Presidenciais: votemos pelo enterro digno do cadáver (2)

Eleições Presidenciais de 2021

O Meu Diário de Voto em André Ventura por Gabriel Mithá Ribeiro

Leia diariamente nesta página textos, excertos ou frases destinados a resgatar os portugueses da alienação mental imposta pelas elites jornalísticas, académicas, intelectuais, políticas ou artísticas de um regime falido. Contra ele, André Ventura e o CHEGA fazem germinar uma força moral e cívica imparável que fará nascer a IV República Portuguesa. 

 Para captar audiências, a comunicação social colocou o sentimento de pânico moral na ordem do dia. Pretextos não faltaram: corrupção, pedofilia, criminalidade, violência doméstica, indisciplina nas escolas, fuga aos impostos, abandono de idosos, atentados contra o património edificado, condução perigosa, terrorismo, violação de fronteiras territoriais. Como é próprio dos estereótipos, existe um fundo de verdade em tudo isso. 

O problema é que os mesmos que há décadas alimentam o pânico moral em vez de retirarem as devidas consequências, agravar a censura institucional e social contra os maus comportamentos desde a infância, têm feito justamente o inverso. Desembocámos num caso clássico de alienação mental porque os que radicalizaram a visibilidade social do monstro do mal social, na hora da verdade o seu jornalismo de causas fê-los proteger os diversos rostos desse mesmo monstro bem mais do que as suas vítimas, quer desculpando muitos dos agressores considerando-os vítimas do sistema económico, colonial, social, racial, religioso, capitalista, explorador, por aí adiante; quer deslegitimando e censurando a autoridade e a ordem na família, na escola, no espaço público, por aí adiante; quer ainda normalizando a presença no espaço público de políticos da cor do poder que são o rosto do pânico moral. 

Tão grave desequilíbrio entre a perceção social do mal e a desculpabilização constante desse mal gerou um curto-circuito na moral social. Ele transformou as ameaças à vida habitual, antes de baixo perfil, em bolas de neve que impulsionam a desordem, a insegurança, a falência da moral social dado o sentimento de impunidade voluntária ou involuntariamente instigado. 

Como as demais sociedades ocidentais, a sociedade portuguesa ficou sem alternativa a ter de refazer o consenso moral em função do novo contexto. Ninguém hoje pode fingir que é inocente ou que está chocado (é preciso ser demasiado cínico para chegar a tal limite) com o ressurgimento da discussão sobre a reposição da pena de morte ou a introdução da castração química e física de pedófilos, entre outras reivindicações que visam restaurar referentes credíveis de confiança social na justiça e na crença numa vida quotidiana regulada e tranquila onde quer que seja, sem guetos de insegurança, de manhã à noite. 

A esquerda alegre brincou até romper praticamente com todos os consensos morais e agora esconde a mão. Não só não assume as suas responsabilidades, como denuncia quem tem consciência do que tem de ser feito e como, e quanto mais tarde tanto pior. 

Claro que é legítimo alimentar dúvidas sobre o tipo de propostas de André Ventura e do CHEGA que permitem que a aplicação da justiça pelo Estado possa ter consequências na integridade física de agressores comprovados (um tipo de justiça que distingo da prisão perpétua cuja legitimidade moral não me suscita dúvidas). Porém, tenho a certeza absoluta que os atuais posicionamentos dessa nova e única força política que tem uma resposta efetiva para a falência institucional e social da justiça conduzirão aos resultados de que a sociedade portuguesa atual mais necessita. 

De resto, no estádio civilizacional a que chegámos qualquer condenação judicial que envolva uma punição física violenta por parte do Estado (pena de morte, castração química ou física de pedófilos, entre outras) ficará sempre sujeita a todo o tipo de garantias, recursos, moratórias, intervenções ad hoc de outros órgãos de soberania e da parte das mais variadas associações cívicas ou religiosas. Mesmo que nunca ou muito raramente tais sentenças se materializem até às últimas consequências, e por isso mesmo, elas garantirão um forte poder dissuasor capaz de restaurar o consenso moral e de reconquistar a confiança na justiça e a sua viabilidade funcional. 

A irresponsabilidade das elites da III República Portuguesa gerou uma das mais graves ruturas na justiça enquanto tradição civilizacional e enquanto instituição fundamental e, por isso, essas elites e o seu regime já nem sequer parecem um farrapo moral, são mais um cadáver. Enterremo-lo civilizadamente votando em André Ventura nas eleições presidenciais de 2021. 

Gabriel Mithá Ribeiro