Após décadas de promessas, milhões gastos e uma derrapagem financeira sem precedentes, Coimbra vê-se finalmente na iminência da inauguração do tão aguardado Metro Mondego. Contudo, em vez de celebração, a cidade e os conimbricenses estão desiludidos e revoltados com aquilo que este projeto se tornou: um autêntico logro que falhou em corresponder às expectativas criadas pelos sucessivos governos e responsáveis políticos. Não se pode deixar de referir, que durante este processo do Metro Mondego, estiveram envolvidos pelo menos 6 governos diferentes ao longo de quase 30 anos.
O percurso desta obra é uma crónica de desilusões e falhanços. O projeto, inicialmente concebido como um sistema moderno de metro ligeiro de superfície, sofreu sucessivas alterações, adiamentos e encarecimentos que o transformaram num exemplo clássico de má gestão pública. O que começou como uma promessa de progresso e mobilidade para Coimbra e os concelhos vizinhos, acabou por se revelar um descalabro financeiro e uma traição às expectativas dos cidadãos.
A Linha da Lousã, que ligava Coimbra a Miranda do Corvo e Serpins, foi desativada em 2010 com a promessa de que em breve daria lugar a um sistema de metro ligeiro. No entanto, essa promessa rapidamente se transformou numa miragem à medida que os anos passavam e os milhões continuavam a ser gastos sem qualquer avanço concreto. O custo inicial do projeto disparou, chegando a valores astronómicos, enquanto os habitantes da região ficaram privados de um meio de transporte essencial durante tempo demais.
Um dos episódios mais escandalosos desta longa novela, foi o alegado desvio de ferro dos carris da antiga Linha da Lousã. Muito se especulou sobre o destino deste material, e apesar das denúncias e suspeitas, nunca houve uma clarificação concreta sobre o que realmente aconteceu. Este caso, apenas contribuiu para a sensação generalizada de que o Metro Mondego foi, acima de tudo, um projeto marcado pela opacidade e pela falta de responsabilidade política.
Outro ponto que gera indignação é a questão do material circulante. Durante anos, Coimbra foi levada a acreditar que teria um metro ligeiro moderno, com carruagens confortáveis e eficientes, semelhante ao que existe em outras cidades europeias. No entanto, o desfecho não podia ser mais dececionante: o que se prepara para circular nas ruas da cidade são, afinal, autocarros elétricos, um sistema de Bus Rapid Transit (BRT). Um autocarro, por mais sustentável que seja, nunca poderá substituir a eficiência e o conforto de um metro ligeiro. O sentimento de traição por parte dos conimbricenses é mais do que justificado.
No final de contas, o Metro Mondego tornou-se um símbolo da ineficácia e da falta de respeito pelos cidadãos. O que deveria ser um projeto transformador acabou por ser uma gigantesca perda de tempo e dinheiro, deixando Coimbra com um sistema de transportes que está longe daquilo que foi prometido. Resta agora saber se, algum dia os responsáveis por esta ilusão milionária serão chamados a prestar contas pelo que fizeram – ou melhor, pelo que deixaram de fazer.
Paulo Seco