O Deputado Paulo Seco subiu à Tribuna da Assembleia da República para denunciar com veemência o estado de abandono e desleixo em que o Distrito de Coimbra se encontra, agravado pelas recentes tempestades que causaram morte, destruição e ruína generalizada.
“Três mortos. Três famílias destruídas. Três nomes que devem pesar na consciência de quem falhou”, afirmou o deputado, recordando o rasto de devastação deixado pelas cheias. O Vale do Mondego transformou-se num “mar de lama”, com diques rebentados, campos agrícolas arrasados, viveiros com milhões de euros perdidos, casas inundadas e empresas destruídas. “Pior do que tudo: a perda da esperança”, sublinhou.
Paulo Seco destacou os graves prejuízos pessoais, sociais, empresariais e agrícolas, mas alertou especialmente para a paralisia nas infraestruturas: cerca de uma centena de estradas rodoviárias destruídas, sem qualquer data ou previsão de reparação. “Zero. Absoluto desleixo. Esta é a mensagem que os autarcas me transmitem diretamente para esta Assembleia”, declarou.
O deputado prestou homenagem pública aos Presidentes das Câmaras de Coimbra, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Condeixa-a-Nova, Penela e Soure, que estiveram 24 horas por dia no terreno a coordenar ações de socorro e apoio às populações. Elogiou igualmente o “desempenho exemplar” do Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil, “um homem que honra o cargo quando outros falharam”, bem como o trabalho incansável de bombeiros, proteção civil, forças de segurança, militares e voluntários.
Criticando duramente os responsáveis políticos, Paulo Seco acusou anteriores e atuais governantes de inoperância e irresponsabilidade, exemplificando com a demissão da Ministra da Administração Interna. Recordou que as empresas de celulose do distrito pagam anualmente cerca de 31 milhões de euros em impostos, taxas e contribuições, sem que praticamente nada reverta para o território.
“Anos de avisos ignorados sobre o sistema hidráulico do Mondego. Anos sem obras de manutenção nos diques. Anos e anos de promessas vazias. E este foi o resultado: morte, ruína e abandono”, afirmou.
O deputado concluiu com um apelo forte: “O Distrito de Coimbra não é terra de segunda escolha. Não olhem só para nós pelos monumentos históricos, olhem principalmente para os homens e mulheres que, durante séculos, construíram com mestria e sabedoria o que é o Estado Português”.
Paulo Seco reiterou que a prioridade foi e continuará a ser estar junto das pessoas, enquanto outros optaram por ficar em Lisboa a afirmar que “era cedo demais” para agir. Tudo isso com um custo político num futuro próximo.
Coimbra, 25 de fevereiro de 2026
Paulo Seco
(Deputado da Assembleia da República)