Só os mentecaptos derrubam estátuas!

Antes de começar a escrever este artigo procurei avidamente encontrar no meu vocabulário uma palavra que fosse capaz de ilustrar na totalidade o que para mim verdadeiramente representam todos quantos hoje, por uma razão ou por outra, ocupam o seu tempo a derrubar estátuas por esse mundo fora.

Só encontrei uma e, pese embora lamente de antemão saber que vou ferir as susceptibilidades de alguns, quem o faz é, a meu ver, apenas e só um verdadeiro mentecapto.

Há depois algumas nuances nesta imbecilidade porque, sendo que todos quantos se envolvem nestes movimentos são imbecis, há o imbecil esperto que apenas incentiva ou manda derrubar e o imbecil burro que a seu mando ou instigação derruba sem que sequer chegue a perceber porque o faz.

E que fique claro desde já, para que não haja aqui quaisquer equívocos, a mim tanto se me dá como se me deu se quem anda a derrubar estatuária é branco, preto, de direita, esquerda, descendente de escravos ou da aristocracia mundial.

Estou-me nas tintas para tudo isso.

Primeiro porque as estátuas não estão a ser atacadas para combater símbolos, ideologias, personalidades, regimes ou épocas supostamente racistas. O que está verdadeiramente em curso é uma manobra concertada das forças de esquerda e extrema-esquerda para, uma vez mais, como sempre fazem, alterarem a História, transformando-a, não naquilo que ela é, mas naquilo que queriam que fosse.

Portanto estamos no campo da pura imbecilidade. Uma imbecilidade perigosa, mas ainda assim mera imbecilidade.

Cada um de nós, independentemente da nacionalidade que tenhamos, do continente onde vivamos e de todas as diferenças que dentro de cada país as suas respectivas sociedades tenham, deve ter apenas uma única coisa como sagrada. Essa coisa é a História.

A História não se altera, não se readapta, não se apaga, não se molda, não se reescreve e sobretudo não se maltrata. A História de cada país e do que sendo a junção de todas as Histórias nacionais compreende assim a História Mundial deve ser respeitada.

Podemos não concordar com ela ou com personalidades que dela fizeram, fazem e sempre farão parte, mas não concordar é distinto de apagar ou destruir. As personalidades históricas, independentemente do quadrante político que representem, devem continuar a estar onde sempre estiveram, bem como todos os monumentos que as representam.

Quem não sabe compreender o passado não respeita o presente, e quem não respeita o presente não pode vislumbrar futuro.

Até porque, além de imbecilidade, derrubar estátuas é igualmente sinónimo de imaturidade pessoal, cívica e política. Quem considerar que pelo derrube de uma estátua se elimina a influência ou importância que determinada personalidade teve, tem e sempre terá no reconhecimento público dos seus feitos ou contributos, engana-se. Engana-se e passa da imbecilidade para a boçalidade.

Tal como é uma verdadeira boçalidade, concretamente no que à estatuária portuguesa diz respeito, o vandalismo exercido sobre os monumentos a figuras como o Padre António Vieira, o Cónego Melo, Baden-Powell ou as pretensas petições contra as demolições da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos ou ainda o pedido de mudança de nome para os jardins do império na zona dos Jerónimos.

É que no caso português, os que para estes actos de vandalismo contribuíram, além de imbecis e boçais, são igualmente acéfalos.

Só um acéfalo se pode propor a mudar a história, no caso pela destruição de estátuas que a representam, sem que, no entanto, a conheça bem, bem como aqueles a que censura.

Só um acéfalo pode pintar a palavra “descoloniza” na estátua do Padre António Vieira quando este homem foi um acérrimo defensor dos direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração, escravização e fazendo a sua evangelização. Tanto que, mais tarde, ao abrigo desta sua postura e por ter defendido os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, a abolição da escravatura e ter criticado os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição, tenha depois por ela acabado perseguido.

Só um acéfalo pode vandalizar a estátua do Cónego Melo quando este homem foi importantíssimo naquela que foi a resistência do Norte e com apoio da Igreja aos avanços da esquerda e da extrema esquerda nacional, que tal como na nossa época, já na sua queriam transformar Portugal numa ditadura.

Tanto que o afastamento desta mesma ditadura só foi finalmente alcançado pela articulação estabelecida entre o Cónego Melo, o MDLP de Spínola que então se encontrava em Madrid, o denominado Grupo dos Nove e Mário Soares, tendo desta comunhão de esforços resultado o 25 de novembro.

Qual é o próximo passo?

Vandalizar a campa de Mário Soares?

Não sejam mentecaptos.

Só um acéfalo pode decapitar o busto de Baden-Powell, ao abrigo de umas quaisquer pretensas e supostas simpatias manifestadas por este face a Hitler, quando ninguém sequer por um lado percebeu ainda a veracidade dessa circunstância e, por outro, fazendo querer esquecer os ideais do escutismo que tantos milhões de pessoas de bem têm norteado por esse mundo fora.

Só um acéfalo pode sequer imaginar a destruição da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos ou ainda o pedido de mudança de nome para os jardins do império na zona dos Jerónimos, quanto mais depois propô-la.

É este o mundo que a esquerda e extrema-esquerda a todos nos querem impor. É contra este mundo podre, descaracterizado, sem rei nem roque, sem cultura, sem objectividade, sem valores, sem verticalidade, sem exemplos que nos querem impor que temos de lutar.

Cabe-nos a todos com urbanidade, mas igual severidade fazê-lo.

Rodrigo Alves Taxa