Só um deputado inapto diz preferir Xi Jinping a Donald Trump

Por vezes não são precisas grandes conversas para que se perceba que a maior das enfermidades da política nacional é estar maioritariamente entregue a quem não serviria para tirar um café quanto mais para ser parte da gerência do país.

O mais recente exemplo do que digo é a resposta abstrusa do deputado e candidato a secretário-geral da Juventude Socialista, Miguel Costa Matos, que em entrevista, ao ser instado a escolher entre Donald Trumpo ou Xi Jinping escolheu o ditador do Partido Comunista Chinês em detrimento do Presidente de um dos mais importantes aliados de Portugal.

Mas como antevejo que este artigo possa gerar incómodo em muitos esquerdistas natos e no visado podendo surgir a tentação de me acusarem de recorrer à ofensa pessoal para fazer política, clarifico desde já que não tenho, genuinamente, a mínima intenção de ofender ou desrespeitar quem quer que seja, muito menos o deputado em causa.

Até porque se recorrermos a um dicionário de língua portuguesa veremos que inapto é todo aquele que não tem preparação ou capacidade; que é inábil, inepto, insciente, impróprio ou não adequado, portanto, afirmar que só um deputado inapto pode dizer um disparate destes não representa nenhuma ofensa pessoal ou política mas antes e tão-somente, por tudo quanto antes se elencou, uma mera constatação etimológica.

Feito o esclarecimento importa depois aclarar que episódios como este demonstram ainda que no universo dos deputados portugueses, a inaptidão e/ou impreparação política para tal cargo é entre si generalizada.

 – Terá este inapto deputado socialista noção do que as suas palavras representam num contexto de geopolítica internacional e na deterioração da imagem política de Portugal no estrangeiro?

 – Terá este inapto deputado socialista noção que o que disse ofende gravemente a relação que Portugal deve sempre priorizar com quem represente a liberdade dos povos e nunca com ditadores que promovam o seu contrário?

 – Terá este inapto deputado socialista noção que depois dos alertas que altos dignitários americanos fizeram a Portugal para que se definisse no tabuleiro de xadrez entre EUA e China, declarações como esta podem aumentar a desconfiança nas relações bilaterais entre os dois países?

 – Terá este inapto deputado socialista noção que preferindo Xi Jinping a Donald Trump, disse preferir, preto no branco, (espero não me chamarem racista também por esta expressão) um líder político que subjuga todo um país ao espartilho do Partido Comunista Chinês que trata a esmagadora maioria das pessoas como verdadeiros animais e alavanca a força económica da sua potência na miséria do maioria do povo que para ela trabalha, sendo esse o único segredo da riqueza chinesa?

 – Terá este inapto deputado socialista noção que a maior parte do povo chinês pode passar uma vida inteira sem saber o que é, por exemplo, o sabor de um pedaço de carne? (Calma André Silva. Calma que para ti já mandei vir um molho de brócolos)

 – Estará consciente este inapto deputado socialista que as suas declarações ofendem inclusivamente a História do Partido Socialista que sempre privilegiou, desde os tempos de Mário Soares, uma relação de extrema proximidade com os Estados Unidos da América em detrimento da inumana ideologia comunista que faz largas décadas devia já ter sido erradicada, de uma vez por todas, do mundo moderno?

 – Terá este inapto deputado socialista noção que escolher Xi Jinping em detrimento de Donald Trump significa preferir uma sociedade que pelos traços culturais que tem e que são tão distintos dos ocidentais, representam, por si só, um desrespeito completo pelos valores fundacionais da europa moderna bem como das mais elementares condutas de patriotismo histórico que devem caracterizar um português?

 – Estará inclusivamente consciente este inapto deputado socialista que declarações como esta podem criar fortes problemas no que diz respeito à presença e confiança americana na Base das Lajes atendendo a questões de redefinição de predominâncias político-militares e seu posicionamento atlântico?

Resposta a todas estas questões: Não, não está. O que é gravíssimo!

Este deputado socialista, inapto, como outros, diga-se, não tem noção da profundidade do disparate que disse. E não me interessa sequer que possa vir dizer que estava a brincar ou que a dada altura terá perguntado “Nenhum é hipótese?”. Interessa-me o que depois disse! Não se brinca com coisas sérias. Muito menos em política.

O avanço generalizado do peso chinês nas sociedades ocidentais mas sobretudo nas economias europeias representa um dos maiores perigos geopolíticos das próximas décadas, esse sim capaz de alavancar uma nova ordem mundial que pode destruir o globo político e a dignidade da pessoa humana como a conhecemos.

De resto, esta circunstância é já bem sentida no nosso país pelas várias vendas de empresas ou comparticipações empresariais, outrora estratégicas e no domínio do Estado, a consórcios empresariais maioritária ou totalmente detidos pelo Estado chinês (que é como quem diz pelo Partido Comunista Chinês), numa presença que lesa ainda mais a nossa já tão residual soberania nacional.

Portugal e os políticos portugueses não podem ter ambiguidades.

O foco deve ser manter as alianças históricas que o país tem, nomeada e primordialmente com os Estados Unidos da América, (retomando uma política negocial preferencial consigo e com países europeus) e internamente lutar pela afirmação de uma Europa de Nações que pelo reforço de cada soberania nacional, consiga então, depois, reforçar o peso comunitário.

Rodrigo Alves Taxa

Assessor Jurídico do Gabinete Parlamentar do Partido Chega