O Governo da AD decidiu que a forma de resolver a crise de recrutamento nas Forças Armadas é oferecer uns trocos e a carta de condução aos jovens. Pouco mais de quatrocentos euros e uma carta como prémio. Eis o nível a que chegámos, a defesa da Pátria reduzida a um estágio remunerado com brinde incluído.
Isto não é uma política de defesa, é a confissão pública de um país que perdeu o respeito por si próprio. Em vez de criar condições dignas para quem quer servir Portugal, opta-se pelo caminho mais baixo, comprando disponibilidade temporária com incentivos miseráveis. O que se espera que um jovem sinta ao vestir o uniforme? Orgulho, sentido de missão, camaradagem e dever? Ou a sensação de que está a fazer um favor ao Estado em troca de uns euros e de aprender a conduzir?
Portugal enfrenta ameaças reais num mundo cada vez mais perigoso. As Forças Armadas estão envelhecidas, mal equipadas e com efetivos insuficientes.
A natalidade baixa e a emigração de talento agravam o problema. A resposta séria passava por restaurar o prestígio militar, oferecer carreiras atrativas com salários competitivos, habitação digna, formação de qualidade e equipamentos modernos. Em vez disso, criam-se programas que transformam o serviço militar numas férias pagas. O resultado será previsível, ou seja, jovens que entram por “pouco dinheiro” e saem mal o contrato termina, sem qualquer ligação emocional ou cívica com a instituição.
O pior é a mensagem que se envia à juventude. Servir a Nação não é um emprego de verão, é um ato de responsabilidade. Quando o Estado apresenta a farda como algo que se paga com migalhas, está a dizer que o patriotismo está em preço de saldo.
Para haver Forças Armadas fortes, profissionais e respeitadas, há que haver investimento sério no equipamento e na formação. A Defesa e a valorização real dos militares, começa com remunerações que reflitam o risco e o compromisso.
Não se constrói uma defesa credível com incentivos cosméticos. Constrói-se com liderança, com visão de longo prazo e com a coragem de dizer a verdade.
É tempo de mudar de protótipo. É tempo de devolver dignidade e exigência à defesa nacional. É tempo de colocar Portugal acima das facilidades e das soluções baratas.
O Serviço e a defesa da Pátria vale mais do que qualquer subsídio ou carta de condução.
Coimbra, 05 de maio de 2026
Paulo Seco
(Deputado na Assembleia da República)