por Mário Cavaco – (com o sarcasmo à maneira cáustica, fina e deliciosamente ferina que faria Eça sorrir no seu túmulo!)
As Eleições Presidenciais vieram cumprir uma função higiénica que nem Eça de Queirós ousaria sonhar sem uma boa chávena de ironia, passando o espectro político Nacional por um crivo fino, onde a extrema-esquerda, outrora barulhenta como feira em dia santo, ficou reduzida ao seu verdadeiro tamanho, político e eleitoral, isto é, Irrelevante.
O País, cansado de dogmas requentados e de utopias de salão, resolveu polarizar-se, não por capricho, mas por exaustão, pois como diria Churchill, “o problema do socialismo é que um dia acaba o dinheiro dos outros” e, em Portugal, acabou sobretudo a paciência dos Portugueses.
Da primeira volta emergem dois candidatos que mais parecem personagens de um romance realista, em que, de um lado, o candidato (In)Seguro, rosto polido da continuidade, herdeiro directo de um sistema que se alimenta de si próprio, onde a mediocridade é promovida e o compadrio condecorado e, do outro, André Ventura, que se apresenta como o incómodo da sala, o único a dizer em voz alta aquilo que muitos murmuram à mesa do café, em que Margaret Thatcher lembrava que “a política é escolher entre alternativas reais” e aqui, a alternativa, é clara como água de nascente, sistema versus rutura.
O pós-primeira volta foi, aliás, um espetáculo digno de opereta, onde antigos opositores do socialismo, subitamente convertidos pela fé do subsídio e do cargo honorífico, correram a declarar apoio ao candidato do sistema, numa coreografia previsível, quiçá ratos a abandonar o navio, ou a mudar de porão, desde que a ração continue assegurada, porque entre fundações, institutos, observatórios e empresas públicas, todos descobriram, como por milagre, virtudes no “status quo”, que antes criticavam com fingida veemência, a dita hipocrisia, essa velha senhora bem vestida, continua a circular livremente pelos salões do poder.
Neste contexto, André Ventura surge como o único candidato que fala de mudança sem pedir licença, que propõe Rutura sem rodeios e que assume a defesa da Identidade Nacional, da justiça social e da dignidade dos portugueses sem o filtro do politicamente correto, onde não promete unanimismos nem sorrisos institucionais, mas promete confronto com o comodismo, porque como afirmou Ronald Reagan, “não é que o governo resolva problemas, o governo é o problema” e Ventura apresenta-se como quem quer, ao menos, contrariar essa regra.
Dia 8 de fevereiro não será apenas uma data eleitoral, será um teste de coragem cívica, ou a continuidade de um sistema corroído, néscio e autoindulgente, ou a escolha pela mudança, incómoda mas necessária, onde a escolha terá de ser feita, em que o voto branco e nulo, é a cobardia e é a continuidade deste sistema Corrupto, em que alguns, os mesmos de sempre, se banqueteiam da plancana do Erário Público, em detrimento de um Povo que sofre.
Assim, entre a anestesia e o sobressalto, Portugal terá de decidir se prefere continuar a adiar o futuro ou, finalmente, enfrentá-lo.