Uma no Cravo e outra na Ferradura

Assistimos hoje, na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República, a diversificados discursos sobre a efeméride.

Ouvindo o Senhor Presidente da Assembleia da República, pensei, por momentos, que se referia a outro país que não o nosso. Um país onde o poder político não tente condicionar a Justiça, um país onde os idosos não sejam vistos como incómodos, um país onde a corrupção não grasse e saia cara ao contribuinte, um país onde os Combatentes não sejam esquecidos e até mal vistos.

Como comemorar a liberdade e este dia, quando tentam ilegalizar um partido legalmente constituído apenas porque tem expressão eleitoral e isso não agrada aos donos-disto-tudo? Como comemorar a liberdade ignorando os políticos detentores de mandatos conferidos pelos Portugueses o desagrado destes, como hoje se viu pelos apupos à saída da Assembleia da República? Como comemorar a liberdade detendo um manifestante na escadaria da Assembleia da República? Como comemorar a liberdade se o pequeno comércio está há mais tempo fechado do que aberto? Como??
E o elefante no meio da sala, o Processo Marquês e o seu principal protagonista, de quem ninguém falou? Entre discursos virados ao CHEGA mas sem coragem para o seu nome proferir, a discursos de embalar, os aplausos da liberdade na Casa que deveria ser da Democracia apenas também só existiram para alguns. A verdade dói e é incómoda, mas não é por enterrar a cabeça na areia que a verdade passa a mentira. O sistema está podre e a Democracia de luto.

André Ventura discursou de cravo preto na lapela. Abril não se fez para isto e o povo sabe-o. Abril nada seria sem Novembro. A resposta do CHEGA virá nas urnas e será já nas próximas Autárquicas. Pena que os protagonistas de sempre prefiram dar uma no cravo e outra na ferradura.


Fernanda Marques Lopes
Presidente do Conselho de Jurisdição Nacional