Em que país do Terceiro Mundo as Forças de Segurança têm automóveis parados por falta de verba para combustível ou avariados por velhice e ausência de manutenção? Em que país subdesenvolvido as Forças de Segurança não têm, por vezes, sequer o material mais básico necessário para cumprirem as suas missões?

Em que país surrealista as Forças de Segurança têm de pagar do seu próprio bolso os coletes anti-balas e as botijas de gás pimenta necessários para o seu trabalho de manutenção da ordem e segurança pública?
Sim, esse país é Portugal!.

O que é a paz? A paz é a ausência de guerra. As Forças de Segurança são a paz. Só se sente a sua falta em situações críticas de falta de segurança. De resto… parecem perfeitamente dispensáveis. Esquecemo-nos, porém, que o simples facto de o avô poder, sem sobressalto, ir buscar o neto à escola ou a idosa, mesmo à noite, poder geralmente levantar dinheiro de uma qualquer caixa multibanco sem medo de ser assaltada, esquecemo-nos – repito – que estes simples factos do dia-a-dia, para poderem banalmente acontecer, têm de ter por detrás homens e mulheres anónimos que muitas vezes nem se vêem mas que estão lá, para manterem a segurança do cidadão. Que o digam, povos até nossos irmãos, o inferno em que se pode transformar a vida quotidiana devido à falta de ordem e segurança pública.

Independentemente de idade, sexo, etnia ou religião, as Forças de Segurança estão lá. Estão sempre lá. Com risco, muitas vezes, da própria vida. Sem o prometido subsídio de risco repetidamente prometido por sucessivas Governos, mas nunca concretizado. Sem aumentos salariais há mais de 10 anos. Com frequência sem folgas (ou folgas alteradas e diminuídas por imperativo de missões públicas). Com horários alargados. Sem formal direito a greve. Sem o material profissional devido. Sem – e isto é muitas vezes é o que dói mais – o devido reconhecimento da população, que se habituou, devido a muitos anos de campanha das esquerdas políticas, a considerar as Forças de Segurança uns malandros abusadores da autoridade e violadores dos direitos humanos.

“Ó da guarda”. “Chamem a polícia”. É na aflição que se pede urgente socorro às Forças de Segurança. Mas é preciso que elas estejam lá, vigilantes e activas, em condições de eficácia. E isso não está a acontecer. Quem não está por dentro do assunto não imagina a degradação que as Forças de Segurança têm sido alvo (para não ir mais atrás) nos últimos 10 anos!

Pertencer às Forças de Segurança a maior taxa de suicídio profissional nacional atesta bem as condições psicológicas e materiais como estes discretos homens e mulheres exercem (sem queixumes de monta) as suas missões. Por tudo isto, apoia-se a manifestação das Forças de Segurança programadas para a próxima quinta-feira dia 21. Têm toda a razão. Porque, sim ao estado em que isto chegou… só falta pagar para se ser polícia.

José Dias,
Vice-Presidente do Partido CHEGA com o pelouro da Segurança e da Justiça