O grupo parlamentar do CHEGA questionou formalmente o Ministro das Infraestruturas sobre o encerramento prolongado e recorrente do Porto da Figueira da Foz, alertando para os impactos económicos, logísticos e ambientais de uma situação que considera inaceitável após anos de investimentos públicos avultados em dragagens.
A iniciativa surge na sequência de informações constantes do requerimento entregue ao governo, onde é sublinhado que, apesar das sucessivas dragagens e projetos de aprofundamento, o porto continua incapaz de assegurar, de forma estável, a entrada e saída de navios com calados compatíveis com a atividade económica que dele depende. Esta realidade tem obrigado várias empresas, nomeadamente da indústria da celulose, a recorrer ao transporte rodoviário para suprir a falha da infraestrutura portuária.
Para os deputados Eliseu Neves e Paulo Seco, eleitos pelo distrito de Coimbra, esta situação revela falhas graves de planeamento, execução e coordenação, levantando dúvidas sérias sobre a eficácia das soluções técnicas adotadas e sobre a responsabilidade política por investimentos que não produziram resultados duradouros.
“É inadmissível que, depois de milhões de euros gastos em dragagens, o porto continue fechado ou condicionado como se nada tivesse sido feito. Alguém tem de explicar por que razão o dinheiro público não resolveu o problema”, afirmou o deputado Eliseu Neves.
Já Francisco Gomes, coordenador do CHEGA na Comissão das Infraestruturas, sublinha ainda que o desvio forçado do transporte marítimo para o rodoviário aumenta custos para as empresas, reduz competitividade, acelera o desgaste das estradas e agrava as emissões poluentes, em clara contradição com os objetivos de sustentabilidade e racionalidade logística frequentemente invocados pelo governo.
“O governo fala de descarbonização, mas empurra as empresas para os camiões porque não consegue garantir um porto operacional. Isto é incoerência política e incompetência na gestão das infraestruturas”, acrescentou.
No requerimento, o CHEGA exige respostas claras sobre as razões técnicas, operacionais e administrativas que explicam o encerramento persistente do porto, a avaliação da eficácia das dragagens já realizadas, a ausência de medidas de contingência e o calendário concreto para repor a plena operacionalidade da infraestrutura.
Coimbra, 27 de janeiro de 2026
Eliseu Neves
Francisco Gomes
Paulo Seco
(Deputados da Assembleia da República)