Os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), enfrentam diariamente diversos desafios no sistema educativo português na atualidade. Embora existam avanços na inclusão escolar, ainda há uma grande lacuna entre a teoria e a prática, resultando em barreiras que dificultam o pleno desenvolvimento das crianças e jovens com necessidades.
Uma das principais dificuldades, é a falta de meios técnicos adequados. Muitas escolas não possuem materiais adaptados, como “softwares” específicos, tecnologia assistida e mobiliário adequado para alunos com mobilidade reduzida. Além disso, há uma carência de recursos didáticos acessíveis, como livros em braile, “audiolivros” ou ferramentas para alunos com dislexia e outras dificuldades de aprendizagem. Sem estes apoios, muitos alunos não conseguem acompanhar o ritmo das aulas, o que compromete o seu sucesso académico e emocional.
Outro grande obstáculo é a escassez de pessoal especializado nos Agrupamentos de Escolas. O número de professores de educação especial, pessoal não docente e terapeutas (como terapeutas da fala, psicólogos e fisioterapeutas) é insuficiente para dar resposta a todas as necessidades existentes. A sobrecarga dos profissionais disponíveis impede um acompanhamento individualizado eficaz, essencial para o desenvolvimento destes alunos. Além disso, muitos professores do ensino regular não possuem formação adequada para lidar com a diversidade de necessidades, o que pode resultar em práticas pedagógicas inadequadas e na exclusão dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).
A falta de auxiliares de ação educativa também é um problema crítico. Muitos alunos com Necessidades Educativas Especiais, necessitam de apoio constante para se deslocarem no espaço escolar, realizarem atividades diárias ou compreenderem as tarefas escolares. No entanto, o reduzido número de assistentes operacionais, ou auxiliares de ação educativa, faz com que essa ajuda seja insuficiente, colocando em risco a autonomia e o bem-estar dos alunos.
Outro aspeto preocupante é a estrutura das salas de aula, muitas vezes inadequada para promover a verdadeira inclusão. Turmas sobrelotadas e métodos de ensino padronizados, dificultam a personalização da aprendizagem, tornando o ambiente escolar pouco acessível para alunos com dificuldades específicas. Sem estratégias diferenciadas, esses alunos acabam por ficar à margem do ensino, com um sentimento de frustração e desmotivação crescente.
É essencial, que o sistema educativo invista na capacitação de professores, na contratação de mais profissionais especializados e na disponibilização de meios técnicos adequados. Só assim será possível garantir uma educação verdadeiramente inclusiva, onde todos os alunos tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. Sem estas mudanças, a inclusão continuará a ser apenas um ideal distante, em vez de uma realidade concreta.
Paulo Seco
(Presidente da Distrital de Coimbra)