Senhor/a Presidente,
Senhores Vereadores/Deputados Municipais/Eleitos de Freguesia
Senhoras e Senhores,
Celebramos hoje o 25 de Abril. Celebramos a liberdade. Celebramos o fim de um regime que limitava direitos, restringia opiniões e não permitia aos portugueses
escolher livremente o seu destino.
O 25 de Abril foi um momento fundador da nossa democracia. Um momento que abriu caminho à liberdade de expressão, ao pluralismo político, ao voto livre e à alternância democrática.
Mas celebrar o 25 de Abril não pode significar, transformar esta data numa narrativa única, fechada ou ideológica. O 25 de Abril pertence a todos os portugueses. Não pertence à esquerda. Não pertence a partidos. Não pertence a elites. Pertence ao povo português.
E é precisamente por isso que devemos hoje perguntar: Estamos a honrar verdadeiramente o espírito de abril?
Porque o espírito de abril não é apenas liberdade formal.
É também liberdade real.
Liberdade para trabalhar.
Liberdade para empreender.
Liberdade para viver com segurança.
Liberdade para dizer o que se pensa sem medo de censura social ou política.
E hoje, mais de 50 anos depois, muitos portugueses sentem que essa liberdade está incompleta.
Há portugueses que trabalham toda a vida e não conseguem pagar uma casa.
Há jovens que não conseguem construir um futuro no seu próprio país.
Há famílias que vivem com medo da insegurança nas ruas.
Há cidadãos que sentem que o Estado lhes pede cada vez mais, mas lhes devolve cada vez menos.
Senhoras e Senhores,
O 25 de Abril não foi feito para criar novos privilégios.
Não foi feito para perpetuar desigualdades.
Não foi feito para criar uma classe política distante das pessoas.
Foi feito para devolver o poder ao povo.
E esse é o compromisso que devemos renovar hoje.
Celebrar abril também é reconhecer que a democracia precisa de ser defendida todos os dias.
Defendida contra a burocracia excessiva.
Defendida contra o centralismo.
Defendida contra a perda de soberania e contra decisões afastadas da vontade popular.
Porque democracia não é apenas votar de quatro em quatro anos.
Democracia é ouvir as pessoas.
É respeitar quem pensa diferente, sem lhe chamar de fascista. É aceitar o pluralismo político sem rótulos ou exclusões.
Celebrar abril é querer um país mais justo.
Celebrar abril é querer um país mais seguro.
Celebrar abril é querer um país onde trabalhar compensa.
Celebrar abril é querer um país que respeite os seus cidadãos.
Senhoras e Senhores,
A melhor forma de honrar o 25 de Abril não é apenas lembrar o passado.
É cumprir o futuro.
É garantir que a liberdade conquistada não se perde.
É garantir que Portugal é um país de oportunidades.
Porque o 25 de Abril não é apenas uma data.
É um compromisso permanente com Portugal e com os portugueses.
E não podemos celebrar abril, sem mencionar Novembro e sem lembrar que a verdadeira liberdade e a verdadeira democracia só foram alcançadas a 25 de
Novembro de 1975.
Depois do 25 de Abril, Portugal viveu um período de instabilidade profunda, conhecido como Processo Revolucionário em Curso, marcado por ocupações, nacionalizações forçadas, ameaças à liberdade de imprensa e tentativas de imposição de um regime de inspiração revolucionária. Foi a 25 de novembro que militares moderados, liderados por figuras como Ramalho Eanes, travaram uma deriva que colocava em risco a democracia pluralista e as liberdades fundamentais. Foi nesse momento que Portugal escolheu definitivamente a democracia representativa, o pluralismo partidário e o Estado de direito. Sem o 25 de novembro, abril poderia ter sido apenas uma transição para outra forma de autoritarismo. Com o 25 de novembro, abril tornou-se verdadeiramente liberdade.
Viva a Liberdade.
Viva abril, viva novembro.
Viva Portugal.
25/04/2026
Raquel Arribança
(Deputada Municipal de Mira)