus impostos enquanto outros, sem fazer coisa nenhuma, não só não os pagam como ainda recebam subsídios.

Isto é ser racista e xenófobo? Onde? Como? Com quem? Porquê?

O que o CHEGA sempre defendeu foi que quem viesse para o nosso país teria de se submeter aos nossos princípios, normas, valores e tradições nacionais. Nunca disse que não queria cá estrangeiros. Podem vir, mas uma vez cá vindo, estando ou residindo, terão de viver de acordo com a cultura portuguesa e a matriz identitária nacional.

Isto é ser racista e xenófobo? Onde? Como? Com quem? Porquê?

Ser racista e/ou xenófobo não é deixar de falar em certos temas por serem fracturantes ou dos que violam as normas e preceitos de urbanidade diária e em sua alternativa exigir a todos os outros, independentemente de quem sejam, que cumpram os seus deveres, criando uma espécie de bipolaridade social em que a uns tudo se exige e a outros nada se lhe proíbe.

Exemplos práticos:

Há uma operação policial. Se as forças de segurança forem ofendidas por um individuo negro, o racismo está em actuar contra ele por ser negro, ou simplesmente não lhe fazer nada por não ser branco?

A lei portuguesa não permite o casamento quando os noivos sejam menores de idade. Ora se um cidadão que obrigue um descendente a casar sendo menor (o que por si só já é ilícito) é punido, por que motivo quem sendo de determinada etnia, se o fizer, não é?

Basta pensar! Não há aqui nada de racismo com quem quer que seja e sobre o que for.

O CHEGA condena o racismo e todos quantos sejam racistas independentemente do que motiva esse sentimento e postura. O que não admite é uma sociedade dupla tal como antes se disse. E muito menos admite que a bandeira do racismo ou da xenofobia se torne a desculpa perfeita para que determinadas pessoas não possam ser alvo dos mesmos deveres de rectidão e urbanidade que se impõem a todos os demais.

Quarto argumento – O CHEGA é um partido de um homem só

Se o CHEGA é um partido de um homem só, torna-se difícil compreender como chegou André Ventura ao parlamento português pelo que deixo um conjunto de questões:

 – Terão sido os perfis falsos que as revistas dizem existir que elegeram André Ventura deputado da nação?

 – Perfis esses que as revistas dizem existir, mas que ninguém apresentou provas de que tal é verdade?

 – Querem ver que quando o CHEGA faz um jantar com 200, 300, ou 500 pessoas, afinal não são pessoas que lá estão, mas sim hologramas?

 – Querem ver que na manifestação de Lisboa que juntou quase 2000 pessoas, com o mérito de todas as normas de segurança e distanciamento social impostas serem cumpridas, eram gigantones de corsos carnavalescos do Norte?

 – Querem ver que quando é feita uma sondagem e as pessoas afirmam ir votar no CHEGA, aquilo afinal não são pessoas, mas antes gravadores milimetricamente preparados com respostas pré-definidas para questões também elas já treinadas?

 – Querem ver que eu próprio que assino este artigo também não existo e sou apenas um fantasma de mim próprio que apenas existe no limbo da minha essência?

Todas estas questões são ridículas. Como ridículo é quem baseia tudo o que diz neste tipo de disparates.

Quinto argumento – O CHEGA é um partido fascista e censor

Outra das parangonas lançadas aos sete ventos é de que o CHEGA tem assim uma costela de fascista e censor. Ora, na verdade, se o CHEGA o fosse não admitiria nem metade das alarvidades que sobre ele se dizem diariamente.

Vejam uma vez mais até onde vai o ridículo quando ouvimos durante semanas vários meios de comunicação social afirmar que André Ventura tinha fugido à sua promessa e não seria deputado a tempo inteiro. Quiseram inventar e esqueceram-se do que André Ventura sempre disse. Que por ser um homem de palavra e desejar cumprir os seus compromissos até ao fim, levá-los-ia aqui também e terminados os prazos dos seus outros vínculos laborais seria deputado em exclusividade.

E assim é. Desde julho.

Então agora já não se fala no assunto porquê?

