Exmo. Sr. Presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Arganil, Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Arganil,
Exmos. Senhores Vereadores,
Exmas. Sras. e Srs. Deputados Municipais,
Exmos. Senhores Membros da Assembleia Municipal Demais Entidades Públicas e Privadas
Caros Munícipes de Arganil
Celebramos hoje 52 anos de um novo fôlego nacional.
Cumpre-me o dever cívico de deixar esta mensagem numa data que a celebramos com alegria e responsabilidade porque, para além do 25 de Abril de 1974, também o 25 de Novembro de 1975 permitiu consolidar a democracia pluralista que hoje vivemos.
Mas, passados 52 anos sobre o 25 de Abril, muitos portugueses sentem que a ‘garrafa da Liberdade’ — essa garrafa que Abril encheu de esperança — está hoje meia vazia. E não por falta de progresso económico (segundo a Pordata, o PIB per capita português atingiu, em 2024 (valor previsional), cerca de 27 mil euros). O problema estão em outros sinais, mais profundos e mais inquietantes, a saber, entre muitos exemplos, darei dois exemplos:
A perceção da corrupção: De acordo com o Índice de Perceção da Corrupção 2025, divulgado pela Transparência Internacional e citado pelo Mecanismo Nacional Anticorrupção, Portugal obteve 56 pontos, descendo para a 46.ª posição entre 182 países. É um dos piores resultados de sempre e coloca o país entre os desempenhos mais baixos da Europa Ocidental. Estes números não são opiniões: são dados oficiais. E mostram que a confiança dos cidadãos nas instituições está a ser corroída.
A participação política e o respeito pelo pluralismo: Assiste-se a declarações públicas que levantam dúvidas sobre a compreensão do pluralismo democrático. Foram amplamente divulgadas afirmações segundo as quais apenas determinados partidos — considerados “fundadores da democracia” — deveriam indicar juízes para o Tribunal Constitucional (Prof. Jorge Miranda, em declarações foram relatadas pelo jornal Observador, em 30/03/2026).
Perante isto, a jurista Sofia Galvão, num artigo publicado no Observador a 06/04/2026, escreveu que “deixar a Constituição cristalizar e secar significa aceitar menos futuro”. E muitos
portugueses sentem precisamente isso: que alguns responsáveis políticos resistem à mudança, como verdadeiros Velhos do Restelo, presos a um país analógico num tempo que já é digital. É preciso respeitar o voto popular: O Povo votou. E o voto popular é sempre legítimo. Desqualificar o eleitorado é sempre um mau caminho para qualquer democracia.
A minha ligação a Arganil e ao país que somos: Tenho residência neste município, que o conheço desde 1976, quando aqui vim, com o meu Pai, ver passar os carros do Rally. Sou migrante, sinto imenso respeito pelo papel que os munícipes me proporcionaram.
Nasci em Angola e cheguei a Portugal naquela que muitos consideram a maior ponte aérea de sempre. Estudei em Tondela, passei por Viseu e por Coimbra, e encontrei no Sistema de Educação
— esse elevador social que Abril tornou possível — o caminho para construir a minha vida. Nasci no tempo do analógico, que tem ainda muitas virtudes, mas abraço o digital como evidência do futuro. E é por isso que me custa ver um país que, por vezes, parece preso a velhos hábitos, a velhas elites, a velhos circuitos entre São Bento, Belém, Rato e São Caetano.
Concluindo:
Façamos o 25 de Abril com respeito pelos Outros, com respeito pela pluralidade, com respeito pelo voto, com respeito pela mudança. Façamos o 25 de Abril todos os dias, sem atropelos democráticos, sem arrogâncias institucionais, sem donos do regime.
Viva Abril, em Novembro! Viva Portugal.
Rui Pedro Matos