Quantos deputados o fazem ou serão capazes de o fazer também?

E no que diz respeito a fascismos e práticas ditatoriais diversas:

 – E o arranjinho PS/PSD para acabar com os debates no parlamento com o primeiro-ministro que apenas servem para calar a oposição?

 – E as constantes tentativas de calar o CHEGA na Assembleia da República, alterando por diversas vezes os procedimentos regimentais, de modo a que o CHEGA tenha cada vez menos voz activa?

 – E a retirada de um projecto de lei do CHEGA da ordem de trabalhos de um plenário uma hora antes de ele se realizar porque o governo não queria discutir uma matéria que o incomodava?

 – E um contínuo propagar de artigos, abaixo-assinados e o diabo a quatro, supostamente assinados por altas entidades nacionais sem que, no entanto, alguém tenha ouvido falar na maior parte delas, pugnando pela ilegalização do CHEGA?

 – E um artigo assinado por um Catedrático de Direito do Porto, que por si só me merece todo o respeito, mas que estando ferido de total enviesamento jurídico/doutrinário, aconselha o parlamento a criar uma espécie de comissão para controlar aquilo que o CHEGA diga, escreva ou faça?

(Quanto a este artigo, em tempo oportuno e juridicamente, igualmente responderei)

 – E os canais televisivos que levando todos os políticos de esquerda aos seus programas, nem que seja para cozinhar uma cataplana de peixe, barram constantemente André Ventura a esses mesmo programas, ou pelo menos dele se esquecem, para não terem de dar a mão à palmatória e admitirem que estão a ser injustos com quem não devem ou, em minha opinião, controlados por quem deviam escrutinar?

 – E os ataques que Riccardo Marchi tem sofrido, quando após estudar imparcialmente o CHEGA e vir dizer tudo aquilo que eu aqui procuro uma vez mais aclarar,  que todos lhe têm feito, dizendo mesmo que o seu estudo é enfermo de graves descontextualizações e ineficiências disto ou daquilo?

 – E o nepotismo político e de teias de cumplicidade familiar que de há décadas a esta parte norteiam a política nacional, tendo atingido o seu expoente máximo no último governo, em que segundo vários meios de comunicação social nacionais, o executivo era composto maioritariamente por pessoas altamente próximas ou com relações familiares/afectivas? 

Depois de tudo isto o André Ventura é que é fascista?

O CHEGA é que é um perigo para Portugal?

Pior que um cego, só o que não quer ver.

Meus amigos, agora é que Portugal está mesmo amordaçado.

 – Amordaçado por todos quantos durante quarenta e muitos anos têm vivido à conta do regime;

 – Amordaçado por todos quantos se serviram do 25 de abril para melhorar a sua vida pessoal e dos seus e não a vida de todos os portugueses como ousaram prometer;

 – Amordaçado por forças de esquerda e outras, essas sim, de extrema esquerda, que apregoando a liberdade para si próprios, transformam a liberdade dos outros naquilo que apenas queiram que ela seja;

 – Amordaçado por uma santa aliança entre um Partido Socialista podre, bafiento e altamente viciado e um Partido Social Democrata sem espinha dorsal;

 – Amordaçado por todo um conjunto de chupistas que sabem que só podem continuar a sê-lo se impedirem o crescimento do CHEGA, tentando por isso destruí-lo a todo o custo;

É apenas isso o que move toda esta força diabólica que quer fazer do CHEGA, dos seus dirigentes, dos seus militantes, dos seus apoiantes, dos seus simpatizantes, pessoas de mal, pessoas duvidosas e em quem não se pode confiar.

Mas tranquiliza-me saber que no dia do voto, pelo menos enquanto os governantes permitirem que continuemos livremente a votar, atrás de quem for a uma cabine de voto para manifestar quem quer que o governe, não vai estar ninguém a ver, controlar ou influenciar essa decisão.

Aí meus caros, aí sim vamos ver quão poucos são ou não os que veem no CHEGA a renovação de Portugal.

Rodrigo Alves Taxa
Assessor jurídico do CHEGA